05 maio 2006

A SALVAÇÃO SEGUNDO ORÍGENES

* Ashbell Simonton Rédua
Nasceu de pais cristãos em 185 ou 186 da nossa era, provavelmente em Alexandria. O pai, Leônidas, morreu mártir na perseguição comandada por Sétimo Seuro, em 202 ou 203. Aos 18 anos assumiu a direção da escola catequista como sucessor de Clemente, mas em 215 os massacres praticados por Caracalla obrigaram Orígenes a deixar Alexandria, fugindo para Palestina onde os bispos Alexandre de Jerusalém e Teócito de Cesaréia o acolheram com honra e o fizeram pregar nas suas igrejas. Fundou uma escola teológica em Cesaréia, tendo como discípulo Gregório Taumaturgo, onde permaneceu até a morte, aos 69 anos, como mártir durante perseguição comandada por Décio. Retomando e ampliando a noção de Clemente, Orígenes compara a ação de Deus a de um pedagogo ou de um médico, que pune e inflige males e dores para corrigir ou para curar.
O processo de assimilação da tradição clássica pelo cristianismo pôde desenvolver-se com maior elasticidade a partir do momento em que, no meio cristão, homens intelectualmente formados na cultura grega passaram a reconhecer a capacidade religiosa da filosofia. Ora, esta atitude claramente assumida no século III por Orígenes, entre outros, tinha a seu favor todo o esforço anterior de Fílon, que procurara mostrar como a fé hebraica podia ser exposta em termos da filosofia grega e justificada racionalmente. Há de considerar-se o trabalho dos estóicos no sentido de uma interpretação alegórica dos mitos antigos e, em particular, da teologia de Homero, desenvolvida por esse gênio cristão.
Orígenes enfatizava a salvação com um processo de transformação na imagem de Deus, e, finalmente, na participação parcial da própria natureza de Deus, chamado Theosis ou divinização.
A teologia pregada por Orígenes é uma teologia que não está importando em sistematizar uma doutrina teológica dentro dos padrões científicos, também não é uma teologia popular, naturalista, que nasce da práxis, como fruto do relacionamento humano. Não é também uma teologia que procura afirmar posições dogmáticas e nem definir um esboço sistemático, ou qualquer conjectura doutrinária, mas, simplesmente, desenvolver uma TEOLOGIA DE BUSCA. Orígenes procura buscar respostas bíblicas em um sistema que se move em dois planos, um superior e outro inferior.
Por certo, a influência platônica e a interpretação alegórica das Escrituras Sagradas foram os motivos para que Orígenes desenvolvesse doutrinas inerentes com os pais apostólicos anteriores e posteriores a ele, tais como a doutrina da salvação universal, da não existência eterna das almas no inferno, da escola das almas.
Se é somente a graça que salva, como evitar o determinismo que desincumbe a pessoa humana de sua responsabilidade própria.
Quando o adjetivo aionios significando "eterno" é usado no grego juntamente com substantivos de ação, ele se refere ao resultado da ação, não ao processo. Assim a expressão "castigo eterno" é comparável a "redenção eterna" e a "salvação eterna", todas expressões bíblicas ... os que se perdem não passarão eternamente por um processo de castigo mas serão punidos uma vez por todas com resultados eternos. Uma vez que a idéia de imortalidade intrínseca da alma (isto é, do indivíduo consciente) deixa de ser considerada como uma intromissão platônica na exegese do segundo século, parecerá que o único significado natural de morte, destruição, fogo e trevas no Novo Testamento como indicadores do destino dos ímpios é de que tais pessoas deixam de existir. Mas tal afirmação quando submetida à prova mostra estar errada.
É bastante evidente que Orígenes sustenta algumas afirmações que são incompreensíveis e incompatíveis com a doutrina bíblica da Igreja Cristã, porém, é verdadeiro que sua intensão sempre fora de ser “um homem fiel a Igreja, a sua doutrina e suas instituições, e jamais deixou de lado a pedagogia eclesiástica.
Por certo, a influência platônica e a interpretação alegórica das Escrituras Sagradas foram os motivos para que Orígenes desenvolvesse doutrinas inerentes com os pais apostólicos anteriores e posteriores a ele, tais como a doutrina da salvação universal, da não existência eterna das almas no inferno, da escola das almas.
Além dos vários comentários da Bíblia, as suas obras mais importantes é a Apologia contra Celso e o Tratado Dos Princípios, que é considerado o primeiro Manual de Teologia e é o lugar onde estão registrados as origens das acusações que recebeu.

Soli Deo Gloria
* Ashbell Simonton Rédua é pastor da Igreja Presbiteriana do Sinai em Niteroi-RJ, e membro da Comissão Nacional de Evangelização da IPB. Contato: asredua@yahoo.com.br

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