31 agosto 2007

ENTRE O SANTO E O PROFANO

*Rev. Ashbell Simonton Rédua
asredua@yahoo.com.br

Há muitas questões levantadas com relação ao site de relacionamento “orkut”. Estas questões se polarizam pela facilidade de se cometerem atos ilícitos e lícitos que permitem ao usuário definir muito bem o seu caráter.
Optei por fazer parte deste site, foi uma opção minha, porque, de tanto ouvir nossos jovens e adolescentes falando sobre o site, há algum tempo já venho me familiarizando com a problemática toda que envolve os participantes das comunidades “orkuteiras”.
O meu interesse se estabeleceu no sentido de que devo estar onde os nossos jovens estão, de conhecer o que falam, sentem e como se expressam entre si, afinal eu sou um pastor e quero cuidar bem do meu rebanho.Apesar de ser uma ferramenta de relacionamento, mesclada ao entretenimento, é um ambiente de fácil navegação através dos ícones que dão acesso a todos os ambientes, mesmo tendo pouco conhecimento de informática.
O Orkut é uma rede amigos, que se agrupam em comunidades on-line com objetivo de tornar a vida social mais afetiva e estimulante, portanto é uma rede social que pode ajudar a manter relacionamentos existentes e estabelecer novos amigos.
Muitas comunidades fazem apologias a diversos assuntos polêmicos ou não, alguns até banais. Existem aquelas comunidades bem intencionadas, sérias e que contribuem com a cultura, particularmente no nosso interesse, a cultura religiosa, discussões teológicas, assim por diante, porém somos conscientes da existência de comunidades que são uma aberração contra tudo o que é puro, bom, sincero, honesto, agradável, etc.
Pois bem, nesta semana deparei-me com uma dessas comunidades, fazendo apologia à bebida, causando-me grande estranheza, pois jamais imaginei alguém que realmente ama o Senhor Jesus Cristo, que é um crente sincero, temente a Deus, de bom caráter, se pronunciasse utilizando o nome de uma Instituição Religiosa tão séria, como a Igreja Presbiteriana do Brasil. Trata-se do “Boteco da IPB” (http://www.orkut.com).
Esta comunidade além de fazer apologia à bebida, utilizando palavras como “presbirita”, “Presbibhama”, suscita nomes de líderes Presbiterianos de grande envergadura moral, cujo compromisso com Deus, com a Igreja e com a Fé Reformada são inquestionáveis, principalmente pelos grandes e relevantes serviços prestados ao Reino de Deus.
Ainda que o tópico do assunto: “papo do boteco (brincadeira)”, seja realmente brincadeira, a seriedade do assunto, e a tonalidade dos recados tomam outras direções, oposto ao padrão Bíblico do Homem Cristão.
Vejam as conversas iniciadas em 07 de fevereiro até 23 de agosto 2007:

- Gui Stitch - Ah, pensei numa brincadeira aqui.
Imagine um boteco de crentes, e vamos começar uma história cada um posta uma frase com quatro palavras e vamos ver o que sai...
- G. S. - começando - Entrei no boteco sozinha...
- R. B. - e pedi aquela gelada
- B. - quando ao olhar para o lado
- G. S. - (como o Bruno se excedeu nas palavras...)
- W. - mulher, que vinha em...
- C. - Vi uma ... minha direção e então
- G. S. - perguntou se eu era...
- G. S. -perguntou se eu era...
- W. - a pessoa que ela
- J. - estava procurando pra começar
- B. - uma profunda conversa sobre
- G. S. - as possíveis influências da...
- R. B. - tradição reformada e a bebida
- G. S. - na vida sexual das...
- W. - das traças que corroem...
- J. P. - ...a igreja por dentro...
- W. - e que levam a
- B. - IPB chegar nesse nivel
- G. S. - de incapacidade intelectual filosófica...
- W. - fundamentalista, que radicaliza nas...
- B. - decisões sobre assuntos que...
- W. - realmente importam para o .... (detalhe esse papo esta com pouca gente né, tá quase um diálogo)
- j. - convívio mútuo de fé...
- W. - cristã, reformada e não....
- R. B. - esqueça minha cerveja garcon!
- G. S. - Nesse momento chegou o...
- J. P. - ...Nicodemus com a "tropa de choque" Solano - Meister...
- W. - e poucos foram que mantiveram sua fé..... (já que é pra postar mais de 4 palavras....rs)
- G. S. – OFF contem só quatro palavras, se não, não tem graça...
- J. P. - ...depois de ouvir o...
- G. S. - discurso insano do puritano...
- R. - pedi uma cachaça pra...
- G. S. - esquecer todas as baboseiras...
- j. - e continuar a viver...
- R. B. - em livre-abertura ao futuro!
- J. - e livre-abertura para si
- W. - bebendo sem preconceito e.....
- J. P. - desfrutando da liberdade cristã...
- G. S. - ... mas então, o garçom...
- W. - chega e pergunta:...
- R. B. - Mais um chopp Sr?
- G. S. - E eu, meio que...
- Wilmar - sem jeito respondo....-
- J. P. - mais um pra todos!!...
- W. - eu enfatizo mais....
- B. - traga bem gelado, pois
- j. – boteco ...eu preciso disso...
- W. - para continuar vivendo...
- R. B. - e desfrutando dessa...
- Wilmar - devassa, vamos pra lá?
- D. M. - com certeza, se...
- G. S. - não aparecer nenhum fundamentalista...
- C. - com as mesmas conversas
- D.M. - mas depois quando...
- W. - vemos a verdade ela nos......
- W. - .......................................iic
- A. - acho que vou vomitarrrrraahhhgggg.....
- W. - comuniar o que? fala ai.........ic
- F. - a palavra da verdade....
- W. - e qual é a verdade?
- F. - SÓ CRISTO SALVA!!! A VERDADE É QUE SÓ CRISTO SALVA!!!
- R. B. - aleluia!
- F. - acabou? acabou o papo... tava taum legal....
- R. B. - acabou cerveja. mais uma?
- JR - Sim e dois copos...
- W. - mais outra e outra tulipa
- R. B. - copo americano pra mim :)
Ao analisar a comunidade tenho duas possibilidades de interpretação.
A primeira é que se trata realmente de uma brincadeira, sem graça e sem objetivo, por conhecer o idealizador da comunidade, pessoa séria e comprometida.
Porém o desenrolar da brincadeira tomou dimensões totalmente diferentes daquela protagonizada pelo autor ou mesmo do sentido inicial da brincadeira.
Depois, entendo que boteco é um estabelecimento comercial, muito popular, onde se servem bebidas, mas também lanches e eventualmente pratos simples. O boteco é também conhecido como taberna, bar e botequim. Na nossa cultura carioca, o boteco é o ponto de encontro ideal para os funcionários das empresas, encontros de amigos, para comemorar – com mesa farta, bom-humor e a alegria de viver.
A segunda possibilidade que vejo na comunidade, refere-se a uma crítica as estruturas e a teologia da IPB, e assim os membros da comunidade titubeiam, não sei se foi de propósito ou não, entre o fundamentalismo e o liberalismo/mundanista, entre a liberdade e a libertinagem, entre a ortodoxia e a neo-ortodoxia, entre a fé reformada e outras formas de se expressar a fé, entre as decisões impostas e a liberdade da igreja de tomar parte nas decisões.
E quando os membros falam da Cerveja Alemã e Americana, com toda certeza devemos entender o crescente liberalismo teológico e o mundanismo que tem se infiltrado as igrejas brasileiras.
À primeira vista quando naveguei nesta comunidade, fui acometido de uma tremenda raiva, revolta, mas depois de pensar e analisar e verificar o perfil dos usuários, que, a propósito são de diversas regiões brasileiras, pensei que há um grupo jovem procurando algo mais que formulas filosóficas/teológicas.
Quando a filosofia se infiltrou no cristianismo, o modernismo Alemão que posteriormente infectou as grandes denominações nos Estados Unidos, as heresias surgidas neste período se encarnaram nas doutrinas fundamentais da Palavra de Deus dando origem ao dogma do modernismo do século XX e XXI, tais como:
- A teologia bíblica como resultado de um processo evolutivo da raça humana;
- Negação dos milagres;
- A interpretação alegorica das Escrituras, algo tão antigo e que na roupagem do liberalismo e do racionalismo tomam dimensões negativas quanto a fé, por exemplo, Adão e Eva não existiram, O Dilúvio não aconteceu; José, filho de Jacó, não existiu;
- Muitos eventos do Antigo Testamento são apenas mitos.
- A evidência da humanidade de Jesus em detrimento da sua divindade (Jesus Histórico);
- As narrativas dos Evangelhos não são factuais,
- A teologia da preconização
- A Teologia relacional
- Pragmatismo religioso (nada se cria, tudo se copia);
Portanto, não posso concordar com essa turma quando afirmam que os líderes alvos do bate-papo são enquadrados como fundamentalistas. Na verdade eles não sabem o que estão dizendo. Não há fundamentalista na Igreja Presbiteriana do Brasil como também não há liberal. Todos somos presbiterianos, de fé reformada, o nobre professor Sebastião M. Arruda afirma com sabedoria: “A Fé Reformada deu-nos:
a) a Bíblia em nossa língua materna;
b) o direito de cultuar conforme a nossa consciência;
c) a prática apostólica da pregação do Evangelho;
d) desenvolvimento da ciência.Portanto, essas quatro características devem estar sempre presentes na pregação Reformada, e é a integração delas que vai produzir o seu caráter mais importante e singular.
Alguém já disse que a Fé Reformada tem sido chamada de “doutrina de ferro”, e que mesmo isso não sendo um elogio, tem que ser admitido que ela tenha produzido homens com caráter de aço: Calvino, Kuyper, Cromwell, Knox, etc.
A Teologia de Calvino foi responsável pelo despertamento religioso da Escócia. Foi a doutrina de Calvino, sobre o estado como servidor de Deus, que estabeleceu a idéia de governo constitucional e que conduziu ao reconhecimento dos direitos e liberdades dos súditos.
Foi a Fé Reformada que valorizou a mulher, que incrementou a educação e o preparo de homens para melhor servir na comunidade. É duvidoso que algum teólogo tenha desempenhado um papel tão significativo quanto o de Calvino na história mundial...
Só a Fé Reformada pode de modo coerente, sustentar a soberania absoluta do Senhor. Talvez alguém possa objetar que a Fé Reformada é dualista, porque mantém a tensão entre Deus e o homem. Mas é exatamente essa tensão que explica que a Fé Reformada não é dualista. As duas partes, Deus e o homem, não estão no mesmo nível. Deus é Criador, e o homem é Sua criatura.
Assim, de modo coerente, posiciona-se a Fé Reformada: “Porque crê que Deus é verdadeiramente Deus, crê, também, que só a Palavra de Deus é regra de fé e prática; por conseguinte, vê o homem como a Bíblia diz que ele é: uma criatura de valor, feita à imagem e semelhança de Deus, vice-gerente de Deus na terra, responsável pela administração das obras das mãos de Deus, contudo caído e morto em pecado, incapaz até mesmo de desejar o bem.” (ARRUDA: O Presbiteriano Conservador na edição de Nov/Dez 1995).
Entendo que preciso tomar pelo menos duas posições, como pastor e líder da Igreja:
1. Dar aos jovens as condições de sentirem o gosto, a alegria de serem crentes, do encontro com Deus, e da alegria de pertencerem à Igreja, de conhecerem bem os fundamentos da nossa fé e por outro lado, de colocarmos o dinamismo, a alegria, a esperança, o serviço e a missão da igreja;
2. Estimular os jovens para se colocarem à disposição de Deus no serviço ao mundo, do crescimento e da superação das situações complicadas, seus dons, talentos, alegria e fé.
Soli Deo Gloria
*Rev. Ashbell Simonton Rédua – Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbitério do Norte (Recife-PE), em 1989, Bacharel em Teologia com Especialização em Capelania, pelo Seminário Teológico Evangélico do Nordeste (Recife-PE), 1990, Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo (2006), Especialização em Bíblia pelo Centro de Pos-Graduação Andrew Jumper, Graduando em Direito pela Centro Universitário Plínio Leite, e Especializando em Direito Ambiental pela Universidade Gama Filho Currículo completo http://lattes.cnpq.br/9018318255138280

APAIXONADOS POR JESUS: SÍNDROME DE UMA GERAÇÃO GENÉRICA

*Rev. Ashbell Simonton Rédua
A geração hodierna é uma geração de apaixonados por Jesus. A paixão é uma perda da consciência dos próprios limites da realidade. O que interessa é o momento e a felicidade desse momento, especialmente em se tratando do Louvor e Adoração, e não as qualidades vinculativas do Culto à Deus.
Aos apaixonados por Jesus é uma geração que vive no limbo teológico e ainda estão neles, isto é, alguém que participa do louvor até enjoar. Suponhamos que você adore ao Senhor e aqueles primeiros cultos é delicioso, “divino-maravilhoso”. Depois vem os outros que é supergostoso, depois de algum tempo é bom, mas chega o momento em que não há mais prazer. O que significa que a repetição do estímulo diminui a intensidade da resposta. Então, a adoração acabou. Mas o que a substitui? Será que de repente entra-se numa nova onda, quem sabe um “louvor extravagante”, algo fora do comum e o meu desejo e atraído para viver este estilo de vida nos momentos culticos de louvor e adoração. Infelizmente não. Há um entorpecimento espiritual. É como alguém que estivesse operando um aparelho com baterias fracas, produzindo apenas as mais frágeis fagulhas da espiritualidade.
Ser apaixonados por Jesus é apenas ser genérico, isto é faz parte de um gênero relativo a viver um estado puro, como se realmente fosse. Ser genérico é ser movido pela paixão, é levar-se a perder o controle de si próprio (Rm 12:1-2), ou seja, sempre há um real perigo de se ficar cego (cego guias de cego), de “perder a razão”, de sujeitar-se ao raciocínio direto, o que obriga o adorador a pensar no culto como objeto do adoração, e a fazer bobagens, a rastejar, se for preciso, a dançar, enfim a viver um frenesi de “vale tudo” para “preencher” a falta alucinado do verdadeiro Deus e Senhor na sua vida.
A geração de apaixonados por Jesus acreditam que a vida sem aquela paixão não vale a pena ser vivida (e isso nunca é verdade). É uma espécie de loucura, uma idéia fixa que destrói a auto-estima e o equilíbrio do apaixonado. Ela nos impede de enxergar os nossos defeitos e nos faz acreditar que esta forma de vida é a chave de nossa felicidade, isto a paixão é idealizadora.
Alguém poderia dizer: “Entendo que as músicas são lindas, estou emocionado, não mereço, pois ando com uma fome de adorar, ando com saudade de expressar-me, pois já não agüento mais ser apenas uma esponja, absorvendo e comendo o tradicionalismo que mata as nossas igrejas. Isto mesmo, ser apaixonado por Jesus me trouxe de volta a mais antiga lembrança do amor à Deus. Isto mesmo, esta geração de apaixonados trouxe de volta o “meu primeiro amor”.
Entendo que na Teologia há vários modelos de aplicação da paixão, como por exemplo quando nos reportamos “A paixão de Cristo”. Das várias interpretações da Paixão de Cristo, seu sacrifício cruento, sua morte vicária e a salvação do homem.
Pois bem, ser apaixonado por Jesus, não tem a mesma conotação da “Paixão de Cristo“, são circunstâncias e evidências bem diferentes teologicamente.
Entendo também que quem quer viver apaixonado por Jesus, vive em conflito, sofrimento, busca seus próprios interesses. Mas quem quer viver em amor pelo Senhor é alegre, é livre, produz, é um conquistador, aprende coisas novas para trocar lições de vida com outros irmãos. O amor incentiva a doação, ao perdão, sobre, não aponta os culpados por seu sofrimento, não acusa, não odeia. Se sente especial, torna sua vida mais alegre, mais interessante e torna também as dificuldades mais fáceis de serem superadas. São mais calmos, os apaixonados são muito agitados. Os que amam são mais calmos, serenos, tranquilho.
Há eu prefiro o padrão bíblico que é o amor. Amo os apaixonados por Jesus, e quero vê-los não apaixonados, mas amando o Senhor Jesus. Amando de todo o teu coração, não com um coração dividido, de todo o teu entendimento, racionalmente e de toda a tua força, e por causa desse amor, procure ser fiel ao Senhor e desfrutar constantemente da Sua presença, a maior de todas as presenças na nossa vida.
Soli Deo Glória

IPB: 148 ANOS SERVINDO A DEUS AO BRASIL E AO MUNDO

O presbiteriano nacional completa 148 anos de serviço à Deus, ao Brasil e ao mundo no próximo dia 12 de agosto 2007.
Creio que podemos dividir a história do presbiterianismo nacional em seis (06) etapas importantes e relevantes na vida da Igreja Presbiteriana do Brasil.
A implantação foi a primeira fase postulada de 1859 a1869.. Fase essa que inicia com o surgimento da Igreja Presbiteriana do Brasil como resultado do esforço e trabalho missionário pioneiro articulado pelo Rev. Ashbel Green Simonton (1833-1867).
A segunda fase desse processo foi a consolidação do Presbiterianismo no Brasil (1869-1888). Simonton e toda a equipe missionária pertenciam a Igreja Presbiteriana do Norte dos Estados Unidos (PCSA). Com a chegada dos missionários da Igreja Presbiterian do Sul dos Estados Unidos, George N. Morton, Edward Lane, fixando residência em Campinas, fundaram a Igreja de Campinas e o Colégio Internacional. Esses e outros missionários evangelizaram a região da Mogiana, Oeste e Triângulo Mineiro e Sul de Goiás, destacando nesta obra o Rev. John Boyle.
A Igreja avançava em direção a todos os recantos brasileiros estendendo a obra missio-evangelizadora no nordeste e norte do Brasil, precisamente de Alagoas até a Amazônia, destacando nesta obra os trabalhos de John Rochwel Smith, fundador da Igreja Presbiteriana do Recife (1878). Delacery Wardlaw, em Fortaleza e o Dr. George W. Butler, o “medido amado”, bem destacado na obra do Rev. Edjece Martins, “A Bíblia e o Bisturi”. Um dos pastores mais conhecidos nesta fase no nordeste foi o Rev. Belmiro de Araújo César, patriarca de uma família numerosa de presbiterianos, muitos deles pastores.
A terceira fase, a Dissenção (1888-1903), isto é, a primeira ruptura denominacional. Neste período foram organizado o Sínodo da Igreja Presbiteriana do Brasil jurisdicionando três presbitérios (Rio de Janeiro, Campinas-Oeste de Minas e Pernambuco), contando com 20 missionários, 12 pastores nacionais e 59 igrejas. O Primeiro presidente foi o Rev. Blacford. Foi criado o Seminário Presbiteriano, funcionando em Nova Friburgo no final de 1892, sendo mais tarde (1895) transferido para São Paulo. O Mackenzie College em 1891 (Colégio Protestante), foi transferido para Lavras o Colégio Inernacional que mais tarde veio a chamar-se Instituto Gammon, em homenagem ao Rev. Samuel R. Gammon (1865-1928). No nordeste é criada a primeira escola evangélica, o Colégio Americano de Natal (1885) e na cidade de Garanhuns são lançadas as bases do Colégio Quinze de Novembro e o Seminário Presbiteriano do Norte, mais tarde transferido para Recife. No Rio de Janeiro e São Paulo foram destaques neste período o Rev. Eduardo Carlos Pereira (1888) e Álvaro Reis (1897). A Igreja crescia tanto para o Norte como para o Sul do Brasil, chegando ao Pará e Amazonas, bem como a Santa Catarina, expandindo-se também para o interior de Minas (Alto Jequitibá). Este período foi marcado por uma grande crise surgindo conflitos entre o Sínodo e a Junta de Missões de Nova York. Enquanto o Sínodo media esforços e buscava apoio para a obra evangelistica, conseqüentemente na instalação dos Seminários, a Junta preferiu dar ênfase à obra educacional, principalmente através do Mackenzie. Este conflito ganhou corpo principalmente nos desentendimentos entre o Rev. Eduardo Pereira e os líderes do Mackenzie, Horace Lane e William Wandbell. Com as posições radicais do Rev. Eduardo C. Pereira e apoiado por um grupo de seus colegas brasileiros, criou o jornal “O Estandarte”, enquanto o Rev. Álvaro Reis, criava “O Puritano” (1899). Os problemas aumentaram principalmente devido aos debates acerca da maçonaria, e por fim a crise chega ao fim com um triste desfecho em 31 de julho de 1903, durante a reunião do Sínodo. Após serem derrotados em suas propostas, o Rev. Eduardo Carlos Pereira e seus colegas desligaram-se do Sínodo e formaram a Igreja Presbiteriana Independente.
Após 1903, seguiu-se um período muito triste na vida da igreja, período marcado por divisões de comunidades, luta pela posse de propriedades, litígios judiciais, inquietação, estendendo este período até 1906. nesta época a IPB contava com 77 igrejas e cerca de 6500 membros, a IPI tinha 56 igrejas e 4200 membros. A reconstituição (1903-1917) da obra presbiteriana do Brasil levou as igrejas da IPB a trabalharem duro na evangelização e na educação. Em 1910 foi organizada a Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana do Brasil, sendo eleito o primeiro presidente o Rev. Álvaro Reis. Os conciliares visitam a Ilha de Villegaignon e comemoraram o 4º centenário do nascimento de Calvino, fato importante este que tem sido cultivado pela Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Em 1971 foi aprovado o Modus Operandi, um acordo entre a igreja e as missões norte-americanas pelo qual os missionários desligaram-se dos concílios da IPB, separando os campos nacionais (presbitérios) dos campos das missões. Estava assim restaurada a Igreja Presbiteriana do Brasil.
A fase de Cooperação (1917-1932) destaca-se pela influência e relevância da Igreja Presbiteriana do Brasil com os vários setores da vida religiosa e social do Brasil. As principais áreas de cooperação foram a literatura, educação cristão e educação teológica, nesta época foi criado o Seminário Unido no Rio de Janeiro, que existiu até 1932. O Instituto José Manoel da Conceição, fundado pelo rev. William A. Wadbell na cidade de Jandira-SP (1928), que tinha o objetivo de preparar os jovens que ingressariam no seminário. A Associação Evangélica de Catequese dos índios (1928), depois Missão Evangélica Caiuá, idealizada pelo Rev. Albert S. Maxwell instalada em Dourados-MS, esforço cooperativo das igrejas presbiterianas, independente, metodista e episcopal.
Nesta época também a Missão criou o Colégio Agnes Erskine, em Recife, o Colégio 15 de Novembro, em Garanhuns; a Escola de Ponte Nova-BA; o Colégio 2 de Julho, em Salvador-BA; O instituto Gammon, em Lavras-MG e o Instituto Cristão e principalmente o Mackenzie.
A última fase, a organização (1932-1959), período em que a IPB continuou a crescer e aperfeiçoar a sua estrutura voltando parte de sua obra para os trabalhos específicos como as sociedades internas, principalmente o trabalho feminino e mocidade, e o desenvolvimento das missões estrangeiras e nacionais, literatura e ação social. Este período logrou êxito e conclusão com o centenário da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Dentre algumas convicções da IPB, destaco o Culto, no qual a igreja procura obedecer o princípio regulador. Isto significa que o culto deve ater-se as normas contidas nas Escrituras Sagradas. Assim o culto caracteriza-se pela teocentricidade, simplicidade, reverência, hinódia com base teológica bíblica e a pregação expositiva. Por isso o culto reformado é solene, respeitoso, fervoroso e alegre. Culto rígido, fechado e sem vida não faz parte do padrão presbiteriano, contudo, quando não se observa este padrão consequentemente as igrejas locais acabam se afastando dos princípios históricos originários.
A centralidade das Escrituras Sagradas é outra de suas marcas, a Bíblia é a nossa regra de fé e prática.
A prática dos sacramentos (Ceia do Senhor e batismo), marca imprescindível a vida e comunhão da igreja, como meios de graça. A ministração correta dos sacramentos, isto é, rejeitarmos qualquer concepção da Ceia do Senhor que a reduza a apenas símbolo memorial e bem como o batismo infantil e adulto.
Aproveitamos esta oportunidade para refletirmos sobre a nossa denominação e a nossa igreja local.
Que o Senhor abençoe a Igreja Presbiteriana do Brasil!
Soli Deo Gloria
Rev. Simonton

03 agosto 2007

PRESBÍTEROS: GUIAS E PROTETORES DO REBANHO



*Rev. Ashbell Simonton Rédua

Quando me proponho a falar da dimensão do ministério presbiterial, neste primeiro domingo de agosto, quando celebramos na Igreja Presbiteriana do Brasil, “o dia do Presbítero”, logo vêm na mente os desafios atuais, sobretudo os desafios afetivos-sexuais, em um contexto marcado por escândalos de má conduta cristã e uma visão negativa de seu relacionamento cristão.
Conscientes disso, pretendo tratar deste tema de forma mais ampla, pois sabiamente nossa confissão reformada nos alerta para tanto outros possíveis desvios e perigos que tange a nossa dimensão eclesiástica. Vivemos num período histórico grandemente desafiador, no qual a minha querida igreja sobre as quais se firmaram gerações e gerações sofre uma crise quase sem paralelo na história no contesto da família, enquanto o divórcio era tolerado para os membros comuns apenas, hoje debatemos com presbíteros docentes vivendo segundo, terceiro e até o quarto matrimônio e este também em crise. As escolas teológicas e confessionais carecem de novas abordagens que lhes restituam sua verdadeira função de elementos estruturais na formação do homem pós-moderno. A cultura religiosa pós-moderna, da religiosidade popular, da influência musical gospel, da liturgia aberta e liberal, da insersão de novas técnicas de comunicação na substituição da pregação expositiva, tais como corinhografia, coreografia, danças rítmicas e shows evangélicos. A ampla comercialização das diversas propostas espirituais, tais como : “Igrejas com propósitos”, “Igrejas sem propósitos”, “Células”, “G12”, “Igrejas de Relacionamentos”, “Igrejas Interdenominacionais (não sou de ninguém e todo mundo é meu também)”. São oferecidos roteiros espirituais baratos, que prometem um bem-estar imediato, fácil e a qualquer hora do dia e da noite (Igrejas 24 horas), haja vista que o mundo pós-moderno não acolhe facilmente percursos árduos, penosos, de despojamento, contudo busca e persiste a fome de algo autêntico e verdadeiso, mas sem a disponibilidade de passar por um caminho duro e comprometido (escrevo aqui de crentes de horas e locais marcados).
Assim penso que os presbíteros como guias e protetores do rebanho devam ter algumas características:
1. O Presbítero deve ser discípulo e discipulador. A questão do discipulado e do discipulador deve envolver inteiramente a vida do presbítero, levando em conta a sua maturidade cristã e humana, resultando na capacidade de desenvolver a difícil tarefa de ser discípulo. Aquele que é capaz de ouvir os outros e sobretudo o “outro”, este é capaz de levar as Boas Novas da Salvação aos outros, não por palavras, mas especialmente pelo testemunho de uma vida integra e fiel ao Senhor
2. O Presbítero deve ser capaz de conhecer em profundidade a alma humana, intuir dificuldades, ser um facilitador no relacionamento e no diálogo com outro, obter confiança e colaboração, exprimir juízos seremos e objetivos. É necessário o cultivo de uma série de qualidades humanas necessárias à construção da personalidade pastoral, tais como equilíbrio, fortaleza, liberdade, amor à verdade, lealdade, respeito pela pessoa de cada um, sentido de justiça, fidelidade à palavra dada, coerência e capacidade de suportar o peso das responsabilidades presbiteriais.
3. Os Presbíteros devem ter o seu próprio modus vivendi. Como qualquer outra pessoa, os presbíteros sofrem condicionamentos das mudanças culturais da pós-modernidade. Num processo dramático de desconstrução e reconstrução, alguns presbíteros transformam suas concepções de família, relações afetivas, a maneira de se vestir, do ato sexual, comportamento, hábitos em tendências ou possibilidade quando não como realidade. Algumas reinvidicações nos quais destaco a opção pelos grupos minoritários, discriminados, a emancipação da mulher (debates sobre diaconisa, presbíteras e pastoras), a liberação da sexualidade e do prazer (poucos se aventuram a falar com os casais da igreja sobre sexo e suas formas desvirtuadas, o direito ao orgasmo, o homossexualismo), o divórcio, a relativização da virgindade, a rediscussão da fidelidade conjugal. É certo que a onda individualista alastrou na sociedade cristã e contaminou os presbíteros, que preferem viver sua vida num relacionamento com os concílios da igreja muito diferente daquele surgido no nascedouro do cristianismo.
Por muito tempo, na Igreja, quando se tentava enfrentar essas questões em relação aos presbíteros, projetavam-se modelos idealizados de presbíteros, que mais se adequavam às necessidades institucionais, mas não respondiam ao desafio da originalidade de cada um. Nas últimas décadas, essas questões passaram a incomodar muito mais inúmeros presbíteros, que procuravam articular sua realização pessoal às reais necessidades da Igreja. Na perspectiva conciliar, a identidade do presbítero passa em sua definição pela comunhão dos presbíteros entre si e com o pastor no serviço à comunidade;. Hoje, porém, muito se perdeu dessa perspectiva e se retoma a questão da identidade presbiteral numa ótica muito mais subjetiva, do direito de cada um ser
feliz.
Precisamos prestar atenção a alguns sintomas, dentre os quais os momentos de dúvida, quando é posta em discussão a própria identidade e a própria vocação, o próprio papel, o modo de desempenhar o ministério presbiterial. Este é o aspecto mais evidente. Depois a dúvida pode ficar mais ampla e envolver mais em geral o aspecto institucional, a Igreja na qual se exerce o ministério, a época em que vivemos. Ao lado disso, há sintomas que dizem respeito à estrutura cotidiana da vida: podem ser momentos de excessivo cansaço, fraqueza existencial, momentos latentes ou não de depressão; ou o excesso de trabalho, a procura obsessiva de atividades que parecem justificar a própria existência, a fuga de todo espaço vazio ou sossegado de silêncio e de reflexão.
Este último sintoma; o excesso de trabalho; é hoje muito difundido;. Parece que uma pessoa só se sente valorizada quando pode ostentar uma agenda cheia, e não quando usa o tempo para aprender a contemplar, a fazer intervalos de introspecção, até mesmo para saber avaliar com alegria os passos dados na missão.
4. É bom lembrar que antes de ser presbítero é preciso ser cristão e antes de ser cristão, ser humano. Somente sobre fundamentos sólidos humanos se pode edificar o verdadeiro presbítero, pois este deverá ter condições de colocar a totalidade de sua vida sob o dinamismo do Espírito Santo. A capacidade de tomar decisão, de assumir a vida nas próprias mãos, confiando na presença permanente de Deus, faz parte do dinamismo do processo de maturação humana. Esta é construída a partir da tomada de posição pessoal e do relacionamento com os outros, na base do diálogo e do compartir a vida com os demais.
Por outro lado, esse processo, não pode ser tão indefinido, pois ele tem responsabilidades inadiáveis no exercício do ministério. Para isso, ele contará com a graça de seu estado ministerial e deverá estar aberto para, em comunhão com os irmãos de presbiterato e com os leigos com quem trabalha pastoralmente.
Conclusão: O presbítero deverá ter um senso profundo de realismo em relação a si mesmo, suas ambigüidades e potencialidades, e com a realidade que o cerca. Conhecer-se é fundamental no processo de auto-aceitação em vista da maturidade humana e espiritual. Só aplicamos a medicina correta quando detectamos com precisão onde estão nossos pontos fracos. Nada mais prejudicial nesse ponto do que a camuflagem do que se é, verdadeira e profundamente. Deixar aflorar o que somos, com nossas emoções e sentimentos, para resgatar tudo o que nos edifica e trabalhar o que nos destrói. A não-repressão do que se sente traz consigo a possibilidade de superação do que é negativo na pessoa e de redimensionamento das aspirações de um eu-ideal distanciado do que a pessoa realmente sente e quer, isto é, de seu eu-ideal. Podemos dizer que levamos essa riqueza de vida, contida na experiência dos presbíteros, parafraseando o apóstolo dos gentios, em vasos de barro, só assim os Presbíteros serão guias e protetores do rebanho.
Em homenagem aos Presbíteros da IPB/ 1º domingo de agosto de 2007, este é o vosso dia.
Soli Deo Glória

08 junho 2007

A RELEVÂNCIA DO JORNAL BRASIL PRESBITERIANA PARA A IPB



Em Homenagem ao aniversário do JBP


*Rev. Ashbell Simonton Rédua
asredua@yahoo.com.br


Fundado em 1958, resultante da fusão de dois outros jornais, O Norte Evangélico e o Puritano, com sua primeira edição publicada no dia 8 de junho de 1958, é o órgão oficial de comunicação da IPB. Administrado por uma Autarquia da IPB, a Rede Presbiteriana de Comunicação (RPC), que além do JBP, administra vários outros setores de Comunicação e Marketing da Igreja Presbiteriana do Brasil.
A data oficial de seu aniversário comemora-se a data de sua primeira edição. Homenageando o JBP, buscamos compreender a relevância do Jornal para a IPB. O JBP busca atingir, de forma subjacente, dois objetivos: qualidade e relevância. A qualidade refere-se ao âmbito interno da área na qual se desenvolve. Trata-se de sua profundidade, abrangência, da medida em que lança luz sobre diferentes assuntos, resolve problemas e desafios históricos. A relevância se relaciona com a aplicabilidade a áreas externas à do desenvolvimento das matérias e com sua importância para a Igreja Presbiteriana do Brasil.
Tanto a qualidade quanto a relevância são medidas de maneira imperfeita, e não poderia ser de outro modo, pois não existe uma maneira exata para se medir uma ou a outra. Portanto, toda medida é aproximada e podemos apenas indicar parâmetros que, de acordo com o bom senso, parecem bastante correlacionados com uma ou outra. Com isto nos referimos aos critérios que vêm de fora da área, já que uma relevância “interna” confundir-se-ia com o que denominamos “qualidade”. A correlação entre qualidade e relevância existe, mas não deve ser superestimada. Quase tudo o que tem muita qualidade acaba sendo relevante e, provavelmente, nada que não tenha qualidade terá alguma relevância. Mas existem notáveis exceções. O fato é que a relevância se julga a partir de um ponto de vista externo à área. Quando se julga relevância, o resultado é, via de regra, tem por resultado a publicação, o prêmio, ou a citação elogiosa.
A IPB encontra, no JBP, um canal direto de comunicação. Nele, são apontados problemas locais e regionais, e procuradas soluções a curto, médio e longo prazo. As perguntas e dúvidas que afligem as igrejas não ficam sem respostas. A equipe do jornal vai à busca da notícia. A Notícia vem fazendo, no geral, uma cobertura equilibrada, as resoluções do SC/IPB e da CE/IPB. Em alguns meses, apresentou mais matérias supérfluas, com pouco caráter informativo, as que fazem referências apenas aos aniversários de algumas igrejas, com fotos bastante antigas, que apresentam igrejas de “fundo de quintal”. Em outros, o material publicado sobre as igrejas reforçou o que realmente interessa a IPB, o que as Igrejas Presbiterianas estão fazendo.
Os recursos gráficos enriqueceram bastante o JBP, desde a sua criação, os editores vem tentando utilizar o novo meio como instrumento para conquistar e reter leitores presbiterianos. Mas, a despeito de um início promissor, todas as tentativas de conduzir leitores para jornais e revistas das sociedades internas têm falhado. O número de leitores decresce anualmente, comparando com o crescimento da IPB e cai também a receita dos anúncios – embora não na mesma proporção.
Habituados a editar o pensamento reformado para as igrejas filiadas a IPB , o JBP talvez esteja com dificuldade para retratar a múltiplas realidades que a nova complexidade religiosa nos expõe diariamente. Aliás, nos debates dos editores que sempre formaram a opinião teológica e social de um grupo da Igreja.
Vale a pena o ser relevante?
Vale, se tivermos ânimo para ultrapassar as fronteiras proibidas, fronteiras bloqueadas pela censura eclesiástica, pela ignorância, pela mentira. Vale, se tivermos os olhos bem atentos, para ver o delicado, o diferente, o invisível. É preciso coragem para se comprometer, para dizer o que se vê e o que se sente, sem medos nem manuais que alegram o coro dos contentes.

*Rev. Ashbell Simonton Rédua – Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbitério do Norte (Recife-PE), em 1989, Bacharel em Teologia com Especialização em Capelania, pelo Seminário Teológico Evangélico do Nordeste (Recife-PE), 1990, Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo (2006), Especialização em Bíblia pelo Centro de Pos-Graduação Andrew Jumper, Graduando em Direito pela Centro Universitário Plínio Leite, e Especializando em Direito Ambiental pela Universidade Gama Filho Currículo completo http://lattes.cnpq.br/9018318255138280

28 maio 2007

PASTORES MIRINS - O DESABAFO DE UM PASTOR


A Revista "O Globo", de hoje publica esta inclível material. A manchete é bem nítida "As crianças que pregam, dão conselhos, atendem desesperados e prometem cura. Conheça crianças que atuam como pstoras nas igrejas evangélicas do país".
A Revista "Família" do Estadão do Maranhão, também publica a mesma matéria. Ao ler a matéria acima finalmente me dei conta de que o termo "pastor" perdeu, por completo, seu conteúdo original. Ser pastor, pelo menos no Brasil, não significa mais ser pregador do Evangelho (Boas Novas) de Jesus Cristo. O significado de ser pastor é melhor nem falar.
Quero voltar a ser leigo! Voltar a ser servo uns dos outros. Não é atoa que a minha esposa sempre fala "éramos felizes e não sabiamos". Tenho que concordar, não há como refutar.
Por que a pressão pelo crescimento. Não tenho dúvidas que a igreja vai crescer. A história demonstra que não apenas igrejas evangélicas, mas também movimentos políticos e econômicos, bem como seitas de toda sorte usam regras semelhantes e prosperam.
Veja aonde chegou a banalização do evangelho! Há uma banalização constante da fé e da prática da vida cristã. Qualquer um é “conferencista”, ministro de música e louvor, gente medíocre é elevada a um panteão de gênio a qualquer pretexto. Na igreja hoje há uma busca insana de se aparecer, e isto é oportunidade para gente inescrupulosa que busca sacralizar e espiritualizar atitudes e modos.
Um antigo professor do Seminário, Rev. Walmir Soares já nos dizia: "geralmente os crentes tudo o que não presta dão à Deus". Eu não sei cantar, como é para a glória de Deus vou cantar". "Eu não sei pregar, como é para a glória de Deus eu vou pregar". "Eu não sei testemunhar, como é para a glória de Deus, eu vou testemunhar". Tudo o que não presta é para a glória de Deus.
É preciso mudar isto, não aquento mais esta banalização com o Evangelho, não suporto mais essa gente que saiu do mundo, mas não abandonou as práticas do mundo. Gente que se apresenta como “ungidos”, e que estão mais preocupados é com a arrecadação dos seus negócios que chamam de igrejas. Crianças inocentes, falando em nome de Deus, que verdadeiros espectros nas mãos desses líderes inescrupulosos que querem que outros façam aquilo que nem eles mesmos conseguem fazer.
Hoje, qualquer um se intitula pastor e tem a esperança não de ganhar muitas almas, mas, muito dinheiro e de ficar rico às custas dos bolsos alheios. Que saudades do tempo onde os homens entravam para o ministério por amor às almas e muitos terminaram suas vidas tão pobres quanto entraram, alguns dependendo da ajuda alheia para viver dignamente os seus últimos dias.Hoje uma igreja próspera não se mede pela quantidade de convertidos ou batizados e sim pelos milhões que tem no banco, e pela postura dos seus líderes. Líderes que estão mais preocupados em fazer política e em aparecerem para a mídia do que em realmente ser homens de Deus.Deus vai pedir conta a esses homens.
mas...
Ainda há pastores!...
Soli Deo Gloria

QUESTÕES ÉTICAS SOBRE OS PECADOS SOCIAIS

A visita do Papa, chefe do Estado Vaticano e Líder da Igreja Católica Romana ao Brasil produziu vários debates, envolvendo a igreja e a sociedade brasileira, tais côo educação sexual, a questão do ficar, aborto, casamento de homossexuais, uso de preservativo, preservação dos valores do matrimônio e da virgindade antes do casamento, e questões éticas como embriões e a eutanásia.
Os debates por serem polêmicos, polarizaram grande parte da população, sendo nítida as evidências de forças favoráveis e desfavoráveis ao pensamento da ICAR. Uma coisa é certa, a Igreja tornou-se o centro de assuntos relacionados aos seus interesses.
Apesar do Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fazer uma nítida separação entre o Estado Laico do Estado Brasileiro, o que fica claro no entanto é perceptível que a igreja quer ser ouvida em questões éticas e morais como estas, isto é, o país por ser católico, nesses debates devem ser evidenciado as questões de interesse da igreja, como se fosse um grande concílio.
As ações disciplinares ventiladas pelo Líder da ICAR, aponta a defesa da excomunhão aos políticos pró-aborto.
Na antiga Grécia, o aborto era preconizado por Aristóteles como método eficaz para limitar os nascimentos e manter estáveis as populações das cidades gregas.
Por sua vez, Platão opinava que o aborto deveria ser obrigatório, por motivos eugênicos, para as mulheres com mais de 40 anos e para preservar a pureza da raça dos guerreiros.
Sócrates aconselhava às parteiras, por sinal profissão de sua mãe, que facilitassem o aborto às mulheres que assim o desejassem.
Já Hipócrates, em seu juramento, assumiu o compromisso de não aplicar pressário em mulheres para provocar aborto.
O livro do Êxodo cita que, dentre o povo hebreus, era multado aquele homem que ferisse mulher grávida, fazendo-a abortar. Esse ato de violência obrigava aquele que ferisse a mulher a pagar uma multa ao marido desta, diante dos juízes; se, porém, a mulher viesse a morrer em consequência dos ferimentos recebidos aplicava-se ao culpado a pena de morte.
Ainda que a regra geral se voltasse para a severidade legal, que punia a mulher com o exílio ou com castigos corporais extremados, na prática imperava quase sempre a impunidade.
Com o advento do Cristianismo, entretanto, o aborto passou a ser definitivamente condenado, com base no mandamento "Não Matarás".
Essa posição é mantida até hoje pela Igreja Católica mas, ao contrário do que se possa pensar, ela não foi tão uniforme ao longo dos anos. O que de certo modo favoreceu o surgimento de questões éticas que tomaram outros rumos com os simpatizantes de outras posições que apoiariam mais tarde a Reforma Protestante do Séc XVI.
O que percebe-se em toda essa polêmica é que a Igreja Evangélica de tradição reformada precisa também ser ouvida sobre as questões levantadas. Embora as questões éticas estão sempre em evidências e posicionadas pela Igreja herdeira da Reforma Protestante.

Princípios norteadores da Igreja de origem Reformada
1. Quanto a Legalização do Aborto - Os Protestantes Reformados em sua maioria, são à favor da legalização do aborto em casos como estupro, mal formação do feto, ou quando a vida da mãe está comprovadamente ameaçada pela gestação, respeitando o princípio da Constituição Federal do Brasil, a preservação da vida materna. Caso contrário rejeita-a por ser contrário aos Princípios Bíblicos.
2. Quanto aos Métodos Anti-concepcionais - Os Reformados são à favor do uso de métodos anticoncepcionais como a camisinha (preservativo), a contracepção oral (pílula) e a vasectomia para o controle de natalidade, mas somente entre pessoas casadas.
3. Quanto ao Casamento - Para os reformados, o casamento entre um homem e uma mulher é sagrado, e o sexo só é permitido após o casamento. O casamento homossexual é rejeitado pelos reformados. Amam o pecador, e querem a sua restauração, porém rejeitam o pecado.
4. Quanto ao Namoro - Nossos jovens sofrem a influência da mídia que apregoa a sensualidade e a liberação dos impulsos, sem censuras como forma de atuação prazerosa e mais autêntica, mais satisfatória. Tal comportamento leva à promiscuidade sexual, com suas tristes conseqüências. Os jovens -homens e mulheres - principalmente os que querem levar Deus a sério em suas vidas, observam cuidadosamente, o que Ele diz em Sua Palavra, antes de envolver-se com alguém. É óbvio que o "ficar" não é uma prática para esses jovens. Devemos entender que ficar está carregado do senso do descartável que era próprio das garotas de programas é, hoje, vivenciado por muitos jovens e adolescentes.

Manifesto da Igreja Presbiteriana do Brasil

A Igreja Presbiteriana do Brasil, de herança genuinamente reformada manifesta:
“Quanto à prática do aborto, a Igreja Presbiteriana do Brasil reconhece que muitos problemas são causados pela prática clandestina de abortos, causando a morte de muitas mulheres jovens e adultas. Todavia, entende que a legalização do aborto não solucionará o problema, pois o mesmo é causado basicamente pela falta de educação adequada na área sexual, a exploração do turismo sexual, a falta de controle da natalidade, a banalização da vida, a decadência dos valores morais e a desvalorização do casamento e da família.”
[1]
“Quanto à chamada Lei da Homofobia, que parte do princípio que toda manifestação contrária à homossexualidade é homofóbica e caracteriza como crime essas manifestações, a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre a homossexualidade como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos.”[2]

Algumas considerações bíblicas

Em Romanos 1: 26-27, O Apostolo Paulo condena o ato sexual entre o mesmo sexo. Mas devemos entender o sentido teológico, o contexto da redação. O objetivo teológico da Carta aos Romanos é a narrar a justiça e a graça divina que foram reveladas pelo acontecimento Jesus Cristo. A carta enfatiza ainda o fato de que todos os seres humanos são pecadores, sem exceção. Isto é, os versículos de 1:26-27 devem ser interpretados a partir desse objetivo da epístola e esta carta não foi escrita para julgar a homossexualidade em si. Para Paulo o fato de não aceitar Deus como Deus, é a raiz do pecado e fala ser a pessoa [digna de morte] (1:32).
“Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não os enganeis: nem os imorais, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os afeminados, nem os homossexuais, nem os ladrões, nem os avaros, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes herdarão o reino de Deus.” (1 Cor 6:9-10).
“A lei não foi instituída para o justo, e sim para os transgressores e rebeldes, para os ímpios e pecadores, para os irreverentes e profanos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, para os imorais, homossexuais, seqüestradores, mentirosos, perjuros, e para qualquer outra coisa que é contrária a sã doutrina segundo o glorioso Evangelho do Deus bendito, que me foi encomendado.” (1 Tm 1:9-11).
Há duas palavras gregas que são traduzidas para estes pecados sociais. A primeira é arsenokoitai, a qual é traduzida para “homossexuais,” “sodomitas,” “violadores de crianças” ou “pervertidos”, e a segunda é malakoi, a qual é também traduzida como “efeminados”, “os afeminados” ou os “meninos prostitutos.” Entretanto devemos entender que estas palavras gregas são de difíceis de traduzir levando em conta o contexto das passagens acimas de Coríntios e Timóteo. Malakoi é uma palavra comum e significa “suave.” Pode referir-se a roupa (Mt 11:8) bem como a questões morais, como “falta de disciplina.” Já Arsenokoitai é uma palavra rara que se compõe de arseno – “homem,” e koitai – “cama”, e que significa “deitar-se ou ter sexo com”. Unindo arseno + koitai, a palavra significa “homens prostitutos”.
Soli Deo Glória

[1] Brasileiro, Roberto. Manifesto Presbiteriano com a respeito das leis sobre o aborto e a homofobia. http://www.ipb.org.br/noticias/noticia_inteligente.php3?id=808
[2] Idem Ilibem.

22 abril 2007

ESTOU FAZENDO A MINHA PARTE



*Rev. Ashbell Simonton Rédua
Esta é um argumento que ouvimos quase que diariamente, estou fazendo a minha parte.
Conta-se que ocorreu um incêndio em uma floresta. Todos os animais se afastaram velozmente do foco do incêndio; mas um Beija-Flor vinha em sentido contrário, trazendo no bico uma gota d’água. Os que fugiam lhe perguntaram para que serviria aquela gota d’água... Ele respondeu que era para ajudar a apagar o fogo. Os outros acharam graça e tentaram mostrar ao Beija-Flor que aquilo era impossível, mas ele exclamou “apenas estou fazendo a minha parte!”.
Quando relaciono este tema a vida eclesiástica ou mesmo na vida social brasileira, sinto um ar de individualismo e indiferença com relação a tudo que podemos fazer com seriedade e não fazemos, apenas faço a minha parte.
A nossa vida eclesiástica é uma religião de individualismo, que, ajunta o maior número de seguidores, quando ajunta, nos quais cada um individualmente defende seu ponto de vista frente aos outros com discursos divorciados dos ensinos das Escrituras Sagradas, acendendo um vela para Deus e outra para o Diabo.
“Esta doutrina põe sua ênfase sobre as ações e vontades do indivíduo em detrimento do grupo. Nada mais verdadeiro do que o que ocorre com a sociedade moderna.
Do ponto de vista filosófico, o individualismo salienta a pessoa, valoriza o indivíduo, e o aponta como a realidade mais essencial de todas as coisas, aquilo que se deve, sobretudo, valorizar, mostrando que o indivíduo é o valor mais elevado.
Ainda nesta linha de abordagem filosófica, o individualismo como doutrina procura explicar os fenômenos de qualquer categoria, sejam eles históricos ou sociais, à partir de pressupostos que mostram ações deliberadas de indivíduos em busca de sua concretização. Assim, para seus seguidores, a sociedade deve ter como objetivo principal, senão único, promover o bem, a satisfação de cada indivíduo que a compõe.
A doutrina do individualismo se expandiu de tal forma que contaminou o cristianismo, gerando uma sub-cultura cristã individualista que prega o relacionamento do indivíduo com Deus, numa busca piedosa, devocional, quase monástica, como o caminho da realização. Ela descarta qualquer ênfase social do Evangelho; desvalorizando a dimensão comunitária como algo de valor que deva ser buscada pelos cristãos.”
[1]
Tenho a impressão que quando alguém esta fazendo a minha parte, esta apenas indo a Igreja, participando de alguma atividade, seja ela coral ou um grupo musical, professor de EBD, pregação, canto, visitas, mas é apenas máscara do verdadeiro problema da irresponsabilidade cristã, falta de propósito. de viver o que realmente precisamos viver como Igreja do Senhor Jesus Cristo. “Tornamo-nos consumidores religiosos com todos os direitos que um consumidor tem. Ao invés de ser bênção, queremos receber bênçãos; usamos a igreja, a família e a sociedade para alimentar nossas ambições. Não somos mais agentes de transformação; viramos espectadores ingratos e exigentes. Ao invés de promover a prosperidade social, transformamo-nos em parasitas sociais, querendo cada vez mais e melhor para nós e não para os outros.”[2] Estou apenas fazendo a minha parte.
Essa forma de pensar nos empurra para o mundão porque a opção pessoal do estou fazer a minha parte, se incorpora do valor fundamental defendido pelo individualismo liberal, manifestando-se na sua máxima expressão ao transformar o fiel em consumidor. Ser fiel, de qualquer denominação religiosa, teria como princípio estar ligado a uma série de valores éticos, acreditar no sentido da vida, da felicidade, do além, na explicação última da existência humana, etc.. No mercado religioso, ao ser o fiel transformado em consumidor de bens religiosos, deixa de ser um crente ou fiel de uma instituição e de seus princípios, para se transformar num mero consumidor da religião, satisfazendo suas necessidades pessoais do tipo emocional, existencial ou econômico.
Estou fazendo a minha parte, estou fazendo o possível. Vou tentar ser um crente honesto, zeloso, dizimista e trabalhador para contribuir com a minha igreja.
Penso que não basta fazer a minha parte, ela não muda nada, não modifica a situação, não tem força contra as estruturas já estabelecidas.
Qual o poder de estou fazendo a minha parte contra o dono da Igreja, contra um grupo que açambarca em seu convívio a corrupção, a maledicência e as falcatruas que são desconhecidas pela Igreja e que são jogadas na mídia nacional. Não, ainda não temos forças e estruturas para lutar sozinhos, ser um “Rambo Religioso” capaz de resolver os problemas da igreja sozinho.
Preciso de comunhão que capacita-nos a estar em contato com Deus e com os homens. Comunhão que não está separada da vida; em vez disso, ela própria se traduz como a nossa própria vida. Sempre que não a seguimos ou que não nos submetamos a ela, ela para de fluir. Deste modo a comunhão entre nós e Deus é interrompida, e a comunhão entre nós e os santos também se vai. “É possível que você já tenha se perguntado sobre a relevância da fé em Deus, ou da Igreja para os dias de hoje, muitos continuam perguntando, dentro e fora do contexto cristão, e as respostas têm sido as mais variadas. Esta também é minha pergunta neste texto.
Estamos vivendo um momento repleto de possibilidades e riscos, onde começamos a fazer uma avaliação da nossa forma de ver e pensar o mundo. Este processo tem sido chamado de Pós-Modernidade, onde pouco a pouco vamos descobrindo que não estamos no controle de tudo, como imagina a mente moderna.”
[3]
Não basta apenas fazer a minha parte!...
Soli Deo Glória

[1]Soares, Josué Ebenézer de Sousa. FAMÍLIA 7 - A Família e o Avanço do Individualismo. Fonte: www.WebArtigos.com, Disponível em 22.04.2007
[2] Souza, Ricardo Barbosa. Aprenda a ser uma benção na vida dos outros. http://www.jornalasemana.com, disponível em 22.04.2007
[3] Machado, Ziel Jorge Oliveira. Desafios Contemporâneos ao Cristianismo. http://www.abub.org.br/1recursos/ziel%20machado.htm. Disponível em 22.04.2007


*Rev. Ashbell Simonton Rédua – Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbitério do Norte (Recife-PE), em 1989, Bacharel em Teologia com Especialização em Capelania, pelo Seminário Teológico Evangélico do Nordeste (Recife-PE), 1990, Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo (2006), Especialização em Bíblia pelo Centro de Pos-Graduação Andrew Jumper, Graduando em Direito pela Centro Universitário Plínio Leite, e Especializando em Direito Ambiental pela Universidade Gama Filho

13 abril 2007

O PASTOR E A OPINIÃO PÚBLICA DA IGREJA LOCAL

Você já percebeu que somos dirigidos pela opinião pública, não a nossa particular, não aquilo que pensamos de nós mesmos, mas a opinião as pessoas fazem de nós.
O pastor é um homem público, homem público é aquele que lida com uma sociedade, particularmente a comunidade religiosa local, regional ou quiçá a nacional, isto vai depender do seu campo de atuação pastoral.
Mas o que é a opinião pública da comunidade local?
Opinião pública local é o que geralmente se atribui à opinião geral de uma igreja local. Quando se diz, por exemplo: "A opinião pública da igreja local está pressionando o pastor", significa dizer que um conjunto de pessoas que compartilham propósitos, preocupações e costumes, idéias e que interagem entre si constituindo uma comunidade, a igreja
, expressa uma posição de pressão ao pastor e ao seu ministério. Neste caso podemos afirmar que o pastor também vive em função da opinião que as suas ovelhas estão pronunciando entre si a seu respeito.
É comum ouvirmos afirmações sobre pastores de outras comunidades, e geralmente estas opiniões não entristece tanto, mas quando nós somos os alvos destas opiniões, as nossas emoções tomam rumos diversos.
Quando uma comunidade local abre o processo de eleição pastoral isto torna-se mais evidente, as opiniões tomam dimensões as vezes causando danos irreparáveis. Danos irreparáveis são aqueles que não podem ser reversíveis (instabilidade emocional, pressão alta, disfunção metabólica, perca do apetite, etc).
Pode ser mera coincidência. Mas pode não ser. Tomando as últimas pesquisas de opinião, não há nada de surpreendente quando a Igreja caminha e pensa como pensa a nação. Quando uma instituição faz um pronunciamento com relação ao governo da sua rejeitabilidade ou não, o mesmo acontece na Igreja, com as mesmas características e os mesmos princípios.
A pesquisa de opinião divide a comunidade local, fazendo acepções de pessoas, isto é, os pastores são avaliados pelas perspectivas meramente humanas, principalmente relacionais, e dificilmente são evidenciado as qualidades de um servo de Deus, aquelas que estão elencadas em Timóteo e Tito. Não se dá credibilidade as horas de estudos do pastor, ah! para alguns isto é perda de tempo, comodidade. Oração, este também não tem sido levado em consideração, púlpito, nem se fala.
Todos aqueles que tem lutado para mudar a política eclesiástica e preservar o pastor das críticas acabam se desiludindo com a igreja e afastando dela. Do contrário, a política eclesiástica só pode mudar com um impeachment do pastor ou do conselho. Como nenhuma dessas coisas estão na nossa perspectiva, temos de apostar na possibilidade do pastor mudar e mais fácil do que o conselho mudar. Por isso, alguns preservam a sua vida e o seu ministério.
A opinião publica da igreja faz do pastor uma vítima, julga-o e condena-o. “Lamentável que com todas as lições da história, a "opinião pública" a igreja continue a acusar, julgar e condenar seus guias que a lei presume inocentes. Continuam a ganhar foros de justiça, essa manifestação irracional dos sentimentos de ocasião. A "opinião pública" permanece substituindo as leis e aos nossos concílios. É preciso levantar entre o culpado e os ardores da "opinião pública" uma barreira. Barreira que se identifica com a figura do bom crítico.”
[1]
A opinião pública religiosa, levou Jesus à Cruz, e hoje ela tem destruido muitos pastores e ministérios abençoados. Porém quando Jesus teve a oportunidade de expressar a sua opinião pública, rejeitou-a.
Quando foi apresentado a Jesus “a mulher adúltera”, os acusadores eram os conhecedores da legislação, que queriam a condenação para cumprimento da Lei inflexível.”
[2] Eram politicamente corretos. “Todavia, quando questionados sobre sua própria "ética" (não especificamente sobre a prática de adultério, mas sobre o cometimento de imoralidades em geral - "quem estiver sem pecado"), sentiram-se sem condições de insistir na acusação.”[3]
Devemos entender que a Igreja está acima da opinião pública, contribuindo para a estruturação de uma visão coletiva e comunitária.
A autenticidade da igreja não é movida pela opinião pública mas pela obediência e pela fé. Quanto mais vasto é o número dos crentes que aceitam a Igreja como comunidade unida, mais espontânea é a sua visão comunitária da verdade, inspiradora de comportamentos fazedores da história.
O enfraquecimento desta dimensão institucional da verdade, dá prioridade à pluralidade das diversas visões, ás correntes de pensamento, às modas de opinião. A “opinião pública” dilui-se, só captável por somatórios estatísticos de maneiras individuais de pensar, o que favorece o surgir de novas formas de dogmatismos de elites ideológicas ou outras, que têm tendência a impor as “verdades oficiais”, incapazes de integrar num dinamismo comunitário a vivência pessoal da verdade. Quando a Igreja deixa de ser a comunidade da verdade, sal e luz, o seu ministério é reduzido ao nível da opinião, perdendo a sua força inspiradora da evangelização e motivadora dos processos históricos.
Este é um fenômeno preocupante na mutação atual das igrejas locais. Dilui-se, progressivamente, a importância de um quadro culturalmente evangelístico, necessariamente plural, como força unificadora da história, o que origina o pragmatismo eficaz como objetivo e principal expressão. Nunca a igreja teve-se tão consciente de um direito fundamental da pessoa humana, a liberdade de pensamento e de opinião, mas perde-se, progressivamente, a perspectiva de pensar em comunidade, pois em nenhuma dimensão essencial do ser humano o individualismo pode ser a regra. Mas a multiplicidade das formas de pensar influencia muito relativamente a conduta religiosa, pois dificilmente traz crescimento e não há igreja sem crescimento.
Sempre ouço a “opinião pública” do meu rebanho, e algumas são motivadoras de desânimo, de tristeza e angústias, que incapacita-me a fazer mais do que posso, como alguns colegas de ministério tem compartilhado: “Simonton, as vezes tenho a vontade de chutar o pau da barraca”. Creio que o Senhor Jesus Cristo, humanamente pensando, o Apóstolo Paulo, tiveram também este mesmo sentimento, mas não fizeram, por amor a igreja. Cristo amou-a até o fim e deu a Sua vida por ela, Paulo igualmente, e nós também, porque não há como fugir do chamado vocacional de Deus para este tremendo ministério.
A minha maior preocupação fixa-se na necessidade de mudança da visão eclesiástica na qual impulsiona a agradar os homens e desagradar à Deus. Não importa a opinião que a Igreja faz de você, o que importa é a fidelidade à Deus, acima de todas as coisas, a consciência limpa de que não me dobrarei aos caprichos humanos e amei a igreja até o fim.
Soli Deo Glória.


[1] Moura, Sanderson. A "opinião pública", a justiça e o bom juiz!. http://www.ufac.br/informativos/ufac_imprensa/2005/04abr_2005/artigo2005.html, acessado em 12.04.2007.
[2] Marques, Luiz Guilherme. O "julgamento" da mulher adúltera e a humanização
[3] Idem, Ibidem.

04 abril 2007

O SEPULCRO VAZIO



Texto: Jo 20: 1-9

O Sepulcro vazio tem sido alvo de muitos debates, principalmente por aqueles que não crêem na ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Basicamente estamos acostumados a escutar os teólogos e Mestres Cristãos falando sobre o assunto e afirmando-o como base da nossa fé. Mas, nesse caso, por que os judeus não se tornaram cristãos? Será que a ressurreição de Cristo polarizou a humanidade entre aqueles que crê e os que não crê neste evento. Será que existe dentro do cristianismo estes dois grupos que estão separados ante o evento da ressurreição, um que reflete a atitude do discípulo amado, que viu e creu. E um outro, como Pedro, que ficou maravilhado com o acontecido, mas sem chegar às portas da fé? Qual foi, em definitivo, a causa que também mudou a atitude de Pedro até a fé? Somente a disposição dos panos, unicamente a ausência do cadáver? Será que a pedra de entrada, removida de forma abrupta?
Acreditamos que existe uma experiência que não podemos chamar de histórica porque é íntima e não compartilhada de forma sensível por todos como testemunhas. É a experiência mística da visão sobrenatural, nem por isso menos real e vívida que a experimentada pelos sentidos. Pelo contrário, deixa uma memória tanto menos extinguível quanto mais extraordinária e infreqϋente como ela é. Logicamente quem de antemão descarta o sobrenatural, tenderá a explicar o fenômeno em termos naturais de paranóia e histeria. Mas quando a visão é coletiva, e mais, quando responde a situações diferentes, com pessoas entre si independentes, como é o nosso caso, a explicação natural não é suficiente e constitui o único recurso de quem não quer admitir o sobrenatural. Têm ouvidos e não ouvem, têm olhos e não vêem (Mc 8: 18).
Cremos que as bases da ressurreição foram as experiências místicas dos discípulos que as tornaram testemunhas (Lc 1:2) de que Jesus Vivo é o Senhor. É o caso de Paulo que nem viu o túmulo, nem conhecia Jesus como os outros discípulos; mas que o viu e ouviu em Damasco (At 9: 4-7).
A ressurreição é a única explicação plausível para seu túmulo vazio.
O Evangelho de João anuncia a ressurreição de Jesus Cristo no primeiro dia da semana. Primeiro significa começo, início; a ressurreição é, portanto, o começo, o início de uma maneira nova de viver; ela é fato que acontece com o começo de um novo período de vida, portanto, traz uma perspectiva de começar de novo, de partir para algo novo. E este algo novo é iluminado pela vida nova que a ressurreição do Senhor traz e garante para os que querem segui-lo.
O que importa é o estar o túmulo vazio e, ao mesmo tempo, estar arrumado. O que importa é que a comunidade dos discípulos, representada pela mulher e pelos dois homens, acreditou na vida que o Deus ressurreto trouxe e traz!
E nós também cremos.
Aleluia! Jesus Vivo está!

08 março 2007

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Ashbell Simonton Rédua*
asredua@yahoo.com.br


Temos uma mania de estar sempre comemorando alguma coisa. Para não esquecer da existência de algo importante, nomeamos, determinamos, legislamos uma data que consagramos a determinado personagem ou evento.

Nos 30 anos que passei no Exército Brasileiro, comemorávamos muitas datas e personagens, tinha dia para quase tudo que está relacionado com a cidadania e os eventos brasileiros.
Hoje, como não podia ser diferente, comemoramos “O Dia Internacional da Mulher”. Até parece grande coisa, na verdade, a mulher não precisa de um dia específico, de uma data pré-estabelecida, o seu dia, são todos os dias, pois estão vivas e são atuantes independentemente de dia específico para elas. Isto é apenas “tampar o sol com a peneira” porque as mulheres sempre foram discriminadas nesta sociedade machista que vivemos, sempre estiveram em outros planos na escala de valores. E nós consagramos um dia para não lembrarmos da discriminação profissional, pois a mulher mesmo sendo competente, quando ocupa um cargo destino ao sexo masculino, a sua remuneração é muito aquém.
Eu admiro as mulheres, não quero ser como elas, mas seus exemplos, dedicação e senso de honestidade me faz vibrar o coração. Apesar de viver uma realidade dura, muitas vezes violentada fisicamente, emocionalmente, a mulher:
- Não perde o seu romantismo, sempre apaixonada;
- Transforma o dia-a-dia numa sucessão de novidades e descobertas;
- É persistente, não desiste dos seus sonhos;
- Como quando está enfraquecida mostra-se forte;
- É independente e lutadora;
- É capaz de transformar aquilo que se configura com erro em ganho e experiência;
- É vida, geradora de vida e é amor.
Nós homens por vezes não aceitamos estas qualidades e assim rotulamo-as de:
- Sexo frágil;
- Burra, principalmente as loiras.
- Acreditamos que a consciência feminina é de uma fragilizada.
- Em princípio não aceitamos a sua liderança;
Bem, eu não sou assim, é apenas o pensamento da maioria, neste caso, estou com a minoria. As mulheres foram feitas para serem amadas, não podemos usar as mulheres e amar as coisas.
“A mulher inteligente, deve fazer questão de ser tratada e considerada com um "vaso mais frágil", para ser tratada com respeito, com carinho, com amor, com cuidado,e é nesse momento que ela mostra a "força" que tem.
Ser forte, não significa gritar, para ser ouvida e para chamar, se isso pode ser feito com uma voz doce e carinhosa. Não precisa exigir para conseguir as coisas, se com um jeitinho especial pode pedir e ser atendida. Não precisa "medir forças", "enfrentar", pois a sua força está na persuasão. Não precisa se "armar" pensando que está numa guerra física, achando que é vergonhoso recuar, pensando que com essa atitude perdeu a batalha, porque às vezes para se ganhar uma guerra, é preciso recuar, se fortalecer para então avançar com mais força, mais segurança, mais convicção e então atingir o seu alvo e conseguir o seu objetivo e assim vencer.”[1]
Que o Senhor Deus abençoe as mulheres, pois vocês mulheres, são mulheres que surpreendem.
* Rev. Ashbell Simonton Rédua, é Teólogo e Bacharelando em Direito.

[1] Mamede, Sandra. 8 de março. Disponível http://www.portaldafamilia.org/datas/diadamulher/8demarco.shtml

O ESTIGMA DE SER FILHO(A) DE PASTOR

Rev. Ashbell Simonton Rédua*
Há algo errado em ser filho ou filha de pastor? Na busca das respostas mergulhei no site de relacionamentos “Orkut”, lendo os depoimentos que manifestam alegrias e tristezas de ser filho(a) de pastor.
Eu consigo entender um pouco da vida de um pastor, afinal sou pastor, filho de pastor e pai de um futuro pastor, porém tenho de admitir que há seus prós e contras.
Encontrei 81comunidades que falam do assunto. A maior delas com 5.947 membros, “Filhos de Pastores”,


Filhos de Pastores
5.947 membros
Essa comunidade foi feita especialmente para aqueles que sabem o que realmente é ser um filho de pastor...heheh a loucura que eh....q soh a gente entende....fala sério.. mas d boa..tamu ae pra tud ...

Há outras: “Filho(a) de Pastor


Eu sou filho de pastor
1.681 membros
Tópicos de propaganda, principalmente as obscenas ou indecentes serão deletados! VÃO CRIAR VERGONHA NA CARA MEU AMIGO!!!
*Os participantes da comunidade, por favor, me ajudem quando virem um t ...


Muitos dos depoimentos encontrados relatam aquilo que senti na própria pele, e, vejo os meus filhos passando pelas mesmas dificuldades, porém conheço aqueles que de alguma forma se acham no direito de exigir e até explorar essa turma. Isto relacionado com a cobrança que é realmente grande e que pouca ajuda. Precisamos entender que além de receber carinho, amizade e até amor, há ausência de um ombro amigo com quem possa compartilhar e desabafar.. Existe sim, uma terrível solidão, solidão dinâmica, que é a solidão em que estamos em meio as pessoas, convivendo com as pessoas, mas que não conseguem nos ouvir! Sei das lutas também no campo espiritual, acordar sentindo opressão, desespero, tristezas as vezes até sem motivo e sem saber a razão, é aquela sensação de vazio, nostálgico.
Algumas vezes eu e meus irmãos acordávamos a noite com os soluços de nosso pai que orava pedindo a misericórdia do Senhor, dias em que estava extremamente irritado e nem sabíamos por que, talvez nem mesmo ele soubesse.
Hoje tenho 48 anos e aprendi durante a minha vida de filho de pastor que o Senhor Jesus Cristo é o único que pode nos ajudar. A maior decepção que tive em minha vida foi quando descobri que meu pai era um ser humano além de pastor. Talvez porque de alguma forma isso é exigido também dos filhos de pastor, que não enxerguem a humanidade de seus pais. Se por um lado a decepção foi grande, a oportunidade foi maior, oportunidade de aprender o que significa ser filho de pastor, e isto foi maravilhoso! Olha que por causa dessas cobranças passei 9 anos com rancor no meu coração, inconformado por ser filho de Pastor, isto era um estigma, uma tatuagem, algo que marcava a minha vida, que me sufocava, que escasseava os meus dias. Claro que um dia eu e meu pai nos reconciliamos, porque descobri que Jesus também me perdoa e que papai não é diferente de mim, ele só era “pastor”, como também sou apenas “filho de pastor”, sem nome, sem endereço, sem personalidade, apenas filho de pastor. No início não foi fácil. Afinal a família do pastor é quase que pastor também, pelo menos é assim que a igreja nos vêem. As lutas eram nossas, as orações, as dificuldades também! Amo meu pai agora mais do que nunca, apesar da tremenda saudade que sinto do pai-pastor (in memoriam). Hoje oro pelos pais-pastores e pelos filhos-pastores, faço isto diariamente como homem, como pastor, como pai e como filho de Deus.
Alguns filhos de pastores da comunidade “Filhos de Pastores” escreveram:[*]

“As Vezes vuh... heueheueheu pq qualquer coisa q agente faz assim todo muundo fala o filho do pastor... heueheueheu ai vem a parte boa... Que Minha Familia é Abençoada Coberta Pelas Mãos De Deus... Atraves da Oração De Meu Pai,Minha Mãe...e tipow minha familia toda é De Deus, Vo, Primos, Tia todos Graças a Deus...”

“Eu gosto. Mas é difícil. Deve ser igual a mesma pressão de ser um 1º filho ou princípe/princesa. Tem que ter uma estrutura emocional, uma família amorosa. Uma igreja compreensiva. Adoro as bajulações. Os presentes. Detesto as fofocas. Pegação no pé... Mas no final, as coisas boas somam mais do que as ruins.”

“Não é facil, pois na verdade fazemos parte da ... família pastoral da igreja, e muitas das vezes as pessoas a nossa volta, não nos indetificam pelo que somos, mas pelo o que o "paistor" é...rs !”

“por um lado e ruim pq somos cobrados d+ todo mundo fala q agente tem q dar + exemplo tem pessoas q dentro da igreja num gostam de vc mas tirandu tudo issu e otimo ainda + tendo os pais q eu tenho mae e pai pastores heheh ”.

“Gosto muito ...pela certeza do chamado divino na vida do meu querido pai. Tenho orgulho de ser filha não só do "rótulo" Pr. mas de um autêntico homem de Deus!!!! Que tem entregue-se a seu ministério. E por seu exemplo, somos( eu ,minha irmã e meu irmão) hoje homens e mulheres de Deus, com a chama do evangélio e com a gana de viver no centro da vontade de Deus!!! Amém”

Há alguns site interessantes que nos anima, como por exemplo o “http://www.filhosdepastores.com.br/”, quem tem o objetivo de resgatar a estima, a dignidade dos filhos de pastores.
Há filhos de pastores extraordinários, destaco o “Enos Moura Filho”, homem de Deus, que aprendeu com o Pai as alegrias e as lutas de ser “Filho de Pastor”, o Wesley Simonton, que aprendeu com o avô e agora com o pai, estas mesmas sensações, a Emily Regly, jovem fiel, líder e compromissada com o reino de Deus.
A experiência do Rev,. Antonio Elias e da irmã Maria José é marcante, diz ela com relação aos seus filhos:
“Nos sempre valorizamos muito nossos filhos. No que diz respeito a igreja, a gente deixava muito claro que nossos filhos eram como qualquer criança, tinham defeitos, mas nos estávamos ao seu lado. Um dia, alguém se queixou de nossos filhos para meu marido, mas ele respondeu: "Olha, eu estou do lado dos meus filhos. Se vocês me aceitarem com meus filhos do jeito que eles são, estarei bem aqui; se não, podem me dispensar do trabalho da igreja". A cobrança sobre filhos de pastores e muito grande, coisas como: "Você e filho do pastor, não pode fazer isso". Muitas vezes, a igreja quer determinar a maneira como a família pastoral deve educar seus filhos. Nos enfrentamos este problema muitas vezes. Na época dos Beatles, um dos nossos filhos deixou o cabelo crescer- coisa própria da idade.” [†]
Não temos o direito de estigmatizar, rotular, nomenclaturar os filhos de pastores, devemos banir no nosso linguajar expressões como:
Filho de pastor é problemático”
Ou
“Filho de pastor, pecadorzinho é”
Ou
“Filho de pastor, não é pastorzinho”
Ou
... vocês sabem... como é mesmo que chamam o filho do pastor da sua igreja...ah... não sabe?

Ser filho de pastor é um privilégio, é algo tremendo, é ministério, é ter a oportunidade que muitos não possuem, acima de tudo é responsabilidade, é temor à Deus, é ver os milagres mais de perto, é ser testemunha de viver pela fé, testemunha ocular da fidelidade de Deus, e sentir este amor tão especial que Deus tem pela família do pastor.
Um filho de Pastor fiel e temente à Deus é sempre um referencial é abrigo no temporal.

Soli Deo Gloria

* Rev. Ashbell Simonton Rédua é pastor da Igreja Presbiteriana do Sinai em Niterói-RJ
[*] Tópico: Você gostar de ser filho de pastor?. Comunidade Filhos de Pastores. http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=538655
[†] Dutra, Marcelo. Unidos sob a Mão de Cristo. Disponível no site: http://www.gospel.org.br/familia_pastoral/index.cgi?codigo_texto=32

22 fevereiro 2007

Ambição Pastoral e Movimentos Modernos – Uma Parceria Perigosa

Rev Ashbell Simonton Rédua[1]

Há alguns anos através exercendo a relatória da Comissão de Doutrina de um dos concílios da IPB, deparamos com muitas reclamações e questionamento a respeito da estratégia denominada “Igrejas em Células”. Aquele período foi tremendo na minha vida. Após o Presbitério perder a maior igreja com todos os seus bens, tivemos de enfrentar a justiça civil para recuperar estes bens para a IPB. Ao final do processo, a Igreja estava desfalecida, desiludida, ferida por toda aquela situação que havia passado.
O tempo passou e apesar de muito decepcionado com o que se tornou nossa estrutura denominacional, sou PRESBITERIANO e zeloso na doutrina e convicto de nossos princípios os quais foram defendidos por nossos antepassados que morreram por defendendo nossos princípios de liberdade, democracia e autonomia. Alguns chamam isso de radicalismo, fundamentalismo ou qualquer outra coisa, mas creio que esses não conhecem nossa história, nem mesmo sabem porque são presbiterianos. Devemos saber o porquê de sermos presbiterianos e o porquê de não pertencermos a um outro grupo qualquer.
Meu zelo doutrinário não se mistura com preferência litúrgica, estilo de culto, com movimentos modernos (marcha para Jesus, Manifestação Social Religiosa, G12...) com flouxidão disciplinar.
Quando a doutrina é mudada também a Liturgia, o estilo de culto, o tipo de música, também são. Se caminham com a cultura do povo, nunca mais será uma igreja sólida, firme e comprometida com os princípios reformados.
Após iniciar o pastorado na Igreja Presbiteriana do Sinai, me deparei com a necessidade urgente de crescimento. Lembro-me apresentei um grande projeto, muito bem elaborado, perfeito, porém não funcionou. Mais tarde tendei alguns projetos de evangelização, envolvimento da igreja com missões, Igreja nas casas (não células), evangelização nas ruas, também não. Abrimos a visão para o envolvimento em projetos sociais. Inútil. Houve envolvimento da Igreja em oração e estudo Bíblico visando o crescimento, operação André, etc. Mas tem um movimento que chamou-nos atenção “40 dias com propósitos”, é, ficou apenas nos 40 dias. Hoje temos o movimento “Igrejas com propósitos”, será que este veio substituir a Igreja em Células que substituiu o G12.
Este ano nossa ênfase é na doutrina, resgatar a doutrina, estamos estudando na EBD o Catecismo de Westminster, O Panorama do Antigo e Novo Testamento e nas 5ª feiras a Confissão de Fé. Os crentes antigos avivaram as memórias daquilo que outrora aprenderam e os novos obterão novos ensinamentos.
Somos guiados por uma igreja que exige resultados e somos conhecidos se há resultados. E esses resultados tem de ser visíveis em todos os campos, mas principalmente no campo financeiro, crescimento número da membrezia. Se isto não acontece estamos desqualificado como servos do Senhor. Que padrão chulé!!
Tenho ouvido nossos pastores afirmarem:
“...Este tipo de ministério não está nos meus planos... estamos indo em direção a outro propósito!”
ou
“...esse ministério não se encaixa em ‘nossos’ propósitos”
ou
“... escola bíblica dominical é invenção de americano, ela não tem lugar na ‘igreja moderna com propósito’”
ou ainda,
“sociedade feminina era para uma estrutura tradicional... isto não funciona mais”,
ou
“a UPH está falida”
e ainda mais
“projetos de evangelismo são ineficientes... o evangelismo vai ser feito naturalmente nas células... o evangelismo deve ser feito somente com pessoas de seu convívio pessoal diário”.

Existem pastores apressados em acabar com EBD, sociedade feminina, grupos de evangelismo pessoal, etc. Tenho pena dessas pessoas. Elas não conhecem nem suas raízes históricas, por isso é fácil destruir aquilo de que não é parte. Se há um grupo entre nós presbiterianos que fez e tem feito uma grande obra, é a Sociedade Auxiliadora Femininas, “mulheres que surpreendem”. Às vezes chego a pensar que Deus ainda preserva nossa Igreja (ainda que cheia de erros, intrigas, política, escândalos, etc.) por amor dessas irmãs e de sua dedicação e sinceridade. Aproveito até para advertir tais pastores que atacar este ministério pode ser um risco muito grande para eles.
A EBD bem feita e com bom material é uma bênção. Sou membro titular da Junta de Educação Teológica da IPB, acostumado a conversar teologia e freqüentar nossos seminários de teologia, mas me sinto à vontade em discutir temas bíblicos diversos na EBD. Vivo no meio de ateus em ambientes acadêmicos, mas estou sempre pronto a responder sobre as razões da minha fé... aprendi isto em casa com meus pais e na EBD. Uma das razões no meu crescimento no conhecimento do Senhor Jesus Cristo se deu na EBD
Com relação a disciplina tenho ouvido pastores afirmar:
“Temos que ser tolerantes em algumas questões doutrinárias...”
ou
“unidade na adversidade”
ou ainda
“aquilo que nos une é maior do que aquilo que nos separa”:

Abrir mão do doutrinamento e dos ensinos dos apóstolos para manter pessoas de todos os tipos na igreja está longe de ser um modelo ideal. Uma construção sem alicerce está fadada ao desastre.
Não existe discipulado sem doutrinamento. O bom doutrinamento preserva o crente. O crente fica firme e enraizado, pronto para resistir aos ventos doutrinários. Nem nossos líderes denominacionais parecem entender isso. Não pode haver comunhão sem que haja o mesmo espírito e o mesmo pensamento. Como poderemos nos unir a igrejas renovadas se aqueles irmãos entendem que se não manifestamos algum efeito especial cinematográfico não possuímos o Espírito Santo?

“Temos que nos fazer de tudo para ganhar alguns...”.

O contexto de I Coríntios 9 está longe do convite ao estimulo à conformidade com o mundo. Para tornar a igreja mais atrativa (com a desculpa de "fazer-se fraco para os fracos...") igrejas vêm adotando festividades pagãs, práticas mundanas e fazendo vistas grossas ao pecado do crente. I Cor.9.20 – “Procedi, para com os Judeus, como Judeu, a fim de ganhar os Judeus...”. No entanto, quando Paulo precisava combater o erro dos judeus ele não poupava esforços (Gálatas 5.2). I Cor.. 9.22 – “Fiz-me fraco para com os fracos...”. No entanto não poupou os fracos e carnais crentes de Corinto de suas repreensões cheias de autoridade e fundamentadas com os ensinamentos de Cristo. Certamente se o Apóstolo Paulo estivesse vivo hoje, ele não poderia pregar em muitas de nossas igrejas... ele seria “muito radical” na visão de muitos. Da mesma forma, ele não conseguiria um cargo de liderança em nossa denominação, afinal de
contas, nossos “lemas denominacionais” seriam duramente combatidos por ele.

Atualmente em uma sucessão pastoral a filosofia usada é a seguinte: “denigro o ministério do outro para que o meu pareça melhor”. Tentar destruir o que foi feito no passado é errado, desonesto e covarde. Alguns pastores dedicam minutos preciosos de seus sermões e estudos para falar que determinados pastores, a maioria já falecida, não sabiam como fazer seu trabalho de pastoreio ou evangelismo. Em seguida, começam a levantar problemas e a avaliar numericamente seus resultados sem saber de suas lutas, perseguições e do contexto daqueles tempos passados. Isto ouvi a poucos dias de um Presbítero: “por causa do pastor fulano de tal o número de membros caiu e consequentemente a arrecadação financeira”. Trabalhar em prol da saída de tais pessoas do convívio e da comunhão da igreja, provocando o entristecimento profundo de tais irmãos, apagando suas alegrias do convívio com igreja, fazendo manobras para desmoralizá-los perante a igreja, promovendo situações constrangedoras, fomentando facções, denegrindo suas imagens, transformando a igreja em um lugar desagradável para eles, etc., não é a atitude de um homem separado para PASTOREAR ovelhas. O pastor deixa de levar as ovelhas a pastos verdejantes e começa a dar ração amarga. Criar dissensão (semear contenda entre os irmãos) é abominável perante Deus (Provérbios 6.16-19). Tais homens foram chamados para pastorear ou para matar ovelhas? Digo
isto pois estou assistindo exatamente isto acontecer em três grandes igrejas nossas.
Concluo exortando-o querido pastor: pastor tenha cuidado. Seu desejo de sucesso e crescimento pode estar acima do amor pelas almas as quais Deus separou para pastoreardes e apascentardes.
A igreja é um lugar de recarregamento de forças e não um lugar onde entramos e saímos deprimidos e desmotivados. Se o pastor não está agindo bem, ou se alguém tem problemas com ele, tente conversar. Seja sincero. Se isto não adiantar, o crente deve ir para outra igreja. Tenho dito: “não crie problemas e não se engaje em insurreições. Você pode cometer injustiças e Deus vai cobrar de você. Saia e deixe Deus cuidar do Pastor”. Deus tem feito isto.
Minha análise geral é que passamos por momentos difíceis. Os tempos são verdadeiramente maus. Vivemos tempos em que o servo é tentado a buscar um destaque dentro da denominação através de cargos e política, derrubando quem estiver em seu caminho. Seja fiel...lembra-te querido pastor do compromisso da ordenação, fidelidade aos princípios da Igreja Presbiteriana do Brasil, ao Ministério e acima de tudo à Deus.
Deus honra os seus escolhidos e os capacita para o Ministério.
Soli Deo Glória

Texto adaptado: Ferreira, Doneivan. Igrejas em Células e Pastores Ambiciosos- Uma Mistura Perigosa.
http://www.ibcambui.org.br/artigos/art48.pdf

[1] Rev. Ashbell Simonton Rédua, é pastor da Igreja Presbiteriana do Sinai, Secretário Executivo do Sínodo Leste Fluminense e membro da Junta de Educação Teológica da IPB, há agora é vovô também.

17 fevereiro 2007

PLANEJAMENTO ECLESIÁSTICO


Este ano ao iniciarmos o planejamento eclesiástico buscamos alguns princípios necessários para não cairmos no pragmatismo e no ativismo, duas correntes que tem destruído a dinâmica da Igreja. A Educação Teológica poderá ser um bom tema, mas há outras áreas também necessário na vida da Igreja.
Além da espiritualidade, dos princípios Bíblicos, teológicos, hermenêuticos e da Fé Reformada, algo me chamou atenção: “O bambu chinês”
O bambu chinês depois de ser plantado, pode trazer um desânimo sobre o agricultor, porque não se vê nada por aproximadamente 5 anos, exceto um lento desabrochar de um pequenino broto a partir do bulbo.
Durante 5 anos, todo o crescimento é invisível a olho nu, é subterrâneo, porém ele desenvolve uma maciça e fibrosa estrutura de raiz que se este verticalmente pela terra para sustentar o que virá finalmente na horizontalidade. Então, no final do 5º ano, o bambu chinês cresce até atingir a altura de 25 metros.
Quando penso na Igreja que pastoreio, penso no bambu chinês, que me ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos e de nossos sonhos. Em nosso trabalho pastoral e eclesiástico especificamente, que é um projeto fabuloso, que envolve mudanças de comportamento, de pensamento, de cultura e de sensibilidade, devemos sempre lembrar do bambu chinês para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão.
Na elaboração do meu projeto estratégico sigo três fases:


1ª fase - Definir a Filosofia do nosso grupo
Defino a filosofia e analiso o cenário no qual a igreja local está inserida e de forma que posso implantar e controlar as suas ações neste contexto comunitário. Assim preciso definir uma filosofia de trabalho: “a filosofia de vida da igreja e de seus membros são seus valores, princípios e visão de futuro – o que esperamos alcançar a médio e longo prazo e como fazer pra chegar lá”.
2 ª fase - A análise de Cenário
A análise de cenário, inicia-se quando o objetivo é definido. “Você realiza uma análise geral de cenário, tanto da parte interna – os recursos e talentos da igreja – como no ambiente externo – como aspectos econômicos, sociais, culturais e políticos da comunidade”. Com essas informações, terá um ótimo mapeamento para guiar as ações.


3 ª fase - Monitoramento do Trabalho Planejado
Após a análise da filosofia, dos valores, e dos princípios, há um plano de ação que deve ser monitorado. Com esses três aspectos, há um planejamento estratégico completo.
No entanto, alguns cuidados devem ser tomados durante esse processo:
1º) O primeiro é que o planejamento é compartilhado desde a criação:
Não pode ser imposto de cima para baixo. Se alguém não sentir que faz parte das tomadas de decisões, que aquele sonho não é seu, não adianta. A possibilidade de dar errado é maior. O planejamento deve ser compartilhado, deve ser construído por todos, pelas principais lideranças, por aqueles que têm envolvimento e por aqueles que têm o desejo de participar.


2º) Além disso, deve-se embasar o planejamento em bons valores:
A estratégia depende dos valores em que está fundamentada. Na igreja que pastoreio, depois de 3 anos, já conheço um pouco dos valores locais, tanto da igreja como da comunidade em si. E nos processos de mudança e adaptação são incluídos outros valores, como os valores da Reforma (seus princípios), do conhecimento Bíblico, da evangelização, da comunhão e do louvor.


3º) O monitoramento do Planejamento tem que receber atenção especial:
Após o início do trabalho a tendência é deixar que as coisas corram a vontade. Assim não há efetividade, porque muitos planos são bonitos, mas depois não há monitoramento, não há indicadores para monitorar se está no caminho certo. Isso é uma característica dos pastores brasileiro, nós precisamos acompanhar e supervisionar para alcançar o sucesso.

Conclusão
A cultura do planejamento ainda não é uma realidade em toda igreja, mas a cada dia ganha espaço. Esta mudança pode ser acelerada por atitudes como troca de experiências entre líderes e liderados, capacitação de liderança e valorização da comunicação interna da igreja, coisas que permitirão uma maior interação de cada membro das sociedades e departamentos internos da Igreja.