31 agosto 2007

APAIXONADOS POR JESUS: SÍNDROME DE UMA GERAÇÃO GENÉRICA

*Rev. Ashbell Simonton Rédua
A geração hodierna é uma geração de apaixonados por Jesus. A paixão é uma perda da consciência dos próprios limites da realidade. O que interessa é o momento e a felicidade desse momento, especialmente em se tratando do Louvor e Adoração, e não as qualidades vinculativas do Culto à Deus.
Aos apaixonados por Jesus é uma geração que vive no limbo teológico e ainda estão neles, isto é, alguém que participa do louvor até enjoar. Suponhamos que você adore ao Senhor e aqueles primeiros cultos é delicioso, “divino-maravilhoso”. Depois vem os outros que é supergostoso, depois de algum tempo é bom, mas chega o momento em que não há mais prazer. O que significa que a repetição do estímulo diminui a intensidade da resposta. Então, a adoração acabou. Mas o que a substitui? Será que de repente entra-se numa nova onda, quem sabe um “louvor extravagante”, algo fora do comum e o meu desejo e atraído para viver este estilo de vida nos momentos culticos de louvor e adoração. Infelizmente não. Há um entorpecimento espiritual. É como alguém que estivesse operando um aparelho com baterias fracas, produzindo apenas as mais frágeis fagulhas da espiritualidade.
Ser apaixonados por Jesus é apenas ser genérico, isto é faz parte de um gênero relativo a viver um estado puro, como se realmente fosse. Ser genérico é ser movido pela paixão, é levar-se a perder o controle de si próprio (Rm 12:1-2), ou seja, sempre há um real perigo de se ficar cego (cego guias de cego), de “perder a razão”, de sujeitar-se ao raciocínio direto, o que obriga o adorador a pensar no culto como objeto do adoração, e a fazer bobagens, a rastejar, se for preciso, a dançar, enfim a viver um frenesi de “vale tudo” para “preencher” a falta alucinado do verdadeiro Deus e Senhor na sua vida.
A geração de apaixonados por Jesus acreditam que a vida sem aquela paixão não vale a pena ser vivida (e isso nunca é verdade). É uma espécie de loucura, uma idéia fixa que destrói a auto-estima e o equilíbrio do apaixonado. Ela nos impede de enxergar os nossos defeitos e nos faz acreditar que esta forma de vida é a chave de nossa felicidade, isto a paixão é idealizadora.
Alguém poderia dizer: “Entendo que as músicas são lindas, estou emocionado, não mereço, pois ando com uma fome de adorar, ando com saudade de expressar-me, pois já não agüento mais ser apenas uma esponja, absorvendo e comendo o tradicionalismo que mata as nossas igrejas. Isto mesmo, ser apaixonado por Jesus me trouxe de volta a mais antiga lembrança do amor à Deus. Isto mesmo, esta geração de apaixonados trouxe de volta o “meu primeiro amor”.
Entendo que na Teologia há vários modelos de aplicação da paixão, como por exemplo quando nos reportamos “A paixão de Cristo”. Das várias interpretações da Paixão de Cristo, seu sacrifício cruento, sua morte vicária e a salvação do homem.
Pois bem, ser apaixonado por Jesus, não tem a mesma conotação da “Paixão de Cristo“, são circunstâncias e evidências bem diferentes teologicamente.
Entendo também que quem quer viver apaixonado por Jesus, vive em conflito, sofrimento, busca seus próprios interesses. Mas quem quer viver em amor pelo Senhor é alegre, é livre, produz, é um conquistador, aprende coisas novas para trocar lições de vida com outros irmãos. O amor incentiva a doação, ao perdão, sobre, não aponta os culpados por seu sofrimento, não acusa, não odeia. Se sente especial, torna sua vida mais alegre, mais interessante e torna também as dificuldades mais fáceis de serem superadas. São mais calmos, os apaixonados são muito agitados. Os que amam são mais calmos, serenos, tranquilho.
Há eu prefiro o padrão bíblico que é o amor. Amo os apaixonados por Jesus, e quero vê-los não apaixonados, mas amando o Senhor Jesus. Amando de todo o teu coração, não com um coração dividido, de todo o teu entendimento, racionalmente e de toda a tua força, e por causa desse amor, procure ser fiel ao Senhor e desfrutar constantemente da Sua presença, a maior de todas as presenças na nossa vida.
Soli Deo Glória

3 comentários:

João Pedro disse...

Olá, Rev. Simonton!
O sr não me conhece, mas há muito venho recebendo suas mensagens e artigos no meu e-mail, e sou profundamente edificado com elas!
Neste ano de 2007, estou trabalhando como Aspirante ao Sagrado Ministério e se tudo der certo, ingressarei em um seminário no próximo ano.
Quero parabenizá-lo pelo seu blog e mensagens! Estarei sempre por aqui!

Deus continue abençoando!

Fabio Medina Gomes disse...

Concordo.

A igreja anda cada vez mais "apaixonada", cada vez mais delirantemente fora da realidade. Cultos dotados de histerias, gente que rasteja no chão, como se isso fosse amar a Deus. Gerando membros com sérios problemas psicológicos.

É uma desconsiderção à Deus, que nunca ensinou isso. Além disso a Igreja, outrora uma instituição arrojada, como no início do Cristianismo e na luta de Martin Luter King, hoje se vê as voltas com pessoas lunáticas. Enquanto os crentes se encontram presos em seus próprios devaneios infrutíferos o mundo se vê sem respostas para questões importantes. O mundo se pergunta, o que é a vida e a igreja canta "estou apaixonado", "restitui, eu quero de volta o que é meu". O mundo anda perdido, sem noções nenhuma, sem sal nem luz. A igreja precisa se posicionar e não é só como instituição. Os crentes precisam viver a realidade e dizer como se resolve questões sérias na nossa sociedade. Precisamos, desde já, nos posicionar nas questões ambientais, por exemplo. Precisamos nos posicionar na luta contra a exploração infantil, muito frequente no nosso país. Existem lugares no Brasil onde a regra é que meninas com treze anos seja explorada sexualmente pelo pai e a igreja nada faz. Não falo só da questão da instituição fazer algo, mas de atitudes mais sérias dos crentes, como Pessoas Naturais.

Meu texto deve estar cheio de erro porque escrevi as presas mas é isso que penso.

Pr Afonso Celso de Oliveira disse...

Ola Simonton,

Me alinho ao teu pensamento. Acredito ser este tipo de comunidade um deboche contra a IPB. Infelizmente a gurizada tem confundido muito a liberdade com a libertinagem, e para eles, qualquer um que se oponha ao seu "modo de vida" deve ser queimado com os titulos com tom de carater pejorativo tipo "fundamentalistas" e "puritanos".
Creio que o Orkut é um espaço democratico para diversos tipos de opiniões e manifestações livres. O que surpreende não são em si as posições de A ou B, mas o fato de muitos se declararem presbiterianos e manifestarem uma conduta rebelde, soberba e debochada. Algo que não combina de forma alguma com a tradição cristã e, particularmente, presbiteriana.
Abraços meu irmão!