22 abril 2007

ESTOU FAZENDO A MINHA PARTE



*Rev. Ashbell Simonton Rédua
Esta é um argumento que ouvimos quase que diariamente, estou fazendo a minha parte.
Conta-se que ocorreu um incêndio em uma floresta. Todos os animais se afastaram velozmente do foco do incêndio; mas um Beija-Flor vinha em sentido contrário, trazendo no bico uma gota d’água. Os que fugiam lhe perguntaram para que serviria aquela gota d’água... Ele respondeu que era para ajudar a apagar o fogo. Os outros acharam graça e tentaram mostrar ao Beija-Flor que aquilo era impossível, mas ele exclamou “apenas estou fazendo a minha parte!”.
Quando relaciono este tema a vida eclesiástica ou mesmo na vida social brasileira, sinto um ar de individualismo e indiferença com relação a tudo que podemos fazer com seriedade e não fazemos, apenas faço a minha parte.
A nossa vida eclesiástica é uma religião de individualismo, que, ajunta o maior número de seguidores, quando ajunta, nos quais cada um individualmente defende seu ponto de vista frente aos outros com discursos divorciados dos ensinos das Escrituras Sagradas, acendendo um vela para Deus e outra para o Diabo.
“Esta doutrina põe sua ênfase sobre as ações e vontades do indivíduo em detrimento do grupo. Nada mais verdadeiro do que o que ocorre com a sociedade moderna.
Do ponto de vista filosófico, o individualismo salienta a pessoa, valoriza o indivíduo, e o aponta como a realidade mais essencial de todas as coisas, aquilo que se deve, sobretudo, valorizar, mostrando que o indivíduo é o valor mais elevado.
Ainda nesta linha de abordagem filosófica, o individualismo como doutrina procura explicar os fenômenos de qualquer categoria, sejam eles históricos ou sociais, à partir de pressupostos que mostram ações deliberadas de indivíduos em busca de sua concretização. Assim, para seus seguidores, a sociedade deve ter como objetivo principal, senão único, promover o bem, a satisfação de cada indivíduo que a compõe.
A doutrina do individualismo se expandiu de tal forma que contaminou o cristianismo, gerando uma sub-cultura cristã individualista que prega o relacionamento do indivíduo com Deus, numa busca piedosa, devocional, quase monástica, como o caminho da realização. Ela descarta qualquer ênfase social do Evangelho; desvalorizando a dimensão comunitária como algo de valor que deva ser buscada pelos cristãos.”
[1]
Tenho a impressão que quando alguém esta fazendo a minha parte, esta apenas indo a Igreja, participando de alguma atividade, seja ela coral ou um grupo musical, professor de EBD, pregação, canto, visitas, mas é apenas máscara do verdadeiro problema da irresponsabilidade cristã, falta de propósito. de viver o que realmente precisamos viver como Igreja do Senhor Jesus Cristo. “Tornamo-nos consumidores religiosos com todos os direitos que um consumidor tem. Ao invés de ser bênção, queremos receber bênçãos; usamos a igreja, a família e a sociedade para alimentar nossas ambições. Não somos mais agentes de transformação; viramos espectadores ingratos e exigentes. Ao invés de promover a prosperidade social, transformamo-nos em parasitas sociais, querendo cada vez mais e melhor para nós e não para os outros.”[2] Estou apenas fazendo a minha parte.
Essa forma de pensar nos empurra para o mundão porque a opção pessoal do estou fazer a minha parte, se incorpora do valor fundamental defendido pelo individualismo liberal, manifestando-se na sua máxima expressão ao transformar o fiel em consumidor. Ser fiel, de qualquer denominação religiosa, teria como princípio estar ligado a uma série de valores éticos, acreditar no sentido da vida, da felicidade, do além, na explicação última da existência humana, etc.. No mercado religioso, ao ser o fiel transformado em consumidor de bens religiosos, deixa de ser um crente ou fiel de uma instituição e de seus princípios, para se transformar num mero consumidor da religião, satisfazendo suas necessidades pessoais do tipo emocional, existencial ou econômico.
Estou fazendo a minha parte, estou fazendo o possível. Vou tentar ser um crente honesto, zeloso, dizimista e trabalhador para contribuir com a minha igreja.
Penso que não basta fazer a minha parte, ela não muda nada, não modifica a situação, não tem força contra as estruturas já estabelecidas.
Qual o poder de estou fazendo a minha parte contra o dono da Igreja, contra um grupo que açambarca em seu convívio a corrupção, a maledicência e as falcatruas que são desconhecidas pela Igreja e que são jogadas na mídia nacional. Não, ainda não temos forças e estruturas para lutar sozinhos, ser um “Rambo Religioso” capaz de resolver os problemas da igreja sozinho.
Preciso de comunhão que capacita-nos a estar em contato com Deus e com os homens. Comunhão que não está separada da vida; em vez disso, ela própria se traduz como a nossa própria vida. Sempre que não a seguimos ou que não nos submetamos a ela, ela para de fluir. Deste modo a comunhão entre nós e Deus é interrompida, e a comunhão entre nós e os santos também se vai. “É possível que você já tenha se perguntado sobre a relevância da fé em Deus, ou da Igreja para os dias de hoje, muitos continuam perguntando, dentro e fora do contexto cristão, e as respostas têm sido as mais variadas. Esta também é minha pergunta neste texto.
Estamos vivendo um momento repleto de possibilidades e riscos, onde começamos a fazer uma avaliação da nossa forma de ver e pensar o mundo. Este processo tem sido chamado de Pós-Modernidade, onde pouco a pouco vamos descobrindo que não estamos no controle de tudo, como imagina a mente moderna.”
[3]
Não basta apenas fazer a minha parte!...
Soli Deo Glória

[1]Soares, Josué Ebenézer de Sousa. FAMÍLIA 7 - A Família e o Avanço do Individualismo. Fonte: www.WebArtigos.com, Disponível em 22.04.2007
[2] Souza, Ricardo Barbosa. Aprenda a ser uma benção na vida dos outros. http://www.jornalasemana.com, disponível em 22.04.2007
[3] Machado, Ziel Jorge Oliveira. Desafios Contemporâneos ao Cristianismo. http://www.abub.org.br/1recursos/ziel%20machado.htm. Disponível em 22.04.2007


*Rev. Ashbell Simonton Rédua – Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbitério do Norte (Recife-PE), em 1989, Bacharel em Teologia com Especialização em Capelania, pelo Seminário Teológico Evangélico do Nordeste (Recife-PE), 1990, Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo (2006), Especialização em Bíblia pelo Centro de Pos-Graduação Andrew Jumper, Graduando em Direito pela Centro Universitário Plínio Leite, e Especializando em Direito Ambiental pela Universidade Gama Filho

13 abril 2007

O PASTOR E A OPINIÃO PÚBLICA DA IGREJA LOCAL

Você já percebeu que somos dirigidos pela opinião pública, não a nossa particular, não aquilo que pensamos de nós mesmos, mas a opinião as pessoas fazem de nós.
O pastor é um homem público, homem público é aquele que lida com uma sociedade, particularmente a comunidade religiosa local, regional ou quiçá a nacional, isto vai depender do seu campo de atuação pastoral.
Mas o que é a opinião pública da comunidade local?
Opinião pública local é o que geralmente se atribui à opinião geral de uma igreja local. Quando se diz, por exemplo: "A opinião pública da igreja local está pressionando o pastor", significa dizer que um conjunto de pessoas que compartilham propósitos, preocupações e costumes, idéias e que interagem entre si constituindo uma comunidade, a igreja
, expressa uma posição de pressão ao pastor e ao seu ministério. Neste caso podemos afirmar que o pastor também vive em função da opinião que as suas ovelhas estão pronunciando entre si a seu respeito.
É comum ouvirmos afirmações sobre pastores de outras comunidades, e geralmente estas opiniões não entristece tanto, mas quando nós somos os alvos destas opiniões, as nossas emoções tomam rumos diversos.
Quando uma comunidade local abre o processo de eleição pastoral isto torna-se mais evidente, as opiniões tomam dimensões as vezes causando danos irreparáveis. Danos irreparáveis são aqueles que não podem ser reversíveis (instabilidade emocional, pressão alta, disfunção metabólica, perca do apetite, etc).
Pode ser mera coincidência. Mas pode não ser. Tomando as últimas pesquisas de opinião, não há nada de surpreendente quando a Igreja caminha e pensa como pensa a nação. Quando uma instituição faz um pronunciamento com relação ao governo da sua rejeitabilidade ou não, o mesmo acontece na Igreja, com as mesmas características e os mesmos princípios.
A pesquisa de opinião divide a comunidade local, fazendo acepções de pessoas, isto é, os pastores são avaliados pelas perspectivas meramente humanas, principalmente relacionais, e dificilmente são evidenciado as qualidades de um servo de Deus, aquelas que estão elencadas em Timóteo e Tito. Não se dá credibilidade as horas de estudos do pastor, ah! para alguns isto é perda de tempo, comodidade. Oração, este também não tem sido levado em consideração, púlpito, nem se fala.
Todos aqueles que tem lutado para mudar a política eclesiástica e preservar o pastor das críticas acabam se desiludindo com a igreja e afastando dela. Do contrário, a política eclesiástica só pode mudar com um impeachment do pastor ou do conselho. Como nenhuma dessas coisas estão na nossa perspectiva, temos de apostar na possibilidade do pastor mudar e mais fácil do que o conselho mudar. Por isso, alguns preservam a sua vida e o seu ministério.
A opinião publica da igreja faz do pastor uma vítima, julga-o e condena-o. “Lamentável que com todas as lições da história, a "opinião pública" a igreja continue a acusar, julgar e condenar seus guias que a lei presume inocentes. Continuam a ganhar foros de justiça, essa manifestação irracional dos sentimentos de ocasião. A "opinião pública" permanece substituindo as leis e aos nossos concílios. É preciso levantar entre o culpado e os ardores da "opinião pública" uma barreira. Barreira que se identifica com a figura do bom crítico.”
[1]
A opinião pública religiosa, levou Jesus à Cruz, e hoje ela tem destruido muitos pastores e ministérios abençoados. Porém quando Jesus teve a oportunidade de expressar a sua opinião pública, rejeitou-a.
Quando foi apresentado a Jesus “a mulher adúltera”, os acusadores eram os conhecedores da legislação, que queriam a condenação para cumprimento da Lei inflexível.”
[2] Eram politicamente corretos. “Todavia, quando questionados sobre sua própria "ética" (não especificamente sobre a prática de adultério, mas sobre o cometimento de imoralidades em geral - "quem estiver sem pecado"), sentiram-se sem condições de insistir na acusação.”[3]
Devemos entender que a Igreja está acima da opinião pública, contribuindo para a estruturação de uma visão coletiva e comunitária.
A autenticidade da igreja não é movida pela opinião pública mas pela obediência e pela fé. Quanto mais vasto é o número dos crentes que aceitam a Igreja como comunidade unida, mais espontânea é a sua visão comunitária da verdade, inspiradora de comportamentos fazedores da história.
O enfraquecimento desta dimensão institucional da verdade, dá prioridade à pluralidade das diversas visões, ás correntes de pensamento, às modas de opinião. A “opinião pública” dilui-se, só captável por somatórios estatísticos de maneiras individuais de pensar, o que favorece o surgir de novas formas de dogmatismos de elites ideológicas ou outras, que têm tendência a impor as “verdades oficiais”, incapazes de integrar num dinamismo comunitário a vivência pessoal da verdade. Quando a Igreja deixa de ser a comunidade da verdade, sal e luz, o seu ministério é reduzido ao nível da opinião, perdendo a sua força inspiradora da evangelização e motivadora dos processos históricos.
Este é um fenômeno preocupante na mutação atual das igrejas locais. Dilui-se, progressivamente, a importância de um quadro culturalmente evangelístico, necessariamente plural, como força unificadora da história, o que origina o pragmatismo eficaz como objetivo e principal expressão. Nunca a igreja teve-se tão consciente de um direito fundamental da pessoa humana, a liberdade de pensamento e de opinião, mas perde-se, progressivamente, a perspectiva de pensar em comunidade, pois em nenhuma dimensão essencial do ser humano o individualismo pode ser a regra. Mas a multiplicidade das formas de pensar influencia muito relativamente a conduta religiosa, pois dificilmente traz crescimento e não há igreja sem crescimento.
Sempre ouço a “opinião pública” do meu rebanho, e algumas são motivadoras de desânimo, de tristeza e angústias, que incapacita-me a fazer mais do que posso, como alguns colegas de ministério tem compartilhado: “Simonton, as vezes tenho a vontade de chutar o pau da barraca”. Creio que o Senhor Jesus Cristo, humanamente pensando, o Apóstolo Paulo, tiveram também este mesmo sentimento, mas não fizeram, por amor a igreja. Cristo amou-a até o fim e deu a Sua vida por ela, Paulo igualmente, e nós também, porque não há como fugir do chamado vocacional de Deus para este tremendo ministério.
A minha maior preocupação fixa-se na necessidade de mudança da visão eclesiástica na qual impulsiona a agradar os homens e desagradar à Deus. Não importa a opinião que a Igreja faz de você, o que importa é a fidelidade à Deus, acima de todas as coisas, a consciência limpa de que não me dobrarei aos caprichos humanos e amei a igreja até o fim.
Soli Deo Glória.


[1] Moura, Sanderson. A "opinião pública", a justiça e o bom juiz!. http://www.ufac.br/informativos/ufac_imprensa/2005/04abr_2005/artigo2005.html, acessado em 12.04.2007.
[2] Marques, Luiz Guilherme. O "julgamento" da mulher adúltera e a humanização
[3] Idem, Ibidem.

04 abril 2007

O SEPULCRO VAZIO



Texto: Jo 20: 1-9

O Sepulcro vazio tem sido alvo de muitos debates, principalmente por aqueles que não crêem na ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Basicamente estamos acostumados a escutar os teólogos e Mestres Cristãos falando sobre o assunto e afirmando-o como base da nossa fé. Mas, nesse caso, por que os judeus não se tornaram cristãos? Será que a ressurreição de Cristo polarizou a humanidade entre aqueles que crê e os que não crê neste evento. Será que existe dentro do cristianismo estes dois grupos que estão separados ante o evento da ressurreição, um que reflete a atitude do discípulo amado, que viu e creu. E um outro, como Pedro, que ficou maravilhado com o acontecido, mas sem chegar às portas da fé? Qual foi, em definitivo, a causa que também mudou a atitude de Pedro até a fé? Somente a disposição dos panos, unicamente a ausência do cadáver? Será que a pedra de entrada, removida de forma abrupta?
Acreditamos que existe uma experiência que não podemos chamar de histórica porque é íntima e não compartilhada de forma sensível por todos como testemunhas. É a experiência mística da visão sobrenatural, nem por isso menos real e vívida que a experimentada pelos sentidos. Pelo contrário, deixa uma memória tanto menos extinguível quanto mais extraordinária e infreqϋente como ela é. Logicamente quem de antemão descarta o sobrenatural, tenderá a explicar o fenômeno em termos naturais de paranóia e histeria. Mas quando a visão é coletiva, e mais, quando responde a situações diferentes, com pessoas entre si independentes, como é o nosso caso, a explicação natural não é suficiente e constitui o único recurso de quem não quer admitir o sobrenatural. Têm ouvidos e não ouvem, têm olhos e não vêem (Mc 8: 18).
Cremos que as bases da ressurreição foram as experiências místicas dos discípulos que as tornaram testemunhas (Lc 1:2) de que Jesus Vivo é o Senhor. É o caso de Paulo que nem viu o túmulo, nem conhecia Jesus como os outros discípulos; mas que o viu e ouviu em Damasco (At 9: 4-7).
A ressurreição é a única explicação plausível para seu túmulo vazio.
O Evangelho de João anuncia a ressurreição de Jesus Cristo no primeiro dia da semana. Primeiro significa começo, início; a ressurreição é, portanto, o começo, o início de uma maneira nova de viver; ela é fato que acontece com o começo de um novo período de vida, portanto, traz uma perspectiva de começar de novo, de partir para algo novo. E este algo novo é iluminado pela vida nova que a ressurreição do Senhor traz e garante para os que querem segui-lo.
O que importa é o estar o túmulo vazio e, ao mesmo tempo, estar arrumado. O que importa é que a comunidade dos discípulos, representada pela mulher e pelos dois homens, acreditou na vida que o Deus ressurreto trouxe e traz!
E nós também cremos.
Aleluia! Jesus Vivo está!

08 março 2007

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Ashbell Simonton Rédua*
asredua@yahoo.com.br


Temos uma mania de estar sempre comemorando alguma coisa. Para não esquecer da existência de algo importante, nomeamos, determinamos, legislamos uma data que consagramos a determinado personagem ou evento.

Nos 30 anos que passei no Exército Brasileiro, comemorávamos muitas datas e personagens, tinha dia para quase tudo que está relacionado com a cidadania e os eventos brasileiros.
Hoje, como não podia ser diferente, comemoramos “O Dia Internacional da Mulher”. Até parece grande coisa, na verdade, a mulher não precisa de um dia específico, de uma data pré-estabelecida, o seu dia, são todos os dias, pois estão vivas e são atuantes independentemente de dia específico para elas. Isto é apenas “tampar o sol com a peneira” porque as mulheres sempre foram discriminadas nesta sociedade machista que vivemos, sempre estiveram em outros planos na escala de valores. E nós consagramos um dia para não lembrarmos da discriminação profissional, pois a mulher mesmo sendo competente, quando ocupa um cargo destino ao sexo masculino, a sua remuneração é muito aquém.
Eu admiro as mulheres, não quero ser como elas, mas seus exemplos, dedicação e senso de honestidade me faz vibrar o coração. Apesar de viver uma realidade dura, muitas vezes violentada fisicamente, emocionalmente, a mulher:
- Não perde o seu romantismo, sempre apaixonada;
- Transforma o dia-a-dia numa sucessão de novidades e descobertas;
- É persistente, não desiste dos seus sonhos;
- Como quando está enfraquecida mostra-se forte;
- É independente e lutadora;
- É capaz de transformar aquilo que se configura com erro em ganho e experiência;
- É vida, geradora de vida e é amor.
Nós homens por vezes não aceitamos estas qualidades e assim rotulamo-as de:
- Sexo frágil;
- Burra, principalmente as loiras.
- Acreditamos que a consciência feminina é de uma fragilizada.
- Em princípio não aceitamos a sua liderança;
Bem, eu não sou assim, é apenas o pensamento da maioria, neste caso, estou com a minoria. As mulheres foram feitas para serem amadas, não podemos usar as mulheres e amar as coisas.
“A mulher inteligente, deve fazer questão de ser tratada e considerada com um "vaso mais frágil", para ser tratada com respeito, com carinho, com amor, com cuidado,e é nesse momento que ela mostra a "força" que tem.
Ser forte, não significa gritar, para ser ouvida e para chamar, se isso pode ser feito com uma voz doce e carinhosa. Não precisa exigir para conseguir as coisas, se com um jeitinho especial pode pedir e ser atendida. Não precisa "medir forças", "enfrentar", pois a sua força está na persuasão. Não precisa se "armar" pensando que está numa guerra física, achando que é vergonhoso recuar, pensando que com essa atitude perdeu a batalha, porque às vezes para se ganhar uma guerra, é preciso recuar, se fortalecer para então avançar com mais força, mais segurança, mais convicção e então atingir o seu alvo e conseguir o seu objetivo e assim vencer.”[1]
Que o Senhor Deus abençoe as mulheres, pois vocês mulheres, são mulheres que surpreendem.
* Rev. Ashbell Simonton Rédua, é Teólogo e Bacharelando em Direito.

[1] Mamede, Sandra. 8 de março. Disponível http://www.portaldafamilia.org/datas/diadamulher/8demarco.shtml

O ESTIGMA DE SER FILHO(A) DE PASTOR

Rev. Ashbell Simonton Rédua*
Há algo errado em ser filho ou filha de pastor? Na busca das respostas mergulhei no site de relacionamentos “Orkut”, lendo os depoimentos que manifestam alegrias e tristezas de ser filho(a) de pastor.
Eu consigo entender um pouco da vida de um pastor, afinal sou pastor, filho de pastor e pai de um futuro pastor, porém tenho de admitir que há seus prós e contras.
Encontrei 81comunidades que falam do assunto. A maior delas com 5.947 membros, “Filhos de Pastores”,


Filhos de Pastores
5.947 membros
Essa comunidade foi feita especialmente para aqueles que sabem o que realmente é ser um filho de pastor...heheh a loucura que eh....q soh a gente entende....fala sério.. mas d boa..tamu ae pra tud ...

Há outras: “Filho(a) de Pastor


Eu sou filho de pastor
1.681 membros
Tópicos de propaganda, principalmente as obscenas ou indecentes serão deletados! VÃO CRIAR VERGONHA NA CARA MEU AMIGO!!!
*Os participantes da comunidade, por favor, me ajudem quando virem um t ...


Muitos dos depoimentos encontrados relatam aquilo que senti na própria pele, e, vejo os meus filhos passando pelas mesmas dificuldades, porém conheço aqueles que de alguma forma se acham no direito de exigir e até explorar essa turma. Isto relacionado com a cobrança que é realmente grande e que pouca ajuda. Precisamos entender que além de receber carinho, amizade e até amor, há ausência de um ombro amigo com quem possa compartilhar e desabafar.. Existe sim, uma terrível solidão, solidão dinâmica, que é a solidão em que estamos em meio as pessoas, convivendo com as pessoas, mas que não conseguem nos ouvir! Sei das lutas também no campo espiritual, acordar sentindo opressão, desespero, tristezas as vezes até sem motivo e sem saber a razão, é aquela sensação de vazio, nostálgico.
Algumas vezes eu e meus irmãos acordávamos a noite com os soluços de nosso pai que orava pedindo a misericórdia do Senhor, dias em que estava extremamente irritado e nem sabíamos por que, talvez nem mesmo ele soubesse.
Hoje tenho 48 anos e aprendi durante a minha vida de filho de pastor que o Senhor Jesus Cristo é o único que pode nos ajudar. A maior decepção que tive em minha vida foi quando descobri que meu pai era um ser humano além de pastor. Talvez porque de alguma forma isso é exigido também dos filhos de pastor, que não enxerguem a humanidade de seus pais. Se por um lado a decepção foi grande, a oportunidade foi maior, oportunidade de aprender o que significa ser filho de pastor, e isto foi maravilhoso! Olha que por causa dessas cobranças passei 9 anos com rancor no meu coração, inconformado por ser filho de Pastor, isto era um estigma, uma tatuagem, algo que marcava a minha vida, que me sufocava, que escasseava os meus dias. Claro que um dia eu e meu pai nos reconciliamos, porque descobri que Jesus também me perdoa e que papai não é diferente de mim, ele só era “pastor”, como também sou apenas “filho de pastor”, sem nome, sem endereço, sem personalidade, apenas filho de pastor. No início não foi fácil. Afinal a família do pastor é quase que pastor também, pelo menos é assim que a igreja nos vêem. As lutas eram nossas, as orações, as dificuldades também! Amo meu pai agora mais do que nunca, apesar da tremenda saudade que sinto do pai-pastor (in memoriam). Hoje oro pelos pais-pastores e pelos filhos-pastores, faço isto diariamente como homem, como pastor, como pai e como filho de Deus.
Alguns filhos de pastores da comunidade “Filhos de Pastores” escreveram:[*]

“As Vezes vuh... heueheueheu pq qualquer coisa q agente faz assim todo muundo fala o filho do pastor... heueheueheu ai vem a parte boa... Que Minha Familia é Abençoada Coberta Pelas Mãos De Deus... Atraves da Oração De Meu Pai,Minha Mãe...e tipow minha familia toda é De Deus, Vo, Primos, Tia todos Graças a Deus...”

“Eu gosto. Mas é difícil. Deve ser igual a mesma pressão de ser um 1º filho ou princípe/princesa. Tem que ter uma estrutura emocional, uma família amorosa. Uma igreja compreensiva. Adoro as bajulações. Os presentes. Detesto as fofocas. Pegação no pé... Mas no final, as coisas boas somam mais do que as ruins.”

“Não é facil, pois na verdade fazemos parte da ... família pastoral da igreja, e muitas das vezes as pessoas a nossa volta, não nos indetificam pelo que somos, mas pelo o que o "paistor" é...rs !”

“por um lado e ruim pq somos cobrados d+ todo mundo fala q agente tem q dar + exemplo tem pessoas q dentro da igreja num gostam de vc mas tirandu tudo issu e otimo ainda + tendo os pais q eu tenho mae e pai pastores heheh ”.

“Gosto muito ...pela certeza do chamado divino na vida do meu querido pai. Tenho orgulho de ser filha não só do "rótulo" Pr. mas de um autêntico homem de Deus!!!! Que tem entregue-se a seu ministério. E por seu exemplo, somos( eu ,minha irmã e meu irmão) hoje homens e mulheres de Deus, com a chama do evangélio e com a gana de viver no centro da vontade de Deus!!! Amém”

Há alguns site interessantes que nos anima, como por exemplo o “http://www.filhosdepastores.com.br/”, quem tem o objetivo de resgatar a estima, a dignidade dos filhos de pastores.
Há filhos de pastores extraordinários, destaco o “Enos Moura Filho”, homem de Deus, que aprendeu com o Pai as alegrias e as lutas de ser “Filho de Pastor”, o Wesley Simonton, que aprendeu com o avô e agora com o pai, estas mesmas sensações, a Emily Regly, jovem fiel, líder e compromissada com o reino de Deus.
A experiência do Rev,. Antonio Elias e da irmã Maria José é marcante, diz ela com relação aos seus filhos:
“Nos sempre valorizamos muito nossos filhos. No que diz respeito a igreja, a gente deixava muito claro que nossos filhos eram como qualquer criança, tinham defeitos, mas nos estávamos ao seu lado. Um dia, alguém se queixou de nossos filhos para meu marido, mas ele respondeu: "Olha, eu estou do lado dos meus filhos. Se vocês me aceitarem com meus filhos do jeito que eles são, estarei bem aqui; se não, podem me dispensar do trabalho da igreja". A cobrança sobre filhos de pastores e muito grande, coisas como: "Você e filho do pastor, não pode fazer isso". Muitas vezes, a igreja quer determinar a maneira como a família pastoral deve educar seus filhos. Nos enfrentamos este problema muitas vezes. Na época dos Beatles, um dos nossos filhos deixou o cabelo crescer- coisa própria da idade.” [†]
Não temos o direito de estigmatizar, rotular, nomenclaturar os filhos de pastores, devemos banir no nosso linguajar expressões como:
Filho de pastor é problemático”
Ou
“Filho de pastor, pecadorzinho é”
Ou
“Filho de pastor, não é pastorzinho”
Ou
... vocês sabem... como é mesmo que chamam o filho do pastor da sua igreja...ah... não sabe?

Ser filho de pastor é um privilégio, é algo tremendo, é ministério, é ter a oportunidade que muitos não possuem, acima de tudo é responsabilidade, é temor à Deus, é ver os milagres mais de perto, é ser testemunha de viver pela fé, testemunha ocular da fidelidade de Deus, e sentir este amor tão especial que Deus tem pela família do pastor.
Um filho de Pastor fiel e temente à Deus é sempre um referencial é abrigo no temporal.

Soli Deo Gloria

* Rev. Ashbell Simonton Rédua é pastor da Igreja Presbiteriana do Sinai em Niterói-RJ
[*] Tópico: Você gostar de ser filho de pastor?. Comunidade Filhos de Pastores. http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=538655
[†] Dutra, Marcelo. Unidos sob a Mão de Cristo. Disponível no site: http://www.gospel.org.br/familia_pastoral/index.cgi?codigo_texto=32

22 fevereiro 2007

Ambição Pastoral e Movimentos Modernos – Uma Parceria Perigosa

Rev Ashbell Simonton Rédua[1]

Há alguns anos através exercendo a relatória da Comissão de Doutrina de um dos concílios da IPB, deparamos com muitas reclamações e questionamento a respeito da estratégia denominada “Igrejas em Células”. Aquele período foi tremendo na minha vida. Após o Presbitério perder a maior igreja com todos os seus bens, tivemos de enfrentar a justiça civil para recuperar estes bens para a IPB. Ao final do processo, a Igreja estava desfalecida, desiludida, ferida por toda aquela situação que havia passado.
O tempo passou e apesar de muito decepcionado com o que se tornou nossa estrutura denominacional, sou PRESBITERIANO e zeloso na doutrina e convicto de nossos princípios os quais foram defendidos por nossos antepassados que morreram por defendendo nossos princípios de liberdade, democracia e autonomia. Alguns chamam isso de radicalismo, fundamentalismo ou qualquer outra coisa, mas creio que esses não conhecem nossa história, nem mesmo sabem porque são presbiterianos. Devemos saber o porquê de sermos presbiterianos e o porquê de não pertencermos a um outro grupo qualquer.
Meu zelo doutrinário não se mistura com preferência litúrgica, estilo de culto, com movimentos modernos (marcha para Jesus, Manifestação Social Religiosa, G12...) com flouxidão disciplinar.
Quando a doutrina é mudada também a Liturgia, o estilo de culto, o tipo de música, também são. Se caminham com a cultura do povo, nunca mais será uma igreja sólida, firme e comprometida com os princípios reformados.
Após iniciar o pastorado na Igreja Presbiteriana do Sinai, me deparei com a necessidade urgente de crescimento. Lembro-me apresentei um grande projeto, muito bem elaborado, perfeito, porém não funcionou. Mais tarde tendei alguns projetos de evangelização, envolvimento da igreja com missões, Igreja nas casas (não células), evangelização nas ruas, também não. Abrimos a visão para o envolvimento em projetos sociais. Inútil. Houve envolvimento da Igreja em oração e estudo Bíblico visando o crescimento, operação André, etc. Mas tem um movimento que chamou-nos atenção “40 dias com propósitos”, é, ficou apenas nos 40 dias. Hoje temos o movimento “Igrejas com propósitos”, será que este veio substituir a Igreja em Células que substituiu o G12.
Este ano nossa ênfase é na doutrina, resgatar a doutrina, estamos estudando na EBD o Catecismo de Westminster, O Panorama do Antigo e Novo Testamento e nas 5ª feiras a Confissão de Fé. Os crentes antigos avivaram as memórias daquilo que outrora aprenderam e os novos obterão novos ensinamentos.
Somos guiados por uma igreja que exige resultados e somos conhecidos se há resultados. E esses resultados tem de ser visíveis em todos os campos, mas principalmente no campo financeiro, crescimento número da membrezia. Se isto não acontece estamos desqualificado como servos do Senhor. Que padrão chulé!!
Tenho ouvido nossos pastores afirmarem:
“...Este tipo de ministério não está nos meus planos... estamos indo em direção a outro propósito!”
ou
“...esse ministério não se encaixa em ‘nossos’ propósitos”
ou
“... escola bíblica dominical é invenção de americano, ela não tem lugar na ‘igreja moderna com propósito’”
ou ainda,
“sociedade feminina era para uma estrutura tradicional... isto não funciona mais”,
ou
“a UPH está falida”
e ainda mais
“projetos de evangelismo são ineficientes... o evangelismo vai ser feito naturalmente nas células... o evangelismo deve ser feito somente com pessoas de seu convívio pessoal diário”.

Existem pastores apressados em acabar com EBD, sociedade feminina, grupos de evangelismo pessoal, etc. Tenho pena dessas pessoas. Elas não conhecem nem suas raízes históricas, por isso é fácil destruir aquilo de que não é parte. Se há um grupo entre nós presbiterianos que fez e tem feito uma grande obra, é a Sociedade Auxiliadora Femininas, “mulheres que surpreendem”. Às vezes chego a pensar que Deus ainda preserva nossa Igreja (ainda que cheia de erros, intrigas, política, escândalos, etc.) por amor dessas irmãs e de sua dedicação e sinceridade. Aproveito até para advertir tais pastores que atacar este ministério pode ser um risco muito grande para eles.
A EBD bem feita e com bom material é uma bênção. Sou membro titular da Junta de Educação Teológica da IPB, acostumado a conversar teologia e freqüentar nossos seminários de teologia, mas me sinto à vontade em discutir temas bíblicos diversos na EBD. Vivo no meio de ateus em ambientes acadêmicos, mas estou sempre pronto a responder sobre as razões da minha fé... aprendi isto em casa com meus pais e na EBD. Uma das razões no meu crescimento no conhecimento do Senhor Jesus Cristo se deu na EBD
Com relação a disciplina tenho ouvido pastores afirmar:
“Temos que ser tolerantes em algumas questões doutrinárias...”
ou
“unidade na adversidade”
ou ainda
“aquilo que nos une é maior do que aquilo que nos separa”:

Abrir mão do doutrinamento e dos ensinos dos apóstolos para manter pessoas de todos os tipos na igreja está longe de ser um modelo ideal. Uma construção sem alicerce está fadada ao desastre.
Não existe discipulado sem doutrinamento. O bom doutrinamento preserva o crente. O crente fica firme e enraizado, pronto para resistir aos ventos doutrinários. Nem nossos líderes denominacionais parecem entender isso. Não pode haver comunhão sem que haja o mesmo espírito e o mesmo pensamento. Como poderemos nos unir a igrejas renovadas se aqueles irmãos entendem que se não manifestamos algum efeito especial cinematográfico não possuímos o Espírito Santo?

“Temos que nos fazer de tudo para ganhar alguns...”.

O contexto de I Coríntios 9 está longe do convite ao estimulo à conformidade com o mundo. Para tornar a igreja mais atrativa (com a desculpa de "fazer-se fraco para os fracos...") igrejas vêm adotando festividades pagãs, práticas mundanas e fazendo vistas grossas ao pecado do crente. I Cor.9.20 – “Procedi, para com os Judeus, como Judeu, a fim de ganhar os Judeus...”. No entanto, quando Paulo precisava combater o erro dos judeus ele não poupava esforços (Gálatas 5.2). I Cor.. 9.22 – “Fiz-me fraco para com os fracos...”. No entanto não poupou os fracos e carnais crentes de Corinto de suas repreensões cheias de autoridade e fundamentadas com os ensinamentos de Cristo. Certamente se o Apóstolo Paulo estivesse vivo hoje, ele não poderia pregar em muitas de nossas igrejas... ele seria “muito radical” na visão de muitos. Da mesma forma, ele não conseguiria um cargo de liderança em nossa denominação, afinal de
contas, nossos “lemas denominacionais” seriam duramente combatidos por ele.

Atualmente em uma sucessão pastoral a filosofia usada é a seguinte: “denigro o ministério do outro para que o meu pareça melhor”. Tentar destruir o que foi feito no passado é errado, desonesto e covarde. Alguns pastores dedicam minutos preciosos de seus sermões e estudos para falar que determinados pastores, a maioria já falecida, não sabiam como fazer seu trabalho de pastoreio ou evangelismo. Em seguida, começam a levantar problemas e a avaliar numericamente seus resultados sem saber de suas lutas, perseguições e do contexto daqueles tempos passados. Isto ouvi a poucos dias de um Presbítero: “por causa do pastor fulano de tal o número de membros caiu e consequentemente a arrecadação financeira”. Trabalhar em prol da saída de tais pessoas do convívio e da comunhão da igreja, provocando o entristecimento profundo de tais irmãos, apagando suas alegrias do convívio com igreja, fazendo manobras para desmoralizá-los perante a igreja, promovendo situações constrangedoras, fomentando facções, denegrindo suas imagens, transformando a igreja em um lugar desagradável para eles, etc., não é a atitude de um homem separado para PASTOREAR ovelhas. O pastor deixa de levar as ovelhas a pastos verdejantes e começa a dar ração amarga. Criar dissensão (semear contenda entre os irmãos) é abominável perante Deus (Provérbios 6.16-19). Tais homens foram chamados para pastorear ou para matar ovelhas? Digo
isto pois estou assistindo exatamente isto acontecer em três grandes igrejas nossas.
Concluo exortando-o querido pastor: pastor tenha cuidado. Seu desejo de sucesso e crescimento pode estar acima do amor pelas almas as quais Deus separou para pastoreardes e apascentardes.
A igreja é um lugar de recarregamento de forças e não um lugar onde entramos e saímos deprimidos e desmotivados. Se o pastor não está agindo bem, ou se alguém tem problemas com ele, tente conversar. Seja sincero. Se isto não adiantar, o crente deve ir para outra igreja. Tenho dito: “não crie problemas e não se engaje em insurreições. Você pode cometer injustiças e Deus vai cobrar de você. Saia e deixe Deus cuidar do Pastor”. Deus tem feito isto.
Minha análise geral é que passamos por momentos difíceis. Os tempos são verdadeiramente maus. Vivemos tempos em que o servo é tentado a buscar um destaque dentro da denominação através de cargos e política, derrubando quem estiver em seu caminho. Seja fiel...lembra-te querido pastor do compromisso da ordenação, fidelidade aos princípios da Igreja Presbiteriana do Brasil, ao Ministério e acima de tudo à Deus.
Deus honra os seus escolhidos e os capacita para o Ministério.
Soli Deo Glória

Texto adaptado: Ferreira, Doneivan. Igrejas em Células e Pastores Ambiciosos- Uma Mistura Perigosa.
http://www.ibcambui.org.br/artigos/art48.pdf

[1] Rev. Ashbell Simonton Rédua, é pastor da Igreja Presbiteriana do Sinai, Secretário Executivo do Sínodo Leste Fluminense e membro da Junta de Educação Teológica da IPB, há agora é vovô também.

17 fevereiro 2007

PLANEJAMENTO ECLESIÁSTICO


Este ano ao iniciarmos o planejamento eclesiástico buscamos alguns princípios necessários para não cairmos no pragmatismo e no ativismo, duas correntes que tem destruído a dinâmica da Igreja. A Educação Teológica poderá ser um bom tema, mas há outras áreas também necessário na vida da Igreja.
Além da espiritualidade, dos princípios Bíblicos, teológicos, hermenêuticos e da Fé Reformada, algo me chamou atenção: “O bambu chinês”
O bambu chinês depois de ser plantado, pode trazer um desânimo sobre o agricultor, porque não se vê nada por aproximadamente 5 anos, exceto um lento desabrochar de um pequenino broto a partir do bulbo.
Durante 5 anos, todo o crescimento é invisível a olho nu, é subterrâneo, porém ele desenvolve uma maciça e fibrosa estrutura de raiz que se este verticalmente pela terra para sustentar o que virá finalmente na horizontalidade. Então, no final do 5º ano, o bambu chinês cresce até atingir a altura de 25 metros.
Quando penso na Igreja que pastoreio, penso no bambu chinês, que me ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos e de nossos sonhos. Em nosso trabalho pastoral e eclesiástico especificamente, que é um projeto fabuloso, que envolve mudanças de comportamento, de pensamento, de cultura e de sensibilidade, devemos sempre lembrar do bambu chinês para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão.
Na elaboração do meu projeto estratégico sigo três fases:


1ª fase - Definir a Filosofia do nosso grupo
Defino a filosofia e analiso o cenário no qual a igreja local está inserida e de forma que posso implantar e controlar as suas ações neste contexto comunitário. Assim preciso definir uma filosofia de trabalho: “a filosofia de vida da igreja e de seus membros são seus valores, princípios e visão de futuro – o que esperamos alcançar a médio e longo prazo e como fazer pra chegar lá”.
2 ª fase - A análise de Cenário
A análise de cenário, inicia-se quando o objetivo é definido. “Você realiza uma análise geral de cenário, tanto da parte interna – os recursos e talentos da igreja – como no ambiente externo – como aspectos econômicos, sociais, culturais e políticos da comunidade”. Com essas informações, terá um ótimo mapeamento para guiar as ações.


3 ª fase - Monitoramento do Trabalho Planejado
Após a análise da filosofia, dos valores, e dos princípios, há um plano de ação que deve ser monitorado. Com esses três aspectos, há um planejamento estratégico completo.
No entanto, alguns cuidados devem ser tomados durante esse processo:
1º) O primeiro é que o planejamento é compartilhado desde a criação:
Não pode ser imposto de cima para baixo. Se alguém não sentir que faz parte das tomadas de decisões, que aquele sonho não é seu, não adianta. A possibilidade de dar errado é maior. O planejamento deve ser compartilhado, deve ser construído por todos, pelas principais lideranças, por aqueles que têm envolvimento e por aqueles que têm o desejo de participar.


2º) Além disso, deve-se embasar o planejamento em bons valores:
A estratégia depende dos valores em que está fundamentada. Na igreja que pastoreio, depois de 3 anos, já conheço um pouco dos valores locais, tanto da igreja como da comunidade em si. E nos processos de mudança e adaptação são incluídos outros valores, como os valores da Reforma (seus princípios), do conhecimento Bíblico, da evangelização, da comunhão e do louvor.


3º) O monitoramento do Planejamento tem que receber atenção especial:
Após o início do trabalho a tendência é deixar que as coisas corram a vontade. Assim não há efetividade, porque muitos planos são bonitos, mas depois não há monitoramento, não há indicadores para monitorar se está no caminho certo. Isso é uma característica dos pastores brasileiro, nós precisamos acompanhar e supervisionar para alcançar o sucesso.

Conclusão
A cultura do planejamento ainda não é uma realidade em toda igreja, mas a cada dia ganha espaço. Esta mudança pode ser acelerada por atitudes como troca de experiências entre líderes e liderados, capacitação de liderança e valorização da comunicação interna da igreja, coisas que permitirão uma maior interação de cada membro das sociedades e departamentos internos da Igreja.

28 outubro 2006

Ecclesia reformata et semper reformanda est: 489 Anos de Reforma Protestante



Estaremos comemorando no próximo dia 31, 489 anos de Reforma Protestante. A Reforma não foi uma inovação, ao contrário, a igreja por tanto inovar, buscar novas formas de culto, nos princípios litúrgicos, na soteriologia, na eclesiologia, na Interpretação Bíblica, na ordenação, estava produzindo o distanciamento do cristianismo bíblico, puro e simples. A apostasia tomou conta da Igreja, e as heresias sucumbiram a verdade das Escrituras Sagradas.
A Reforma nada mais é do que retorno.
- Retorno a Palavra de Deus, a Bíblia não é apenas uma fonte da revelação de Deus ao homem, mas a única regra de fé e prática (Sola Scriptura).
- Retorno a Cristo, existe um único mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo. Ele é o único Salvador e Senhor e não há salvação em nenhum outro nome (Solo Christos).
- Retorno a Graça, “pela graça sois salvos”. A graça é um dom imerecido de Deus. Somos escolhidos por Deus para a salvação não por causa dos nossos méritos, mas por causa dos méritos do Senhor Jesus Cristo (Sola Gratia).
- Retorno a fé, a justificação é somente pela fé, independente das obras da lei. A base da salvação não é o esforço humano, mas o sacrifício substitutivo de Cristo na cruz, (Sola Fide).
- Retorno a Deus, toda a glória somente à Deus. Deus não reparte a sua glória com ninguém, (Soli Deo Gloria).
Não podemos esquercer de um princípio importante para nós hoje como Igreja Reformada: “Ecclesia reformata et semper reformanda est” (Igreja Reformada sempre se Reformando). É tempo de reforma, é tempo de retorno, neste século quando algumas igrejas estão descambando para o liberalismo teológico, negando a essência da fé, outros estão direcionando para o misticismo sincrético, praticando novidades tão estranhas as Escrituras Sagradas, adotando um outro evangelho, caindo no pragmatismo, querendo sucesso a todo o custo. Líderes seduzidos pela riqueza e glória pessoal. A Bíblia como regra de fé e prática, pura e simples tão enfatizada pelos reformadores, deu hoje o lugar a um evangelho eclético e sincretista, incorporando expressões e ensinos antibiblicos através dos ensinos e pregações proferidas em vários púlpitos de igrejas evangélicas. É fácil ouvir hoje uma ênfase muito grande de práticas, tais como: unção do riso, unção dos órgãos genitais para salvar o casamento, unção da galinha, unção da lagartixa, pessoas grudadas , com mãos e caras na parede, quebra de maldições hereditárias, mapeamento espiritual, revelações extrabíblicas, aura mística” em torno do número 12, oração forte, oração de poder, a visão celular que é uma espécie de panacéia para os males da Igreja, encostos, banhos de purificação, videntes evangélicos, profetas que cobram consultas espirituais, resultado pseudamente de “revelações do céu”.
Calvino, não utilizava instrumentos no Canto Congregacional, pois os instrumentos tem o poder de chamar para si a glória que pertence ao Senhor. Quando uma guitarra sola, uma bateria sobresai, neste momento deixamos de louvor e passa-se ao show. O Louvor transformou-se em apresentações, o grupo apresenta, o coral apresenta, a irmã ou o irmão apresenta, tudo glória humana. Vivemos um momento histórico em que os sentimentos pessoais justificam tudo, isto é hedonismo, “o amor é eterno enquanto dura”. Se eu gosto de um estilo, posso apresentá-lo a Deus, e Ele será obrigado a aceitá-lo. Se uma música ou letra me fazem sentir-me bem, então devo apresentá-los a Deus, porque me fazem feliz. Mas, se meu gosto e sentimentos não estão santificados, será que esta adoração me conduzira ao Senhor, ou apenas a mim mesmo? Afinal adoro e louvo a Deus ou a mim mesmo, meu gosto e meus sentimentos? Não será por isso que não se lê mais a Bíblia? Afinal ela não é uma leitura muito legal, não tenta ser popular nem agradar as pessoas.
Lutero pagou o preço, foi excomungado e condenado a morte. Para sobreviver viveu boa parte de sua vida escondido em um castelo. Somos salvos pela graça de Deus. Este é o evangelho de Jesus Cristo. Este é o evangelho da reforma. A igreja de hoje precisa buscar em Deus ousadia para defender e viver o evangelho tal que nos foi pregado no passado.
Igreja reformada sempre se reformando fala-nos do tradicionalismo criativo utiliza-se da tradição, não como autoridade final ou absoluta, mas como recurso importante colocado à nossa disposição pela providência de Deus, afim de nos ajudar a entender o que a Escritura está dizendo sobre quem é Deus, quem somos nós, o que é o mundo ao nosso redor, e o que fomos chamados para fazer aqui e agora. Precisamos descobrir a indispensabilidade do dogma sobre a igreja, os Reformadores sempre deram prioridade à verdade.
Ecclesia reformata et semper reformanda est.
Soli Deo Glória
Rev. Simonton

18 outubro 2006

MINHAS EXPECTATIVA COM RELAÇÃO AO NOVO PRESIDENTE DA REPÚBLICA, PRESTES A SE ELEGER


As urnas podem apontar no final do mês, dia 29, o vencedor da disputa do mais alto posto da hierarquia política do país, a Presidência da República, novos sonhos e esperança nasce no peito solitário do brasileiro. A continuidade do momento político ou as mudanças tantas vezes prometidas e geralmente não cumpridas.

Ah! O que espero do novo presidente da República?
Espero a promoção de políticas que proporcione o desenvolvimento da potencialidade de jovens como a criação de oportunidade de trabalhos com todos os direitos sociais garantidos, o livre a acesso do conhecimento destinados os recursos necessários.
Espero o respeito a diversidade cultural desses jovens garantindo educação e a saúde pública gratuita para todos e que erradica o analfabetismo mais sendo profissionais com compromisso para adquire um atendimento de qualidade.
Espero a retomada de investimentos e políticas públicas sociais com revisão da política efetivada dos últimos anos de redução dos recursos para a assistência social sobre a luta a favor das crianças, dos adolescentes, dos deficientes físicos, dos negros, das mulheres e dos índios. E que crie o órgão competente com pessoas que realmente conheçam as necessidade das classes sociais. Que desenvolva medidas eficazes para prevenção da deficiência para a viabilitação e a equalização dos objetivos de igualdades e participação plena das pessoas com deficiência na vida social e no desenvolvimento.
Espero que o novo presidente vá além da necessária, mais limitada, postura contra a injustiça sócio-cultural-raciais.
Quisera estar sonhado! Tenho medo de acordar e descobrir, depois das esperanças que despertou, sinal de que tudo está, sim, perdido.
O golpe dará certo.

Visite e deixe o seu recado:
Blog:
Igreja Presbiteriana do Sinai - http://igrejapresbiterianadosinai.blogspot.com/
Rev. Ashbell Simonton Rédua -
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Chegando a Niterói-RJ, venha nos visitar

23 setembro 2006

PRINCÍPIOS BÍBLICOS DO DÍZIMO


Rev. Ashbell Simonton Rédua
asredua@yahoo.com.br

O dízimo é um dos assuntos menos saborosos a um sem número de paladares. Todavia, é da vontade de Deus que ele seja proclamado entusiasticamente.
Muitas vezes, quer nos parecer que as exigências bíblicas são demasiadamente violentas para que as observemos, mas o exame dos fatos tem provado precisamente o contrário: Deus nos pede somente o razoável, que é possível.
É nossa convicção que Deus, sendo justo e perfeito, não é capaz de exigir o quer que seja de absurdo dos que o amam e o seguem. Disso temos prova sem conta.
Vivemos, é verdade, no período da Graça, iniciado com o advento de nosso Senhor Jesus Cristo. Na Graça, entretanto, há ordem, e até existe uma lei que não apenas regula esta matéria da contribuição para o sustento da causa, como todas as relações humanas, a lei do AMOR. Essa lei, cujo cumprimento é exigido de todos quanto estão na Graça, assim o dízimo e a preferência pelas ofertas voluntárias não pode ser relegada à plano inferior. Maior, mil vezes maior do que a lei é a Graça. Pôr isso mesmo, as manifestações desta terão que ser superiores às daquela. A lei manda andar uma milha, a Graça propõe andar duas milhas. A lei estende a mão ao amigo, a Graça constrange o amor pelos inimigos.
O dízimo é também um desafio à fé. Quem faz o desafio é Deus. E o faz prometendo abrir as janelas do céu e derramar bênçãos incontáveis, de tal maneira que se tornarão pequenos para contê-los os celeiros do servo fiel.
A idéia de que todo crente é obrigado a dizimar é grandemente nas igrejas evangélicas. A todo crente é ensinado o dever de dizimar.
O dízimo segue o princípio de voluntariedade, obrigatoriedade e proporcionalidade

1. PRINCÍPIO DA VOLUNTARIEDADE
Antes mesmo da Lei, podemos observar que o dízimo era tinha sido praticado de forma voluntária:
a) Em Gênesis 14:17-20: "E o rei de Sodoma saiu-lhe ao encontro (depois que voltou de ferir a Quedorlaomer e aos reis que estavam com ele) até ao Vale de Savé, que é o vale do rei. 18 E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo. 19 E abençoou-o, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; 20 E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.
Há algumas considerações deste texto: Não existe ordenança ou evidência de que dizimar foi ordenado por Deus. De fato, tudo no texto nos leva a crer que o dízimo foi, completamente, uma decisão voluntária de Abraão.
Este também é o único texto nas Escrituras que menciona Abraão dizimando, portanto não temos nenhuma evidência de que dizimar era uma prática habitual e constante na vida do povo. No caso de Abraão, o dízimo proveio do despojo da sua vitória militar.
b) Em Gênesis 28:20-22: E Jacó fez um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestes para vestir; 21 E eu em paz tornar à casa de meu pai, o SENHOR me será por Deus; 22 E esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo.
Este texto é uma resposta de Jacó ao voto que fez à Deus. Se Deus guardasse Sua promessa, ele, por sua vez, daria a Deus o dízimo. Tudo indica que houve liberalidade e voluntariedade da parte de Jacó. Se ele de fato começou a dizimar depois que Deus cumpriu a promessa que lhe fez, Jacó ainda adiou o dizimar por 20 anos.


2. PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE VOLUNTÁRIA
Há uma espécie de evolução no entendimento bíblico do dízimo, porém apesar que na Lei, ele se torna obrigatório, contudo não perde o seu caráter de voluntariedade. É obrigatório, mas é livre, é voluntário. Vejamos:

1º) Dízimo para o sustento dos Levitas - Em Levítico 27:30-33: "Também todas as dízimas do campo, da semente do campo, do fruto das árvores, são do SENHOR; santas são ao SENHOR. 31 Porém, se alguém das suas dízimas resgatar alguma coisa, acrescentará a sua quinta parte sobre ela. 32 No tocante a todas as dízimas do gado e do rebanho, tudo o que passar debaixo da vara, o dízimo será santo ao SENHOR. 33 Não se investigará entre o bom e o mau, nem o trocará; mas, se de alguma maneira o trocar, tanto um como o outro será santo; não serão resgatados."
O dízimo é descrito neste texto como parte do produto da terra, da semente do campo, do fruto das árvores, do gado, e do rebanho. Cada ano, depois da colheita, os israelitas traziam para os sacerdotes as décimas partes de suas colheitas e do aumento do rebanho
Em Números 18:21-24: E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo ministério que executam, o ministério da tenda da congregação. E nunca mais os filhos de Israel se chegarão à tenda da congregação, para que não levem sobre si o pecado e morram. Mas os levitas executarão o ministério da tenda da congregação, e eles levarão sobre si a sua iniqüidade; pelas vossas gerações estatuto perpétuo será; e no meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão, Porque os dízimos dos filhos de Israel, que oferecerem ao SENHOR em oferta alçada, tenho dado por herança aos levitas; porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão.
Neste texto o dízimo tem o caráter e o propósito bem definido no seu planejamento: ser o sustento dos levitas. Haja vista que estes não tinham herança na Terra Prometida, tal como a tinham as outras tribos, Deus fez provisão para o sustento deles através do dízimo das outras famílias de Israel. Por isso este princípio da obrigatoriedade é tão importante, e nisto podemos ver claramente registrado em Números 18:31: "E o comereis em todo o lugar, vós e as vossas famílias, porque vosso galardão é pelo vosso ministério na tenda da congregação." O dízimo foi a recompensa de Deus para suprir as necessidades materiais dos levitas, pelos seus serviços sacerdotais. Senão houvesse a obrigatoriedade não haveria sustento na casa do Senhor.

2º) Dízimos para as Festividades Religiosas - Em Deuteronômio 14:22-27: Certamente darás os dízimos de todo o fruto da tua semente, que cada ano se recolher do campo. E, perante o SENHOR teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao SENHOR teu Deus todos os dias. E quando o caminho te for tão comprido que os não possas levar, por estar longe de ti o lugar que escolher o SENHOR teu Deus para ali pôr o seu nome, quando o SENHOR teu Deus te tiver abençoado; Então vende-os, e ata o dinheiro na tua mão, e vai ao lugar que escolher o SENHOR teu Deus; E aquele dinheiro darás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, e por ovelhas, e por vinho, e por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; come-o ali perante o SENHOR teu Deus, e alegra-te, tu e a tua casa; Porém não desampararás o levita que está dentro das tuas portas; pois não tem parte nem herança contigo.
Ao compararmos este texto com o de Números 18:21 observaremos que há um desdobramento orçamentário no período da Lei para a utilização dos dízimos: o primeiro destinado ao sustento dos Levitas como já exposto acima; o segundo destinado as festas religiosas de Israel. Então este texto provê uma outra obrigatoriedade provinda do dízimo para ser usado nas festas religiosos de Israel, "O Dízimo para o Festival". O povo de Israel devia usar este dízimo para comer na presença do Senhor, em Jerusalém, o local que Ele escolheu para estabelecer Seu nome. O propósito era que o povo de Israel pudesse aprender a temer o Senhor e a regozijar ante Ele. Este "Dízimo Para o Festival" tornou possível ao povo de Israel ter toda a comida e bebida necessárias para que pudesse usufruir gozosamente das festas religiosas de Israel, e adorar ante o Senhor.

3º) Destinados aos cuidados dos Pobres - Deuteronômio 14:28-29: Ao fim de três anos tirarás todos os dízimos da tua colheita no mesmo ano, e os recolherás dentro das tuas portas; Então virá o levita (pois nem parte nem herança tem contigo), e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para que o SENHOR teu Deus te abençoe em toda a obra que as tuas mãos fizerem.
Aqui, somos ensinados mais um aspecto deste princípio de obrigatoriedade do dízimo que é coletado a cada três anos Este dízimo devia ser ajuntado nas aldeias. As pessoas de cada aldeia deviam trazer uma décima parte de suas colheitas e rebanhos e ajuntar tudo, para prover para os pobres da aldeia, incluindo os estrangeiros, os órfãos, e as viúvas.
Em muitos aspectos, parece que o dízimo exigido sob a Lei, o povo era responsabilizado por prover sustento, festividades e ação social.
Apesar que alguns textos sagrados evidencia mais a questão da obrigatoriedade, e compreensível nesta obrigatoriedade as exigências da Lei, como por exemplo em Neemias 12:44: Também no mesmo dia se nomearam homens sobre as câmaras, dos tesouros, das ofertas alçadas, das primícias, dos dízimos, para ajuntarem nelas, dos campos das cidades, as partes da lei para os sacerdotes e para os levitas; porque Judá estava alegre por causa dos sacerdotes e dos levitas que assistiam ali.
Com o relaxamento da voluntariedade, temos que entender que a situação exigiu os rigores da Lei, neste período da História de Israel, o dízimo perde a sua voluntariedade, sendo agora algo exigente, determinante na vida do povo como conseqüência do pecado da desobediência..
Estes dízimos já não eram voluntários como o foi nas vidas de Abraão, Jacó e dos primódios isrealitas. EmHebreus 7:5, lemos "E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão." O dízimo perde o seu caráter de voluntariedade, existindo apenas a obrigatoriedade do cumprimento da Lei. Dízimo agora é Lei..
Apóstolo Paulo na 2ª Carta aos Cor. 9:7, escreve o seguinte: “Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não pôr tristeza ou pôr necessidade, porque Deus ama ao que dá com alegria.” No ato de decisão, a opção a favor do dízimo ou das ofertas não depende, exclusivamente, daquele que decide, segundo a sua vontade soberana? Logo, todos os dizimistas o são voluntariamente e livremente, sem qualquer pressão coercitiva. Assim fez Jacó, na visão de Betel. Deus não exigiu coisa alguma dela. No entanto, ele deliberou ser dizimista pôr sua própria vontade. Foi um ato de incontestável voluntariedade, de acordo com o seu coração liberal, em plenitude de amor e gratidão ao seu Senhor.
Israel ao dizimar além da obrigatoriedade, havia a voluntariedade e suprir as necessidades espirituais e materiais da Casa do Senhor, das Festas ante o Senhor e do auxílio ao pobre, a viúva, ao órfão e ao estrangeiro. O texto de Malaquias 3:8-12, define o dízimo como algo tão contundente no relacionamento com o Senhor Deus,. O texto relaciona de modo claro e objetivo a base do dízimo (finalidade, o propósito), a promessa e as exigências. Lembro ao leitor, que toda promessa exige deveres com base na aliança que Deus faz conosco. A base do dízimo está na Aliança, isto é, a Aliança do Senhor é o fundamento do prática do dízimo, e nesta prática quando cumprimos as exigências. Deus promete abençoar-nos. Veja as promessas relacionadas pelo texto:a) abrirei janelas”: b) “derramarei bênçãos”; c) “Repreenderei o devorador”; d) “Não haverá esterilidade no campo”; e, e) “Serão chamados bem-aventurados”.
Esta obrigatoriedade é bem latente no Novo Testamento, apesar de que muitos não-dizimistas utilizam da argumentação de que o Novo Testamento não se pronunciou como algo obrigatório, evoco aqui o princípio da obrigatoriedade e voluntariedade, de forma bem simples para compreensão do leitor. Vejamos alguns textos neotestamentário:
Em Mateus 23.23: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas“. Neste texto o Senhor Jesus Cristo reafirma os princípios da voluntariedade e obrigatoriedade do dízimo, reafirmando sua necessidade, bem como denuncia a sua prática como demonstração de devoção exterior, isto porque não observando a base, a promessa e a exigência do dízimo, os fariseus substituíram os valores do reino, como a misericórdia, fé e justiça, pelo dízimo.
Em Hebreus 7. 1-10: Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão quando este regressava da matança dos reis, e o abençoou, a quem também Abraão separou o dízimo de tudo (sendo primeiramente, por interpretação do seu nome, rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz; sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas feito semelhante ao Filho de Deus), permanece sacerdote para sempre. Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu o dízimo dentre os melhores despojos. E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar os dízimos do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que estes também tenham saído dos lombos de Abraão; mas aquele cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e abençoou ao que tinha as promessas. Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior. E aqui certamente recebem dízimos homens que morrem; ali, porém, os recebe aquele de quem se testifica que vive. E, por assim dizer, por meio de Abraão, até Levi, que recebe dízimos, pagou dízimos, porquanto ele estava ainda nos lombos de seu pai quando Melquisedeque saiu ao encontro deste.“
“Eis as lições desse texto:
a) O Pai da fé deu dízimo de tudo - v. 2;
b) O pai da fé deu o dízimo do melhor - v. 4;
c) A entrega dos dízimos se deu não por pressão da lei, uma vez que o povo israelita ainda não existia e, portanto, muito menos a lei judaica - v. 6;
d) Hebreus nos faz perceber e reconhecer a superioridade do valor do dízimo que é dado a Cristo (imortal) em relação ao dado aos sacerdotes (mortais) - v.
8; e) O autor destaca que os que administram os dízimos também devem ser dizimistas - v. 9.”
[1]
No Novo Testamento podemos notar os mesmos propósitos do Antigo Testamento: Suprir, festejar e ajudar(ação social).. Paulo escrevendo aos Coríntios, defende o suprimento financeiro dos ministros do evangelho, e, a base de sua argumentação são os textos do Antigo Testamento se referem aos dízimos que supriam os sacerdotes (1Co 9:6-14). Segundo o apóstolo:
1) Havia apóstolos que não trabalhavam secularmente (v. 6).
2) Suprir os ministros era uma prescrição da lei (v. 8 e 9), (Nm 18).
3) No versículo 13, o texto traz uma referência direta do dízimo. Pois baseia seu apelo para o suprimento dos ministros da igreja, com base no mesmo princípio nos quais foram supridos os sacerdotes e levitas que tinham seu sustento garantido por Deus através dos dízimos (Nm 18:20-26).
4) Paulo direciona o direito natural dos sacerdotes e levitas aplicando-o também aos ministros do evangelho (vv. 10, 12 e 14).
Este é o plano de Deus para suprir as necessidades da Igreja na manutenção dos ministros de Deus, evangelistas e missionários, o dízimo. Assim foi durante a teocracia em Israel, também a manutenção do sacerdotes do Templo de Jerusalém, na época neotestamentaria e foi defendida pelo Apóstolo Paulo utilizando os mesmos princípios do Antigo Testamento. Haja vista que as Escrituras Sagradas não apresenta nenhum outro método de suprir as necessidades dos ministros do Evangelho, é lógico concluirmos que esse é um plano divino para suprir as necessidades da Igreja hoje também. Qualquer outro método assume a condição de uma criação meramente humana tentando substituir o plano de Deus.
O segundo propósito também é evidente no Novo testamento, as celebrações (festividades). Na Igreja Neotestamentária, as pessoas integram-se à comunidade cristã através de cerimônias de batismo e profissão de fé. Os cristãos se reúnem para o culto regular principalmente aos domingos. O culto consiste em vários rituais litúrgicos, tais como: orações, hinos, cânticos espirituais, leitura das Escrituras e sermões. O principal ritual é a celebração da Ceia, que consitia numa verdadeira refeição. Em I Cor 11: 20 “De sorte que quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor”. Atos 20:7 “No primeiro dia da semana, tendo-nos reunido a fim de partir o pão...”. A igreja se reunia para a Ceia do Senhor regularmente, e eles se reuniam para tomá-la.no primeiro dia da semana (Atos 2:42; Hebreus 10:25; 1 Coríntios 11:17,18,20), que também era o dia dedicado ao dízimo e as ofertasª. I Cor. 16:2, o Apóstolo Paulo faz esta recomendação: “No primeiro dia da semana, cada de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que se não façam as coletas quando eu chegar...” .
O propósito do dízimo, cuidar dos pobres, das viúvas, dos órfãos e estrangeiros, foi uma das preocupações da Igreja Neotestamentária.. “Em casos de necessidade, tal como aquela causada por severa fome na Judéia, as igrejas pobres receberam assistência financeira das congregações mais prósperas de outros lugares (Atos 11:27-30). É por isso que Paulo enviou instruções à igreja Coríntia (também mencionadas em Romanos 15:25-32) sobre as doações para ajudar os irmãos pobres de Jerusalém (1 Coríntios 16:1-4; 2 Coríntios 8).”
[2] Textos como de Atos 2:32-47 e outros, nos ajudam a entender esta preocupação com os pobres e necessitados de assistência, o qual só seria possível com a fidelidade nos dízimos.
Bem, o Novo Testamento não excluiu o dízimo, mas reafirmou utilizando dos mesmos princípios do Antigo Testamento.

3. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE METÓDICA
Para que possamos compreender este princípio, primeiro precisamos entender o que seja metodicidade, que é a base do princípio da proporcionalidade, isto é, a proporcionalidade depende da metodicidade. Na 1ª Carta aos Cor. 16:2, o Apóstolo Paulo faz esta recomendação: “No primeiro dia da semana, cada de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que se não façam as coletas quando eu chegar”. Note-se bem a primeira parte deste texto Sagrado. “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar”.
Como se pode ver, de acordo com os preceitos do Novo Testamento, o dízimo também tem de ser metódico. Ninguém pode fugir a este princípio bíblico, porque ele também é fundamentado na Nova Aliança. E não pode haver um processo mais prático e mais metódico do que o dízimo. Em primeiro lugar, notemos que Paulo determina o primeiro dia da semana - como o dia próprio para apresentação das contribuições. Em segundo lugar, o texto ensina que a contribuição é individual, e que deve ser posta à parte, na Igreja. Logo não se trata de coletas levantadas nas reuniões públicas em que os crentes colocam nas bandejas ou sacolas, quando encontram alguns níqueis na carteira, como se Deus lhes estivesse pedindo esmolas! Ainda Paulo afirma o dízimo deve-se processar de forma metódica e racional, não com desleixo e abandono.:
a. "no primeiro dia da semana",
b. "cada um de vós ponha de parte",
c. "o que puder ajuntar".
Como podemos observar, tudo obedece a um plano estabelecido por Deus. É um sistema perfeito em que há método e ordem. Paulo diz:: “Cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade”, isto é, proporcional à sua renda.
Segundo Solano Portela “Registros antigos, na Palavra de Deus, que antecedem a Lei Cerimonial e Judicial do Povo Judeu, mostram que dar dez por cento das posses, ou seja, o dízimo, era uma prática religiosa abraçada pelas pessoas tementes a Deus, como forma de adoração e reconhecimento de que nossos bens procedem da boa vontade de Deus. Nesse sentido, Abraão, quando deu o dízimo ao sacerdote do Deus altíssimo - Melquizedeque (Gênesis 14.18-20), estava exatamente dando extensão à sua compreensão de mordomia, demonstrando reconhecimento a Deus pelas bênçãos recebidas nesta vida. Assim, simbolicamente, testemunhava que tudo era de Deus.
Essa foi também a compreensão de Jacó (Gn 28.20-22) quando faz um voto a Deus. Ali, lemos: "Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo e me guardar neste caminho que vou seguindo, e me der pão para comer e vestes para vestir, de modo que eu volte em paz à casa de meu pai, e se o Senhor for o meu Deus, então esta pedra que tenho posto como coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo". Dentre os muitos textos encontrados na Bíblia sobre contribuições e, mais especificamente sobre o dízimo, este entrelaça o conceito de bênçãos materiais advindas de Deus, com o reconhecimento da oferta proporcional como adoração e expressão da nossa mordomia. Jacó estava em uma jornada, comissionado por seu pai, Isaque, para encontrar uma esposa (28.1,2). Após haver sonhado (28.10-15) com a presença de Deus, no qual ele lhe promete proteção, acompanhamento e a formação de uma descendência, Jacó se atemoriza (28.16) e ergue um memorial a Deus (28.18-19).
O ensinamento é, mais uma vez muito claro. É óbvio que Paulo espera uma contribuição sistemática, pois ele diz que ela deveria ser realizada aos domingos (no primeiro dia da semana), que é quando os cristãos se reuniam. O trecho é muito rico em instrução, demonstrando até a propriedade de reunião e culto aos domingos, contra até alguns setores do neo-pentecostalismo contemporâneo, que insistem que deve-se continuar guardando o sábado, o sétimo dia da semana.
Mas o ponto que chama a nossa atenção, é o fato de que Paulo ensina que a contribuição deve ser conforme Deus permitir que se prospere, ou seja, conforme os ganhos de cada um. Essa é a grande forma eqüitativa apontada por Deus: as contribuições devem ser proporcionais, ou seja um percentual dos ganhos. Assim, todos contribuem igualmente, não em valor, mas em percentual.
Verificamos que é possível se inventar um percentual qualquer. Talvez isso fosse possível se nunca tivéssemos tido acesso ao restante da Bíblia, mas o percentual que o próprio Deus confirmou e registrou: dez por cento dos ganhos individuais, é por demais conhecido! Isso parece satisfatório e óbvio. Não é preciso se sair procurando por outro meio e forma de contribuição. Se isso for feito, pode-se até dizer, "eu contribuo sistematicamente com o percentual que eu escolhi", mas nunca será possível dizer que isso é feito em paridade e justiça com as outras pessoas. Quem vai garantir que o percentual do outro é igual ao meu? Essa aleatoriedade destruiria o próprio ensinamento da proporcionalidade que Deus ensina através de Paulo. A grande pergunta que tem que ser respondida é essa: "Se Deus já estabeleceu, no passado, uma forma de porporcionalidade, “
[3]

CONCLUSÃO:

Ser dizimista não é somente uma oportunidade de mostrar a nossa fidelidade e compromisso para com Deus, mas também é um princípio de Louvor e Adoração. Dele provém exigências que cumpridas proporcionarão ao homem bênçãos oriundas das promessas divinas. Se praticarmos este ensinamento, de forma correta, festejando com a família, amparando os necessitados e sustentando a Igreja com a parte que lhe cabe, o número de dizimistas vai quadruplicar e a velha rejeição, da sociedade brasileira às igrejas protestantes, vai desaparecer. A verdade, ainda que complexa, deve ser esclarecida e praticada sempre e sempre, só ela produz resultados realmente positivos e engrandece o Reino de Deus desenvolvendo toda a sociedade.
Soli Deo Gloria
Rev. Simonton
Notas:
[1] Lopes, Hernandes Dias. As razões dos não-dizimistas http://www.hernandesdiaslopes.com.br/index.php?area=sermoes&acao=ler&article=27, acessado em 22.09.2006

[2] Allan, Dennis. A Bíblia fala sobre Igreja e dinheiro. http://www.melodia.com.br/pages/dinamico.php?id_canal=8&id_texto=1257&acao=materia, acessado em 22.09.2006
[3] Portela, Solano. Mordomia. http://www.solanoportela.net/artigos/mordomia.htm, acessado em 22.09.2006
*Rev. Ashbell Simonton Rédua, é pastor da Igreja Presbiteriana do Sinai, em Niterói-RJ. Vindo a Niterói,RJ, visite a Igreja Presbiteriana do Sinai
Blog: revsimonton.blogspot.com

21 setembro 2006

A EFICÁCIA DA EVANGELIZAÇÃO ATRAVÉS DO FOLHETO


Domingo passado, foi um dia muito especial na Escola Dominical da nossa Igreja. Era o dia da EBD, assim resolvemos transforma-la em um dia memorável, inesquecível, e para que isto ocorresse, suspendemos o Estudo Bíblico Dominical e deslocamos o horário do culto das 09h00 para as 10h00. Assim a igreja reunião depois de orar, e ouvir uma breve instrução, saiu pelas ruas, becos, bares, lojas, padarias da redondeza evangelizando. Distribuindo folhetos e convidando o povo para o Culto de Evangelização às 10h00.Eu creio na eficácia e eficiência da Evangelização através de folhetos evangelísticos, não somente pelas experiências vividas nos meus 48 anos de idade, mas daquilo que recebi do meu pai, que por sinal foi um grande evangelista. Mas algo soou diferente neste domingo, as experiências foram inúmeras, tanto aquelas vividas por vários adultos como daquelas vividas pelas nossas crianças. Duas crianças saíram comigo e um jovem. Eu pude observar à alegria deles, quando entregavam um folheto e eram bem recebidos por aqueles que eram alvos de nossa busca. Alguns irmãos ficaram na igreja orando, intercedendo pelo trabalho daqueles que estavam na rua. Talvez alguém pensa que esta é uma tarefa ultrapassada, e atualmente este método de evangelização não funciona mais. Bem, não posso pensar assim, ainda sou do tipo que crer nesta estratégia, e, por isso temos praticado este antigo, porém eficiente método em nossa igreja. “Gouthamlal odiava crentes. Ele os odiava tanto que não permitia que compartilhassem sua fé com ele. Quando repetiu de ano no ensino médio, ficou temeroso e sentiu-se um fracassado. Durante esse tempo, ouvir história sobre crentes deixava-o ainda mais bravo. Certo dia sua mãe recebeu um folheto evangelístico enquanto fazia compras. Mas ela era analfabeta. Curiosa para saber o que estava escrito naquele pequeno pedaço de papel, o entregou a Gouthamlal. “Será que ele poderia lhe falar o que o papel dizia?”, ela pensou. Mas ao invés de ler o folheto para ela, Gouthamlal deu uma olhada nele, e, irritado, disse a ela que se tratava de uma religião não-importante para ele. Desapontada por não poder descobrir o que estava escrito naquele pedaço de papel, sua mãe escondeu-o em um saco cheio de livros. O tempo passou. Então, um dia, ainda desiludido com a vida, Gouthamlal descobriu o folheto enquanto folheava alguns livros. O folheto estava empoeirado e amarelado nas margens. Dessa vez, Gouthamlal quis lê-lo. Enquanto lia, um raio de esperança substituiu o vazio que sentia há muito tempo. O Santo Espírito trabalhou no coração do jovem, chamando a um relacionamento com o Deus Vivo. Ele podia entrar em contato com o pastor da Igreja dos crentes, em uma vila vizinha, para encorajar-se no Senhor. Quando Gouthamlal compartilhou o Evangelho com sua mãe, ela também recebeu o Senhor Jesus. Outros na família deles vieram ao Salvador também. Em sua vila, eles eram os únicos crentes. Em um domingo, o resto do povo em sua vila reuniu-se para decidir se os tirariam da comunidade. Neste tempo, Gouthamlal havia começado a participar da escola bíblica da missão Gospel for Ásia (GFA). Outros alunos e a equipe da escola intercederam com ele por intervenção sobrenatural de Deus. Deus respondeu de uma maneira miraculosa ao permitir uma disputa entre os aldeões: eles discutiram entre eles e dispersaram-se sem tomar uma decisão. O incidente deixou Gouthamlal e sua família encorajados no Senhor. Longe de odiar os crentes, hoje Gouthamlal continua avidamente seus estudos na escola bíblica e deseja evangelizar uma vila não-alcançada de seus nativos Rajasthan. depois de se graduar.” [1]Através do Evangelho, Deus tem feito o que é singular e sem paralelo ao fazer a revelação de Si mesmo. Ainda que possamos imaginar que o resultado não foi o que esperávamos, Deus no momento oportuno realizará a Sua obra, o que depender de nós, isto faremos.Soli Deo GloriaRev. Simonton

14 setembro 2006

HOJE É DOMINGO (DIA DA ESCOLA BIBLICA DOMINICAL)


Prezados irmãos!
Estamos comemorando no próximo domingo (17.09), o “Dia da Escola Bíblica Dominical”. Considerei esta história ou estória, muito propícia para a nossa pretensão de resgatar e restaurarar a EBD. Que essa também seja a meta de todos a Igreja.
Gde Abc
Rev. Simonton
asredua@yahoo.com.br ou asredua@oi.com.br


"HOJE É DOMINGO..."
Uma história muito comovente de uma E.B.D. que um certo dia ela se acabou...

Hoje é domingo...
O sol está alto e o dia está lindo.
Sentado neste banco, o banco de uma praça qualquer; meu pensamento vagueia e viaja pelo tempo, me leva ao passado e faz-me recordar meu tempo de criança. Tempo bom aquele. Lembro-me de tantas coisas, das brincadeiras, dos amigos, lembro-me dos doces de minha mãe, e até mesmo das surras que tomei de meu pai.
Coincidência...
Hoje é domingo. E na minha memória, a lembrança mais viva que tenho, são daquelas manhãs de domingo, manhãs de inverno, tão frio, nós ainda criança, gostávamos de dormir até tarde, acariciados pelo aconchego dos cobertores e do cheirinho de café vindo da cozinha, que mamãe sempre a primeira a levantar-se, tão cedo, se punha á fazer. Não demorava muito, ela vinha nos tirar da cama, “era domingo”, o dia em que as outras crianças dormiam até mais tarde, nós levantávamos cedinho. Mamãe então, arrumava nossas roupas, cobria-nos com alguns trapos velhos, a qual chamávamos de roupa de domingo, porque na verdade nem mesmo roupas tínhamos. Nossos sapatos, então, como era engraçado viviam sorrindo, depois de tanto uso e diversas caminhadas já nem comportavam mais nossos pés. Tínhamos também uma luva e um belo cachecol feitos por mamãe, e com o qual nos vestíamos, para podermos enfrentar o frio. Ah! E o café? O café ficava para mais tarde, tínhamos um compromisso muito importante nas manhãs de domingo, e o café podia esperar.
Papai já com seu chapéu de palha na cabeça, calçava suas botas tão surradas, mas, que no entanto, nunca o havia deixado na mão. Finalmente estávamos todos prontos.
Partíamos.
A distância era longa e a caminhada difícil. Muitas vezes olhávamos outras crianças que passava, por nós e queríamos ser como elas e mamãe nos consolava nos dizendo que elas não tinham a oportunidade de juntar as pedrinhas que guardávamos para as brincadeiras mais tarde. Depois de algumas horas a estrada chegava ao fim, lá adiante avistávamos uma pequena construção, papai ajudou a construir, era a nossa igrejinha; tão pequenina, tão simples e humilde feita de tábuas, mas dentro dela havia um calor tão gostoso que nos fazia esquecer do frio.
Era domingo. E no domingo o povo se reunia para ir a escolinha.
Que saudades eu tenho daquelas manhãs. Chegávamos na igrejinha, dobrávamos os joelhos, agradecidos a Deus por estar ali, pedíamos a sua benção para aquele novo dia e então nos sentávamos para ouvir o professor.
Lembro-me de ouvir a mamãe dizer que aquele homem tão simples, mal sabia escrever seu nome, mas, nas manhãs de domingo vestia seu terno, especialmente preparado para a ocasião, colocava sua gravata e virava um doutor, não um doutor comum, porque o que nos ensinava era algo maravilhoso e especial. Muitas das suas palavras guardo ainda na memória, como se as tivesse ouvindo neste instante.
Era domingo.
E todos estavam na igrejinha. Todas as famílias, pais, filhos, os irmãos, todos juntos ouvindo Deus falar.
Aprendendo a conhecer Deus.
Doce lembrança...
Após a escolinha voltávamos felizes para nossas casas, sempre todos juntos, e ao chegar à casa, saboreávamos, então, os doces e o café que mamãe havia deixado sobre o fogão. Eram domingos maravilhosos. Eu poderia contar lindas histórias sobre aqueles domingos na escolinha dominical, muitas até fariam chorar, mas ninguém as quer ouvir.
Hoje é domingo e eu aqui sentado; sentado neste banco, nem mesmo a igreja fui.
A distância não é tão grande, o caminho é bem mais fácil e já não preciso ir á pé, se eu fosse comparar, nem mesmo parece frio, porque tenho tantas roupas para vestir que não sei qual usar. A igrejinha simples não existe mais é verdade, virou tapera em algum lugar no passado. A igreja, hoje é de pedra, hoje, é de pedra mais resistente, tem janelas, seus bancos são melhores, é bem diferente e fato. O calor que havia naquela simples e humilde igrejinha pode ter esfriado um pouco, mas, é porque muitos se esqueceram que hoje é domingo.
Como eu queria estar lá com os irmãos.
Se meus filhos ao menos estivessem aqui. Por que não os ensinei da mesma forma que meus pais me ensinaram?
Grande engano meu...
Pensei que estaria dando mais conforto a eles deixando-os dormir até mais tarde aos domingos.
Hoje é domingo e meu filho trocou a noite pelo dia, foi dormir quando deveria estar se levantando para ir à escolinha
Grande engano meu...
Pensei que fazendo do meu filho doutor ele aprenderia a respeitar e amar a Deus. Hoje me chama de quadrado e se esqueceu de Deus.
Que saudades que tenho da escolinha.
Como gostaria de estar lá, naquela escolinha junto com meus filhos, com minha família, bem como fazíamos no passado, nas manhãs de domingo. Seria tão bom ouvir Deus falar.
Quisera eu contar minhas experiências aos mais jovens, ser também um professor da escola bíblica dominical.
Hoje é domingo
E eu aqui neste banco a lamentar do passado e sofrendo por não saber aproveitar quando a porta da igrejinha estava aberta aos domingos de manhã, bem cedinho.
Quando os meus filhos nasceram eu deixei de ir a escolinha, a qual nunca havia faltado antes, muitos seguiram meu exemplo, deixaram de ir também, e o pastor cansou de esperar por mim.
Um dia fechou a porta da igrejinha.
E eu aqui, a lamentar...
Hoje é domingo!
E acabou-se a escolinha.
Autor desconhecido

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