18 novembro 2007

DESAFIOS PARA O HOMEM PRESBITERIANO NO ALVORECER DA COMUNHÃO PARA EVANGELIZAÇÃO


*Rev. Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

“Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade.

Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.” I João 1:6-7

Acabo de ler o texto do Rev. Prof. Dr. Héber de Campos, O Pluralismo do Pós-Modernismo, chego a conclusão do intenso desespero que muitos Homens Presbiterianos vêm sofrendo por conta dos rumos obscuros e inóspitos da religiosidade pós-moderna. Pude abrir meu campo de reflexão e de análise sobre a fé cristã a partir de alguns referenciais, que a leitura deste texto trouxe para mim. Por isso, hoje quero compartilhar com você alguns desafios que nós Homens Presbiterianos precisamos tomar no alvorecer da Comunhão visando a Evangelização do nosso País.

Precisamos entender que o “fazer” evangelização da Igreja sem unidade é escândalo, isto porque no Reino de Deus não existe espaço para o fazer individualista. A Evangelização está sempre evidenciando o aspecto da comunhão, porque não existe espaço para evangelização na igreja de forma individualista. A comunhão tem a ver com o Corpo de Cristo e com a Comunidade do Povo de Deus.

O Apóstolo João associa esta necessidade da vida de comunhão e da unidade visível do povo de Deus na obra evangelizadora. Portanto João está falando de uma unidade organizacional visível na história, através de ações de fraternidade prática, vivenciada no amor e propósitos ideais do Reino de Deus, ineqüivocadamente assumidos como prioritários e portanto dignos de nossa convergência.

É interessante que o Novo Testamento diz que o mundo não vê quase nada, “o homem carnal não entende as coisas de Deus”, porque o “príncipe deste mundo cegou o entendimento dos incrédulos”. Mas com relação a unidade da Igreja o mundo “veria”, isso porque seria uma unidade mais do que metafísica, mais do que espiritual, seria uma unidade analisável, mensurável, sociologicamente compreensível, socialmente perceptível. O mundo perdido, cego pelo diabo, é incapaz de perceber a profundidade espiritual do Reino, todavia deve ser capaz de perceber a unidade do povo de Jesus.

Eu penso que nos precisamos ter alguns desafios se queremos tornar a nossa vida como Homens Presbiterianos ou como igreja, como uma igreja que realmente caminha dentro da vontade para o qual Deus a criou. Se queremos caminhar como uma igreja que viva de acordo com a vontade de Deus, precisamos de ser desafiados constantemente em nossa vida cristã.

A evangelização é uma realidade complexa, que inclui exigências irrenunciáveis. A Evangelização no Novo Testamento é destacada como: serviço (diakonia), proclamação, diálogo, anúncio (kérygma), testemunho (martyria) e da comunhão (koinomia).

O mundo em que vivemos está mergulhando em um caos espiritual, que reflete sua obstinada intenção pela exclusão de Deus. Diante desse quadro, a Igreja deve sempre se posicionar levantando a bandeira do Evangelho de Jesus Cristo. Os desafios confrontam-nos para que tomemos decisões firmes em prol do Reino de Deus (I João 1: 6-7).

Consideremos alguns desafios para o Homem Presbiteriano no alvorecer da Comunhão para Evangelização

Os novos desafios, que colocam novas perguntas, impõem igualmente novas respostas. Encontrar respostas adequadas a nossa prática evangelizadora, não é uma tarefa propícia a seguranças. Vivemos um tempo mais de buscas do que sínteses, mais ingente à criatividade do que ao plágio e à repetição. De nada valem as nostalgias restauradoras de um passado sem retorno. É claro que, em se tratando da herança cristã, na busca de novas respostas, impõe-se salvaguardar a autenticidade primitiva, a experiência dos Reformadores. A coragem de renovação é a única garantia de futuro.

Das novas perguntas, postas por um mundo em profundas transformações, impõem-se, pelo menos, três grandes desafios para o Homem Presbiteriano. São desafios que se apresentam como tarefas, a serem realizadas de maneira processual, gosto muito desta palavra, talvez por causa do Direito. Apresenta-se a necessidade urgente de – re-projetar a missão evangelizadora da Igreja, de re-fontizar a identidade reformada da Igreja e de re-novar a Comunhão da Igreja.


1. Re-projetar a missão evangelizadora da Igreja

O primeiro desafio consiste em definir os contornos da identidade reformada da Igreja na obra evangelizadora. A identidade da Igreja (ser) e sua configuração histórica (instituição) derivam da missão (fazer).

Evangelizar não consiste simplesmente em incorporar pessoas a uma Igreja já pronta mas, antes de tudo, em encarnar o Evangelho na vida de pessoas contextualizando-as. Mas, não também de um evangelho supostamente fora da contingência da história e das culturas, o que não passaria da transmissão de uma determinada versão dele e levaria a uma Igreja monocultural. Neste caso, os interlocutores não passariam de meros destinatários, reduzidos a receptores passivos de um evangelho em uma determinada interpretação e vistos como objetos da evangelização. Ora, a Evangelização, trata-se, antes, de um processo cujo sujeito não é quem leva a fé, mas quem recebe a mensagem revelada, dado que neste processo, não é tanto o evangelho que se incultura, mas os sujeitos da cultura que incorporam, a seu modo, o Evangelho em sua vida, em suas relações.

Na tarefa de resposta ao desafio de re-projetar a missão evangelizadora da Igreja, impõe-se fazer do ser humano o caminhar da Igreja, poderíamos pensar em evangelismo pessoal, ou mesmo no evangelismo pelo testemunho, talvez não, mas pensar no evangelismo como um estilo próprio de viver, viver como Cristo viveu. Isto implica a superação da visão teocentrista e de seu conseqüente eclesiocentrismo ou de uma ação evangelizadora meramente ad intra[i], na esfera do espiritual, e situar a missão evangelizadora no coração do homem numa visão Cristocentrica.

Desafios tais como pobreza crescente, ética social-política-econômica, direitos humanos, democracia, violência, igualdade racial, emancipação da mulher, ecoteologia, dizem respeito também ao Evangelho.

2. Re-fontizar a Identidade da Igreja

A preocupação pela “identidade” da Igreja, assim como pela identidade das culturas, dos povos, dos indivíduos etc., está na ordem do dia e tem sua razão de ser. Isso se deve, por um lado, às profundas transformações atuais e, por outro, à cultura de dominação reinante, que operou uma destruição dos valores tradicionais.

Na Igreja, a atual crise de identidade, em grande medida, deve-se às novas perguntas oriundas de um mundo em profundas transformações, que ao exigirem novas respostas, impõem uma nova compreensão de si mesma e uma nova configuração da Igreja.

A crise de identidade, em um momento e contexto particulares, instintivamente leva a re-visitar o passado, em busca da experiência dos nossos pais (Reformadores). Caminha-se ao encontro do referencial histórico, que fundamentou o caminhar até então, para resgatá-lo no novo contexto. Mas, há duas maneiras muito diferentes de re-visitar o passado, que desembocam em modos diversos de configuração da identidade: uma, é re-visitá-lo a partir da instintiva atitude de medo e de autodefesa, que leva a reafirmar a identidade “de sempre”, ou seja, de ontem; outra, é re-visitá-lo a partir da urgência do presente, propondo-se a uma re-fundação da identidade, na fidelidade à experiência dos Reformadores, em perspectiva de futuro, creio que este é o pensamento essencial da fé reformada, “ecclésia reformata semper reformanda[ii].

Ao buscar a base da nossa identidade no passado, fazendo dele um refúgio, é caminho para o princípio da fé reformada na atualidade. A postura reformada está apoiada em uma visão retrospectiva da realidade, na medida em que se pensa que, não foram os tempos que mudaram, mas a identidade atual que fracassou, por ter se desviado da forma primária. A solução, então, é resgatar a identidade de ontem e trazê-la para o hoje .

No contexto da atual crise da modernidade, a postura reformada está presente também na Igreja. A Igreja está voltada para a esfera ad extra,[iii] em estreita ação do ecumenismo denominacional de linha evangélica[iv], e com os movimentos populares, que perdeu a identidade reformada. Também perdeu seu poder, na medida em que foi usada ou deixou-se usar por outros interesses, por uma politização da fé, que esvaziou a escatologia de sua dimensão transcendente. A salvação foi reduzida à libertação de contingências temporais de ministérios extraordinários. A fé, em seu discurso normatizado que é a teologia, em sua forma de “teologia que liberta”, representa a ingerência indevida de outras ciências na teologia, especialmente da sociologia. A formação, nos seminários e escolas de formação teológica, gera um tipo de pastor crítico em relação à comunhão da igreja, incapazes de veicular uma identidade forte da mesma, diante das vicissitudes da sociedade e das seitas.

A re-fontização da identidade, pela busca da experiência dos Reformadores, nos remete portanto ao próprio caminhar da Igreja na história a partir da Reforma Séc XVI, sob o dinamismo do Espírito Santo. O Espírito Santo não é enviado a uma Igreja já constituída antes de sua missão . A missão do Espírito Santo é constitutiva da Igreja. Ela existe porque o Espírito Santo lhe foi enviado e ela se manifesta a partir deste dom. A Igreja não é nem anterior nem exterior à missão do Espírito. Primeiro há uma missão do Espírito a toda a criação, para que esta criação exista; depois, dentro desta missão geral, surge e existe a Igreja (Pentecoste).

3. Re-novar a Comunhão da Igreja

A Igreja, ainda que seja verdade que não é uma mera democracia, é comunhão, também é verdade que a comunhão pressupõe a koinonia. Passados, entretanto, mais de dois mil anos, por razões diversas, a Igreja parece estar longe de constituir-se em uma koinonia. Na verdade, qualquer forma de autoritarismo é essencialmente contrária à mensagem evangélica.
Evidentemente, estamos falando aqui, não da “origem” do poder na Igreja (a Igreja enquanto manifestação do Poder de Deus), mas de sua gestão, que deve seguir os princípios evangélicos, quais sejam, a ausência de toda sorte de autoritarismo e desrespeito à dignidade das pessoas, a serviço de quem devem estar sempre as estruturas. Certas formas de poder na Igreja, às vezes ditas emanadas do espírito do Evangelho, não passam de heranças históricas, fruto da imitação de poderes temporais .

O acolhimento deve se dar primeiro em nossas afeições e corações, quando então, não se fará acepção de pessoas. Paulo disse que tanto Judeus como gentios deveriam ter o mesmo tratamento no seio da igreja primitiva. Outro aspecto da ética cristã no acolhimento é não fazer distinção entre classes sociais.

A comunhão dos santos faz com que cada graça que Deus concede a um determinado membro da Igreja seja patrimônio de todos os fiéis. Se, numa sociedade, alguns de seus membros se tornam religiosos, ou se santificam, isso redundará em bem para todos os membros da sociedade, e deverá alegrar portanto a todos.

A vida cristã é uma vida de relacionamentos. A comunhão íntima com Deus, pela oração e prática da Sua Palavra, nos leva ao relacionamento fraterno com nossos irmãos de fé. Esse relacionamento cresce na medida em que também cresce nossa fé

CONCLUSÃO

Não importa a sua teologia correta, os seus dons extraordinários ou sua visão ampla e estratégica; se você é individualista e não tem comunhão com a Igreja, você está fora da vontade de Deus. Sem comunhão você é um tijolo fora da construção, um membro fora do corpo, um soldado perdido no campo de batalha, ou seja, uma incoerência, uma contradição, uma vida sem propósito. Você precisa de se relacionar na Igreja por inúmeras razões


BASE BIBLIOGRÁFICA

CAMPOS, Héber Carlos de. O Pluralismo do Pós-Modernismo. http://www.monergismo.com/textos/hermeneuticas/hermeneutica_heber.htm, acessado em 12.11.2007.

Notas

[i] Expressões latinas que significam "para dentro e "para fora". São empregadas para indicar as ações das pessoas da Trindade, seja nas relações internas entre as três pessoas, seja na obra da criação e redenção.


[ii] Igreja Reformada sempre Reformando.

[iii] Por fora e para além das fronteiras.

[iv] Ecumenismo Evangélico segundo o Rev. Dr. Augustus Nicodemus,”é a tentativa de aproximação entre igrejas evangélicas, a nível de cooperação em atividades evangelísticas e sócio-políticas, e mesmo de fusão organizacional. Por exemplo, a cooperação interdenominacional de igrejas e ministros--muitos dos quais não estariam interessados no ecumenismo cristão ou religioso – que se unem para patrocinar uma cruzada de Billy Graham. Vale lembrar que o número de denominações diferentes chegou a 22.000 em 1985 e continua crescendo a uma taxa de cinco novas todas as semanas”. (Ecumenismo – www.ipb.org.br).

* Texto escrito especialmente para a Revista Proposta. Revista editada pela Cultura Cristã, publicada trimestralmente pela Confederação Nacional dos Homens Presbiterianos da Igreja Presbiteriana do Brasil.

24 outubro 2007

REFORMA PROTESTANTE: O LAPSO TEMPORAL DE 490 ANOS

*Rev. Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

Lembrando à Reforma Protestante, o cristão de fé Reformada é levado a situar-se no passado fazendo uma ponte até o presente, esquecendo o lapso temporal de 490 anos (31.10.1517 – 31.10.2007). Neste período a Igreja passou por vários conflitos que de certa forma influenciaram grandemente na formação da Igreja Protestante/Evangélica do Sec. XXI, totalmente ambígua e descaracterizada dos princípios reformados.

Até 31 de outubro de 1517 um monge chamado Martinho Lutero ousou discordar teologicamente da doutrina ensinada até aquele momento, conseguindo provocar grande ruptura na vida Igreja. Um dos temas debatidos na Reforma e que até hoje é debatido nos círculos acadêmicos e eclesiástico é a questão da liberdade com, profundas conseqüências institucionais, políticas, econômicas, culturais e sociais que traduziram sobretudo nos nossos dias .

João Calvino, um dos expressíveis reformadores, escreveu amplamente contemplando nos seus textos a liberdade cristã como um dos pilares da Igreja Reformada, recebendo conceituação ética essencial à vida humana. Tema este que só vim a ter uma compreensão mais profunda após as aulas de Teologia ministrada pelo Rev. Heber de Campos, no curso de Bacharel em Teologia oferecido pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

A célebre frase Ecclesia reformata et semper reformanda est - A Igreja reformada está sempre se reformando – expressão formulada após a Reforma, e vastamente utilizada neste lapso temporal, precisa ser a tônica da Igreja na atualidade, frente a tantos e urgentes desafios, exigindo da Igreja uma postura mais adequada a pos-modernidade sem abrir mão de seus princípios teológicos-reformados.

A Reforma do Século XVI nasceu com a proposta de contestação, de mudanças radicais nas bases da fé cristã, apresentando-se como um movimento libertador, o que de fato aconteceu. Porém, com o passar do tempo, sofre com o perigo, sempre iminente, de um tradicionalismo rígido, extremamente conservador, paralisante, fechado, descolado da realidade.

Portanto, cremos que se faz necessário e oportuno buscar uma constante reforma, retornar aos fundamentos fé cristã, encontrados nas Escrituras e nas grandes doutrinas pregadas pelos reformadores, a fim de não perdermos nossa identidade reformada e influenciarmos, positivamente, com liberdade, a Igreja Evangélica Brasileira, tão sem direção, em conhecimento bíblico e sem firmeza doutrinária. A partir daí Influenciar também a sociedade, buscando transformações em todas as suas dimensões sócio-política-econômica-social-cultural.

Nesse sentido, o princípio reformado autoriza-nos resgatar o pensamento de Calvino e atualizá-lo diante das demandas atuais naquilo que houver, de fato, necessidade.

Neste Lapso temporal a Igreja precisa:

1. Ter visão de mundo e vida da Cristã juntos.

Deus é Soberano, é Senhor de toda a vida. Conseqüentemente temos a necessidade reconhecermos de que tudo o que buscamos para viver, todos os nossos atos, toda a nossa vida, tudo o que nos envolve, deve ser para para a glória de Deus. Como o Apóstolo Paulo escreveu aos coríntios, “Assim se você come ou bebe ou tudo que que você faz, faça tudo para a glória de Deus(I Cor.10:31). Este é um princípio do crente reformado e que em toda a história Reformada foi levado a sério. O Reformado tem o conhecimento e reconhecimento do Domínio de Cristo sobre todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra. Assim expressou Abraham Kuyper: “Não há uma polegada quadrada no universo inteiro do qual Cristo não pode dizer, “Isto é Meu! “

Tenho que admitir que uma visão do mundo e da vida cristã tem provocando reações na vida eclesiástica, quando desagrutinamos a nossa vida em áreas distintas, incorporando um hedonismo prático entre a vida piedosa e a vida coditiana. Tudo o que estamos fazendo fora dos portões da igreja está sob o Domínio de Cristo. Necessitamos promover o ensino da Soberania de Cristo sobre todas as esferas da vida humana, quer na vida particularmente, quer na vida de outros crentes, quer na vida política, econômica, social, financeira, trabalhista, nos negócios, na saúde pública e privada, nos esportes e em qualquer programa de trabalho.Cristo é Senhor, é Deus absoluto sobre todas as coisas.

2. Busca dos meios de restauração evangelística e missionária, como característica vital da revivificação da igreja.

Igrejas verdadeiramente Reformadas sempre expressaram um compromisso forte nesta área. Alguns dos grandes movimentos missionários do século XX e XXI tiveram suas origens nas missões Reformadas. Missionários Holandeses foram para Indonésia, Presbiterianos Brasileiros para a Africa, Paraguai, Bolívia, Espanha, França, Inglaterra, Nova Zelândia, Estados Unidos da América, Escócia, China e Romênia. As Igrejas Reformadas de África do Sul fizeram muito na evangelização de suas terras em substituição ao continente africano. Nós presbiterianos somos uma parte deste movimento missionário, quando definitivamente foi implantado a Igreja Reformada no Brasil, pelo Missionário Ashbel Green Simonton.

De mãos dadas com esta ênfase em evangelização e missões evidenciamos nossa preocupação por revivificação (restauração). Embora esta palavra sofreu abuso em recentes anos, não há nada tão reformado que a revivificação!

Neste Lapso temporal, Deus derramou o seu Espírito p´ra trazer tempos de refrigério. Homens como Martin Lloyrd-Jones, W. A.Tozer, W. Pinck, Spurgeon, ao longo de seus ministérios mantiveram uma fome saudável pela revivificação. A igreja perdeu sua característica evangelizadora e missionária urbana, praticamente não conseguimos desenvolver uma estratégia evangelística nos grandes centros.

Na vida urbana o individualismo tem suas características profundas, principalmente como produto do medo da violência, medo de perder o emprego, medo de ser assaltado, medo de sair de casa e não regressar pôr ter sido vítima da violência pessoal ou do trânsito, há um pavor enorme cirandando as pessoas urbanas, até mesmo em nossa casa tranqüilo, podemos ser vítima fatal de uma bala perdida das constantes disputas territoriais das quadrilhas.

A individualidade do homem urbano é caracterizado também pôr sua falta de tempo, ele está sempre correndo daqui para acolá, vivendo numa dimensão a beira da loucura.

Os filhos são criados pela empregada doméstica, na verdade o relacionamento de pai para com filhos é muito informal e o relacionamento de esposa e esposo tem características hedonista, principalmente afirmado nas palavras de Vinícius de Morais, “o amor é eterno enquanto dura”. O casamento é mais visto com um contrato social, em que duas partes fazem um acordo que a qualquer hora possa ser rescindido.

3. Ter Unidade e Identidade

Vivemos em conflitos pôr causa das migalhas. Parece que não sabemos mais o que é essencial na Igreja, pôr causa das nossas idiossincrasias, nossa pequenez, nosso egoísmo, nossa intransigência, nosso doutrinarismo individualista e divisionista, nós nos dividimos.

Praticamente podemos dividir a igreja em vários grupos: “os tradicionais, carismáticos e liberais”. ampliarmos mais esta divisão podemos encontrar: tradicionais, conservadores, pentecostais, reavivalistas e liberais. A Unidade é uma das marcas da verdadeira Igreja, da verdadeira comunhão santa da Igreja com Jesus Cristo. Os santos vivem em união, portanto a unidade deve ser o resultado natural da compreensão da natureza do ser de Deus.

4. Revitalização da Vocação Pastoral

Às vezes desejo saber se existe fome por revivificação em nossas igrejas. Temos visto muitos aberrações e por isso estamos cansamos. Precisamos ser desafiados novamente.

Precisamos estar orando para revivificação da Igreja? Às vezes me pergunto: porque tão poucos homens vieram a ser chamados e treinados para o ministério pastoral nos últimos anos.

Aquele que sentia-se vocacionado para o ministério, sentia-se agradecido a Deus pôr esta vocação, a sua igreja local e sua família de deliciavam de gratidão pôr esta vocação. Era comum os pais orarem a Deus pôr um filho homem, e, quando este nascia, os pais consagravam-no e dedicavam-no a obra do Senhor. Era sonho das solteiras casarem-se com um pastor, era sonho das mães terem um filho ou um genro pastor.

Atualmente o que é corrente em nosso meio, que somente é pastor, aquele que não conseguiu ser nada na vida. As mães não oram mais a Deus pedindo um filho homem, porém se nasce homem, ele deve ser tudo na vida, menos pastor. Pastor hoje é sinônimo de pobreza, solidão, angustia. A crise vocacional é acentuada ainda com a visão tecnocrata do ministério pastoral. A idéia da Igreja como empresa e o pastor como executivo. A visão do crente não é mais a visão do homem espiritual, crente, fiel a Deus, mas é a visão de um empresário e uma empresa.

Ao perder-se a visão espiritual do ministério, a visão pedagógica, a igreja passa a determinar todas as regras em que o pastor deve obedecer. Se ele obedece as diretrizes da igreja, este permanecerá pôr longo tempo nesta igreja, porém se ele descordar, é mandado embora. É preciso termos em conta que qualquer pastor que opta pelo trabalho espiritual e pedagógico da igreja, terá de líder com questões que consequentemente ferirá uns ou trará descontentamento a outros. Neste caso seguindo os preceitos Bíblicos ele não será um pastor bom, fiel e sincero as instituição religiosa que o contratou. É comum então observarmos o marketing na Igreja, que reflete esta visão tecnocrata.

Conclusão

A Reforma tem grande implicação para a Igreja de hoje, tais como:

1. A Reforma resgatou o conceito de pecado

2. A Reforma pregou a doutrina da Justificação somente pela Fé

3. A Reforma resgatou o conceito da autoridade vital da Palavra de Deus

4. A Reforma redescobriu na Palavra a doutrina do Sacerdócio Individual do Crente

5. A Reforma apresentou, de forma clara e inequívoca, o conceito de Soberania de Deus.

Devemos reconhecer a Reforma como um movimento operado por homens falíveis, mas poderosamente utilizados pelo Espírito Santo de Deus para resgatar Sua verdade e preservar a Sua Igreja.

Soli Deo Gloria

15 outubro 2007

ENTRE O CONSERVADORISMO E O LIBERALISMO

Rev. Ashbell Simonton Rédua


A pós-modernidade é uma época marcada não somente pelo conflito de civilizações, culturas, mas também pelo conflito das religiões. Na particularização desses conflitos é possível identificar atitudes liberais e conservadoras entre os crentes, de forma a tipificar um conjunto de características dentro do fenômeno religioso.

No campo teológico, os ortodoxos consideram as Escrituras Sagradas como verdade absoluta e imutável (Inerrância das Escrituras Sagradas), neste sentido as Escrituras é “A Palavra de Deus”, impossível de conter erros. O Concílio Internacional da Inerrância Bíblica, promulgou XIX artigos sobre a Inerrância Bíblica

Artigo I.

Afirmamos que as Sagradas Escrituras devem ser recebidas como a Palavra oficial de Deus.

Negamos que a autoridade das Escrituras provenha da Igreja, da tradição ou de qualquer outra fonte humana.


Artigo II.

Afirmamos que as Sagradas Escrituras são a suprema norma escrita, pela qual Deus compele a consciência, e que a autoridade da Igreja está subordinada à das Escrituras.

Negamos que os credos, concílios ou declarações doutrinárias da Igreja tenham uma autoridade igual ou maior do que a autoridade da Bíblia.


Artigo III.

Afirmamos que a Palavra escrita é, em sua totalidade, revelação dada por Deus.

Negamos que a Bíblia seja um mero testemunho a respeito da revelação, ou que somente se torne revelação mediante encontro, ou que dependa das reações dos homens para ter validade.

Todas as leis e mandamentos e Textos Sagrados devem ser aplicados de forma inflexível e literal.

Contrariamente os liberais admitem a existência de diversos tipos de verdades nas Sagradas Escrituras. Nesta sustentação, afirmam existir nos Escritos Sagrados uma considerável carga metafórica, simbólica, mitológica e por isso a Bíblia não seria tão absoluta como afirma os conservadores, mas um livro de cunho significativo que pode ser reinterpretado diferentemente a cada tempo de acordo com as preocupações e os problemas desse tempo. Neste sentido a Neo-ortodoxia tendenciosamente espiritualista, argumento que a “Bíblia contém a Palavra de Deus”. Desse modo, o liberalismo estariam comprometido com uma concepção de vida, modos vivendi, que não é previamente questionado, mas aceito sem um devida justificação (Teologia Relacional) .

Levando em conta que tanto o conservadorismo e o liberalismo é um fenômeno presente em todos os seguimentos religiosos, devemos entender que no contexto protestante reformado é possível tipificar atitudes conservadoras e liberais relativas e multifaceadas. Neste sentido se há tendências liberais e conservadoras na igreja, deverá também haver posições intermediárias em que alguém manifeste com determinado conhecimento mais conservador do que liberal e em sentido contrário mais liberal do que conservador, isto é há o conservador e liberal lato sensum e stricto sensum.

Além das questões Teológicas Bíblicas, existe algumas implicações também no processo de Plantação e Implantação de Novas Igrejas, matéria divergentes entre o conservadorismo e o liberalismo. Há de se admitir que o conservadorismo questiona profundamente o crescimento por divisão (conflitos), neste sentido as novas igrejas são frutos de erros, discórdias, e geralmente centrado em uma pessoa (O Profeta, Apóstolo, etc) fundador do novo grupo. Assim é possível encontrar evangélicos que aceitam a Igreja Assembléia de Deus, a Universal do Reino de Deus, a Renascer, a Igreja Internacional da Graça e rejeitam a Igreja Rompendo em Fé, Igreja da Orla das Vestes de Jesus, Internacional de Deus, Internacional do Poder, etc. Dentro da denominação esta tolerância pode desvanecer e dar lugar a conflitos e perseguições (dança litúrgica, coreografia, palmas, etc).

Muitos dos conflitos internos que vivemos em nossas denominações esta firmada neste passear entre o conservadorismo e o liberalismo. É bem visível nas posições teológicas surgido recriminações mútuas. Os conservadores tendem a culpar os liberais por abrirem as portas da igreja a idéias e doutrinas que consideram duvidosas. Os liberais por seu turno tendem a considerar as atitudes dos conservadores como contrárias ao verdadeiro espírito da religião; para eles a intolerância (e a violência que por vezes esta provoca) faz da religião cristã uma fonte de mal no mundo moderno (a questão do aborto, ordenação feminina, pastores e membros de igrejas homosexualismo, etc)

Na verdade, o que existe são grupos de crentes cuja atitude (liberal ou conservadora) pode obter maior ou menor visibilidade com os seu atos. Estas atitudes tem como fruto a “perda da identidade”, e no nosso caso a identidade reformada.

É importante posicionarmos teologicamente e não titubear entre um extremo e outro. Enquanto para os conservadores alguns fundamentos da fé teológicos são inegociáveis, tais como:

Manter fidelidade incondicional à Bíblia, que é inerrante, infalível e verbalmente inspirada;

Acreditar que o que a Bíblia diz é verdade (verdade absoluta, ou seja, verdade sempre, em todo lugar e momento);

Julgar todas as coisas pela Bíblia e ser julgado unicamente por ela;

Afirmar as verdades fundamentais da fé cristã histórica: a doutrina da Trindade, a encarnação, o nascimento virginal, o sacrifício expiatório, a ressurreição física, a ascensão ao céu, a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo, o novo nascimento mediante a regeneração do Espírito Santo, a ressurreição dos santos para a vida eterna, a ressurreição dos ímpios para o juízo final e a morte eterna e a comunhão dos santos, que são o Corpo de Cristo.

Ser fiel à fé e procurar anunciá-la a toda criatura;

Denunciar e se separar de toda negativa eclesiástica dessa fé, de todo compromisso com o erro e de todo tipo de apostasia;

O liberalismo, nega a validade de quase todos os fundamentos da fé reformada, adotando escatologicamente o universalismo, todas as pessoas serão salvas no final de tudo até mesmo o diabo, e, conseqüentemente, o aniquilanismo do inferno, da morte e do pecado. Isto porque o liberal não tem princípios, porque”‘é incapaz de distinguir entre “princípios” e meras regras operacionais. Um liberal pode ter princípios, sim, e a maioria dos que conheço os têm, mas os têm enquanto indivíduos concretos e não enquanto "liberais". A maior parte dos liberais que conheço não são liberais. São conservadores com nomes trocado. Confundem o liberalismo” religioso “clássico, que é parte integrante da tradição conservadora, com a ideologia liberal que é uma camada histórica do movimento progressista. Parecem mais "progressistas", mas essa aparente astúcia retórica, além de obrigá-los a reprimir seu conservadorismo e a restringir a luta ao terreno religioso, tem um segundo preço maior ainda: fazendo da sucessão temporal um critério de superioridade, eles acabam endossando uma metafísica predestinacionista da História que é a essência” da Teologia Reformada.

“Quanto tempo falta ainda para que "liberais" que acreditam em princípios substantivos descubram que nunca foram liberais e sim conservadores? Com isso, decerto, perderão muitos falsos amigos.

REFERÊNCIAS

ABRAÃO, Paulo Pascoal Monte. Os Baptista Hoje, http://seminariobaptista.blogspot.com/2006_05_24_archive.html, acessado em 15.10.2007

BOICE, James Montgomery. O Alicerce da Autoridade Bíblica. São Paulo: Vida Nova, 1989

OLAVO, Carvalho. O Patinho Feio na Política Nacional. http://www.midiasemmascara.com.br/print.php?id=5655, acessado em 15.10.2007

06 outubro 2007

A SINDROME DA IN-DECISÃO

*Ashbell Simonton Rédua



Tecnicamente definimos Síndrome como o conjunto de sinais ou sintomas provocados pelo mesmo organismo e dependentes de causas diversas que definem uma doença ou uma perturbação.

Síndrome é uma palavra bastante comum na atualidade e que está geralmente relacionadas a uma doença seja psíquica ou mesmo física, tais como: Síndrome de Down, Síndrome do Intestino Irritável, Síndrome de Moebius, Síndrome de Prader Willi, Síndrome de West, Síndrome do Pânico Transtorno do Pânico Ansiedade. A Sindrome do Pânico pode ser desenvolvida em várias áreas da vida humana: Medo, Claustrofobia, Agorafobia, Acrofobia, Stress, Taquicardia, Sudorese, Tremor, Prolapso de válvula Mitral.

O Pastor Derville (DERVILHE: 2007), nos adverte sobre uma nova síndrome, a Síndrome do Papagaio. Segundo o Pastor, Síndrome do Papagaio são “aquelas frases feitas que as pessoas tenta usar normalmente contra as pessoas!”, bem como fazer uma afirmação que representa vontades: “Deus é brasileiro”, “Deus é o dono do mundo e eu sou filho do dono”, etc.

Creio que a Síndrome da in-decisão é uma realidade na vida pastoral, ainda não encontrei alguém , pastor ou não, que não tenha vivido esses momentos tão distintos em sua vida. Já tive meus momentos de in-decisão. Vários. Mas não gosto de chamar de in-decisão, prefiro dizer "que estou esperando".

In-decisão são aqueles momentos que temos várias escolhas mas não sabemos analisar qual a melhor pra gente. Também pode se manifestar quando não temos escolhas e temos de decidir por alguma coisa, neste caso, a in-decisão não deixa-nos enxergar nossas opções. Neste caso as in-decisões tem o poder de transforma-se em desespero, abatimento e depressão.

Quando o pastor está in-deciso, esta in-decisão se transforma em desespero, ocorre a desistência, que é a demonstração insegura e a falta de preparo para sair da zona de conforto e aceitar novos desafios ministeriais. Russel afirma “Que nada é tão fatigante como a indecisão”...” A fadiga é devida a inquietações que poderiam ser evitadas por uma melhor filosofia da vida e um pouco mais de disciplina mental. A maior parte dos homens e mulheres não governam eficazmente os seus pensamentos. Quero com isto dizer que eles não podem deixar de pensar nos assuntos que os atormentam, mesmo quando nesse momento nenhuma solução lhes podem dar. Os homens levam muitas vezes para a cama as suas inquietações em matérias de negócios e, durante a noite, quando deviam ganhar novas forças para enfrentar os dissabores do dia seguinte, é nelas que pensam, repetidas vezes, embora nesse instante nada possam fazer; e pensam nos problemas que os inquietam, não de forma a encontrar uma linha de conduta firme para o dia seguinte, mas nessa semi-demência que caracteriza as agitadas meditações da insónia.” (Russell: 1977).

Três aspectos devem ser considerados:

  1. A todo momento, queiramos ou não, conscientes ou inconscientes, por comissão ou omissão, estamos sempre tomando decisões. E nunca é demais lembrar que a in-decisão já é uma decisão;
  2. Se queremos ser bem sucedidos no ministério, devemos procurar ser conscientes das decisões, pois é esta consciência que nos permite assumir a responsabilidade pelos nossos atos e, conseqüentemente, continuar com o que estamos fazendo ou então mudar. É conveniente ter presente que algumas decisões que deram certo em determinados contextos, mas que se adotadas em outros podem ser profundamente negativas
  3. Podemos, através do desenvolvimento pessoal, aumentar a nossa esfera de decisões. Aprender é ampliar possibilidades, ter êxito neste universo de crescente insegurança, complexidade, ambigüidade e imprevisibilidade. E isto também é uma decisão.
Pastores estamos sempre tomando decisões apesar da frustrante in-decisão que açambarca e que assedia a todo instante:

1. Alguns pastores são motivados pelos resultados decorrentes das decisões tomadas no ministério. Isto pode gerar frustrações ou avaliar o ministério do ponto de vista profissional (profissionalização do ministério e capacitação em áreas específicas), esquecendo da vocação Divina.

2. Centralização das decisões, que pode gerar a centralização do poder, neste caso, o pastor não é mais o guia espiritual do seu rebanho, mas sim uma estrela rodeado de fãs, descaracterizando o ministério pastoral

REFERÊNCIAS

DERVILHE. Você já ouviu falar em síndrome de papagaio???.

http://pastorderville.wordpress.com, acessado em 03.10.2007

Bertrand Russell, in "A Conquista da Felicidade". São Paulo: Comp. Ed. Nacional, 1977


31 agosto 2007

ENTRE O SANTO E O PROFANO

*Rev. Ashbell Simonton Rédua
asredua@yahoo.com.br

Há muitas questões levantadas com relação ao site de relacionamento “orkut”. Estas questões se polarizam pela facilidade de se cometerem atos ilícitos e lícitos que permitem ao usuário definir muito bem o seu caráter.
Optei por fazer parte deste site, foi uma opção minha, porque, de tanto ouvir nossos jovens e adolescentes falando sobre o site, há algum tempo já venho me familiarizando com a problemática toda que envolve os participantes das comunidades “orkuteiras”.
O meu interesse se estabeleceu no sentido de que devo estar onde os nossos jovens estão, de conhecer o que falam, sentem e como se expressam entre si, afinal eu sou um pastor e quero cuidar bem do meu rebanho.Apesar de ser uma ferramenta de relacionamento, mesclada ao entretenimento, é um ambiente de fácil navegação através dos ícones que dão acesso a todos os ambientes, mesmo tendo pouco conhecimento de informática.
O Orkut é uma rede amigos, que se agrupam em comunidades on-line com objetivo de tornar a vida social mais afetiva e estimulante, portanto é uma rede social que pode ajudar a manter relacionamentos existentes e estabelecer novos amigos.
Muitas comunidades fazem apologias a diversos assuntos polêmicos ou não, alguns até banais. Existem aquelas comunidades bem intencionadas, sérias e que contribuem com a cultura, particularmente no nosso interesse, a cultura religiosa, discussões teológicas, assim por diante, porém somos conscientes da existência de comunidades que são uma aberração contra tudo o que é puro, bom, sincero, honesto, agradável, etc.
Pois bem, nesta semana deparei-me com uma dessas comunidades, fazendo apologia à bebida, causando-me grande estranheza, pois jamais imaginei alguém que realmente ama o Senhor Jesus Cristo, que é um crente sincero, temente a Deus, de bom caráter, se pronunciasse utilizando o nome de uma Instituição Religiosa tão séria, como a Igreja Presbiteriana do Brasil. Trata-se do “Boteco da IPB” (http://www.orkut.com).
Esta comunidade além de fazer apologia à bebida, utilizando palavras como “presbirita”, “Presbibhama”, suscita nomes de líderes Presbiterianos de grande envergadura moral, cujo compromisso com Deus, com a Igreja e com a Fé Reformada são inquestionáveis, principalmente pelos grandes e relevantes serviços prestados ao Reino de Deus.
Ainda que o tópico do assunto: “papo do boteco (brincadeira)”, seja realmente brincadeira, a seriedade do assunto, e a tonalidade dos recados tomam outras direções, oposto ao padrão Bíblico do Homem Cristão.
Vejam as conversas iniciadas em 07 de fevereiro até 23 de agosto 2007:

- Gui Stitch - Ah, pensei numa brincadeira aqui.
Imagine um boteco de crentes, e vamos começar uma história cada um posta uma frase com quatro palavras e vamos ver o que sai...
- G. S. - começando - Entrei no boteco sozinha...
- R. B. - e pedi aquela gelada
- B. - quando ao olhar para o lado
- G. S. - (como o Bruno se excedeu nas palavras...)
- W. - mulher, que vinha em...
- C. - Vi uma ... minha direção e então
- G. S. - perguntou se eu era...
- G. S. -perguntou se eu era...
- W. - a pessoa que ela
- J. - estava procurando pra começar
- B. - uma profunda conversa sobre
- G. S. - as possíveis influências da...
- R. B. - tradição reformada e a bebida
- G. S. - na vida sexual das...
- W. - das traças que corroem...
- J. P. - ...a igreja por dentro...
- W. - e que levam a
- B. - IPB chegar nesse nivel
- G. S. - de incapacidade intelectual filosófica...
- W. - fundamentalista, que radicaliza nas...
- B. - decisões sobre assuntos que...
- W. - realmente importam para o .... (detalhe esse papo esta com pouca gente né, tá quase um diálogo)
- j. - convívio mútuo de fé...
- W. - cristã, reformada e não....
- R. B. - esqueça minha cerveja garcon!
- G. S. - Nesse momento chegou o...
- J. P. - ...Nicodemus com a "tropa de choque" Solano - Meister...
- W. - e poucos foram que mantiveram sua fé..... (já que é pra postar mais de 4 palavras....rs)
- G. S. – OFF contem só quatro palavras, se não, não tem graça...
- J. P. - ...depois de ouvir o...
- G. S. - discurso insano do puritano...
- R. - pedi uma cachaça pra...
- G. S. - esquecer todas as baboseiras...
- j. - e continuar a viver...
- R. B. - em livre-abertura ao futuro!
- J. - e livre-abertura para si
- W. - bebendo sem preconceito e.....
- J. P. - desfrutando da liberdade cristã...
- G. S. - ... mas então, o garçom...
- W. - chega e pergunta:...
- R. B. - Mais um chopp Sr?
- G. S. - E eu, meio que...
- Wilmar - sem jeito respondo....-
- J. P. - mais um pra todos!!...
- W. - eu enfatizo mais....
- B. - traga bem gelado, pois
- j. – boteco ...eu preciso disso...
- W. - para continuar vivendo...
- R. B. - e desfrutando dessa...
- Wilmar - devassa, vamos pra lá?
- D. M. - com certeza, se...
- G. S. - não aparecer nenhum fundamentalista...
- C. - com as mesmas conversas
- D.M. - mas depois quando...
- W. - vemos a verdade ela nos......
- W. - .......................................iic
- A. - acho que vou vomitarrrrraahhhgggg.....
- W. - comuniar o que? fala ai.........ic
- F. - a palavra da verdade....
- W. - e qual é a verdade?
- F. - SÓ CRISTO SALVA!!! A VERDADE É QUE SÓ CRISTO SALVA!!!
- R. B. - aleluia!
- F. - acabou? acabou o papo... tava taum legal....
- R. B. - acabou cerveja. mais uma?
- JR - Sim e dois copos...
- W. - mais outra e outra tulipa
- R. B. - copo americano pra mim :)
Ao analisar a comunidade tenho duas possibilidades de interpretação.
A primeira é que se trata realmente de uma brincadeira, sem graça e sem objetivo, por conhecer o idealizador da comunidade, pessoa séria e comprometida.
Porém o desenrolar da brincadeira tomou dimensões totalmente diferentes daquela protagonizada pelo autor ou mesmo do sentido inicial da brincadeira.
Depois, entendo que boteco é um estabelecimento comercial, muito popular, onde se servem bebidas, mas também lanches e eventualmente pratos simples. O boteco é também conhecido como taberna, bar e botequim. Na nossa cultura carioca, o boteco é o ponto de encontro ideal para os funcionários das empresas, encontros de amigos, para comemorar – com mesa farta, bom-humor e a alegria de viver.
A segunda possibilidade que vejo na comunidade, refere-se a uma crítica as estruturas e a teologia da IPB, e assim os membros da comunidade titubeiam, não sei se foi de propósito ou não, entre o fundamentalismo e o liberalismo/mundanista, entre a liberdade e a libertinagem, entre a ortodoxia e a neo-ortodoxia, entre a fé reformada e outras formas de se expressar a fé, entre as decisões impostas e a liberdade da igreja de tomar parte nas decisões.
E quando os membros falam da Cerveja Alemã e Americana, com toda certeza devemos entender o crescente liberalismo teológico e o mundanismo que tem se infiltrado as igrejas brasileiras.
À primeira vista quando naveguei nesta comunidade, fui acometido de uma tremenda raiva, revolta, mas depois de pensar e analisar e verificar o perfil dos usuários, que, a propósito são de diversas regiões brasileiras, pensei que há um grupo jovem procurando algo mais que formulas filosóficas/teológicas.
Quando a filosofia se infiltrou no cristianismo, o modernismo Alemão que posteriormente infectou as grandes denominações nos Estados Unidos, as heresias surgidas neste período se encarnaram nas doutrinas fundamentais da Palavra de Deus dando origem ao dogma do modernismo do século XX e XXI, tais como:
- A teologia bíblica como resultado de um processo evolutivo da raça humana;
- Negação dos milagres;
- A interpretação alegorica das Escrituras, algo tão antigo e que na roupagem do liberalismo e do racionalismo tomam dimensões negativas quanto a fé, por exemplo, Adão e Eva não existiram, O Dilúvio não aconteceu; José, filho de Jacó, não existiu;
- Muitos eventos do Antigo Testamento são apenas mitos.
- A evidência da humanidade de Jesus em detrimento da sua divindade (Jesus Histórico);
- As narrativas dos Evangelhos não são factuais,
- A teologia da preconização
- A Teologia relacional
- Pragmatismo religioso (nada se cria, tudo se copia);
Portanto, não posso concordar com essa turma quando afirmam que os líderes alvos do bate-papo são enquadrados como fundamentalistas. Na verdade eles não sabem o que estão dizendo. Não há fundamentalista na Igreja Presbiteriana do Brasil como também não há liberal. Todos somos presbiterianos, de fé reformada, o nobre professor Sebastião M. Arruda afirma com sabedoria: “A Fé Reformada deu-nos:
a) a Bíblia em nossa língua materna;
b) o direito de cultuar conforme a nossa consciência;
c) a prática apostólica da pregação do Evangelho;
d) desenvolvimento da ciência.Portanto, essas quatro características devem estar sempre presentes na pregação Reformada, e é a integração delas que vai produzir o seu caráter mais importante e singular.
Alguém já disse que a Fé Reformada tem sido chamada de “doutrina de ferro”, e que mesmo isso não sendo um elogio, tem que ser admitido que ela tenha produzido homens com caráter de aço: Calvino, Kuyper, Cromwell, Knox, etc.
A Teologia de Calvino foi responsável pelo despertamento religioso da Escócia. Foi a doutrina de Calvino, sobre o estado como servidor de Deus, que estabeleceu a idéia de governo constitucional e que conduziu ao reconhecimento dos direitos e liberdades dos súditos.
Foi a Fé Reformada que valorizou a mulher, que incrementou a educação e o preparo de homens para melhor servir na comunidade. É duvidoso que algum teólogo tenha desempenhado um papel tão significativo quanto o de Calvino na história mundial...
Só a Fé Reformada pode de modo coerente, sustentar a soberania absoluta do Senhor. Talvez alguém possa objetar que a Fé Reformada é dualista, porque mantém a tensão entre Deus e o homem. Mas é exatamente essa tensão que explica que a Fé Reformada não é dualista. As duas partes, Deus e o homem, não estão no mesmo nível. Deus é Criador, e o homem é Sua criatura.
Assim, de modo coerente, posiciona-se a Fé Reformada: “Porque crê que Deus é verdadeiramente Deus, crê, também, que só a Palavra de Deus é regra de fé e prática; por conseguinte, vê o homem como a Bíblia diz que ele é: uma criatura de valor, feita à imagem e semelhança de Deus, vice-gerente de Deus na terra, responsável pela administração das obras das mãos de Deus, contudo caído e morto em pecado, incapaz até mesmo de desejar o bem.” (ARRUDA: O Presbiteriano Conservador na edição de Nov/Dez 1995).
Entendo que preciso tomar pelo menos duas posições, como pastor e líder da Igreja:
1. Dar aos jovens as condições de sentirem o gosto, a alegria de serem crentes, do encontro com Deus, e da alegria de pertencerem à Igreja, de conhecerem bem os fundamentos da nossa fé e por outro lado, de colocarmos o dinamismo, a alegria, a esperança, o serviço e a missão da igreja;
2. Estimular os jovens para se colocarem à disposição de Deus no serviço ao mundo, do crescimento e da superação das situações complicadas, seus dons, talentos, alegria e fé.
Soli Deo Gloria
*Rev. Ashbell Simonton Rédua – Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbitério do Norte (Recife-PE), em 1989, Bacharel em Teologia com Especialização em Capelania, pelo Seminário Teológico Evangélico do Nordeste (Recife-PE), 1990, Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo (2006), Especialização em Bíblia pelo Centro de Pos-Graduação Andrew Jumper, Graduando em Direito pela Centro Universitário Plínio Leite, e Especializando em Direito Ambiental pela Universidade Gama Filho Currículo completo http://lattes.cnpq.br/9018318255138280

APAIXONADOS POR JESUS: SÍNDROME DE UMA GERAÇÃO GENÉRICA

*Rev. Ashbell Simonton Rédua
A geração hodierna é uma geração de apaixonados por Jesus. A paixão é uma perda da consciência dos próprios limites da realidade. O que interessa é o momento e a felicidade desse momento, especialmente em se tratando do Louvor e Adoração, e não as qualidades vinculativas do Culto à Deus.
Aos apaixonados por Jesus é uma geração que vive no limbo teológico e ainda estão neles, isto é, alguém que participa do louvor até enjoar. Suponhamos que você adore ao Senhor e aqueles primeiros cultos é delicioso, “divino-maravilhoso”. Depois vem os outros que é supergostoso, depois de algum tempo é bom, mas chega o momento em que não há mais prazer. O que significa que a repetição do estímulo diminui a intensidade da resposta. Então, a adoração acabou. Mas o que a substitui? Será que de repente entra-se numa nova onda, quem sabe um “louvor extravagante”, algo fora do comum e o meu desejo e atraído para viver este estilo de vida nos momentos culticos de louvor e adoração. Infelizmente não. Há um entorpecimento espiritual. É como alguém que estivesse operando um aparelho com baterias fracas, produzindo apenas as mais frágeis fagulhas da espiritualidade.
Ser apaixonados por Jesus é apenas ser genérico, isto é faz parte de um gênero relativo a viver um estado puro, como se realmente fosse. Ser genérico é ser movido pela paixão, é levar-se a perder o controle de si próprio (Rm 12:1-2), ou seja, sempre há um real perigo de se ficar cego (cego guias de cego), de “perder a razão”, de sujeitar-se ao raciocínio direto, o que obriga o adorador a pensar no culto como objeto do adoração, e a fazer bobagens, a rastejar, se for preciso, a dançar, enfim a viver um frenesi de “vale tudo” para “preencher” a falta alucinado do verdadeiro Deus e Senhor na sua vida.
A geração de apaixonados por Jesus acreditam que a vida sem aquela paixão não vale a pena ser vivida (e isso nunca é verdade). É uma espécie de loucura, uma idéia fixa que destrói a auto-estima e o equilíbrio do apaixonado. Ela nos impede de enxergar os nossos defeitos e nos faz acreditar que esta forma de vida é a chave de nossa felicidade, isto a paixão é idealizadora.
Alguém poderia dizer: “Entendo que as músicas são lindas, estou emocionado, não mereço, pois ando com uma fome de adorar, ando com saudade de expressar-me, pois já não agüento mais ser apenas uma esponja, absorvendo e comendo o tradicionalismo que mata as nossas igrejas. Isto mesmo, ser apaixonado por Jesus me trouxe de volta a mais antiga lembrança do amor à Deus. Isto mesmo, esta geração de apaixonados trouxe de volta o “meu primeiro amor”.
Entendo que na Teologia há vários modelos de aplicação da paixão, como por exemplo quando nos reportamos “A paixão de Cristo”. Das várias interpretações da Paixão de Cristo, seu sacrifício cruento, sua morte vicária e a salvação do homem.
Pois bem, ser apaixonado por Jesus, não tem a mesma conotação da “Paixão de Cristo“, são circunstâncias e evidências bem diferentes teologicamente.
Entendo também que quem quer viver apaixonado por Jesus, vive em conflito, sofrimento, busca seus próprios interesses. Mas quem quer viver em amor pelo Senhor é alegre, é livre, produz, é um conquistador, aprende coisas novas para trocar lições de vida com outros irmãos. O amor incentiva a doação, ao perdão, sobre, não aponta os culpados por seu sofrimento, não acusa, não odeia. Se sente especial, torna sua vida mais alegre, mais interessante e torna também as dificuldades mais fáceis de serem superadas. São mais calmos, os apaixonados são muito agitados. Os que amam são mais calmos, serenos, tranquilho.
Há eu prefiro o padrão bíblico que é o amor. Amo os apaixonados por Jesus, e quero vê-los não apaixonados, mas amando o Senhor Jesus. Amando de todo o teu coração, não com um coração dividido, de todo o teu entendimento, racionalmente e de toda a tua força, e por causa desse amor, procure ser fiel ao Senhor e desfrutar constantemente da Sua presença, a maior de todas as presenças na nossa vida.
Soli Deo Glória

IPB: 148 ANOS SERVINDO A DEUS AO BRASIL E AO MUNDO

O presbiteriano nacional completa 148 anos de serviço à Deus, ao Brasil e ao mundo no próximo dia 12 de agosto 2007.
Creio que podemos dividir a história do presbiterianismo nacional em seis (06) etapas importantes e relevantes na vida da Igreja Presbiteriana do Brasil.
A implantação foi a primeira fase postulada de 1859 a1869.. Fase essa que inicia com o surgimento da Igreja Presbiteriana do Brasil como resultado do esforço e trabalho missionário pioneiro articulado pelo Rev. Ashbel Green Simonton (1833-1867).
A segunda fase desse processo foi a consolidação do Presbiterianismo no Brasil (1869-1888). Simonton e toda a equipe missionária pertenciam a Igreja Presbiteriana do Norte dos Estados Unidos (PCSA). Com a chegada dos missionários da Igreja Presbiterian do Sul dos Estados Unidos, George N. Morton, Edward Lane, fixando residência em Campinas, fundaram a Igreja de Campinas e o Colégio Internacional. Esses e outros missionários evangelizaram a região da Mogiana, Oeste e Triângulo Mineiro e Sul de Goiás, destacando nesta obra o Rev. John Boyle.
A Igreja avançava em direção a todos os recantos brasileiros estendendo a obra missio-evangelizadora no nordeste e norte do Brasil, precisamente de Alagoas até a Amazônia, destacando nesta obra os trabalhos de John Rochwel Smith, fundador da Igreja Presbiteriana do Recife (1878). Delacery Wardlaw, em Fortaleza e o Dr. George W. Butler, o “medido amado”, bem destacado na obra do Rev. Edjece Martins, “A Bíblia e o Bisturi”. Um dos pastores mais conhecidos nesta fase no nordeste foi o Rev. Belmiro de Araújo César, patriarca de uma família numerosa de presbiterianos, muitos deles pastores.
A terceira fase, a Dissenção (1888-1903), isto é, a primeira ruptura denominacional. Neste período foram organizado o Sínodo da Igreja Presbiteriana do Brasil jurisdicionando três presbitérios (Rio de Janeiro, Campinas-Oeste de Minas e Pernambuco), contando com 20 missionários, 12 pastores nacionais e 59 igrejas. O Primeiro presidente foi o Rev. Blacford. Foi criado o Seminário Presbiteriano, funcionando em Nova Friburgo no final de 1892, sendo mais tarde (1895) transferido para São Paulo. O Mackenzie College em 1891 (Colégio Protestante), foi transferido para Lavras o Colégio Inernacional que mais tarde veio a chamar-se Instituto Gammon, em homenagem ao Rev. Samuel R. Gammon (1865-1928). No nordeste é criada a primeira escola evangélica, o Colégio Americano de Natal (1885) e na cidade de Garanhuns são lançadas as bases do Colégio Quinze de Novembro e o Seminário Presbiteriano do Norte, mais tarde transferido para Recife. No Rio de Janeiro e São Paulo foram destaques neste período o Rev. Eduardo Carlos Pereira (1888) e Álvaro Reis (1897). A Igreja crescia tanto para o Norte como para o Sul do Brasil, chegando ao Pará e Amazonas, bem como a Santa Catarina, expandindo-se também para o interior de Minas (Alto Jequitibá). Este período foi marcado por uma grande crise surgindo conflitos entre o Sínodo e a Junta de Missões de Nova York. Enquanto o Sínodo media esforços e buscava apoio para a obra evangelistica, conseqüentemente na instalação dos Seminários, a Junta preferiu dar ênfase à obra educacional, principalmente através do Mackenzie. Este conflito ganhou corpo principalmente nos desentendimentos entre o Rev. Eduardo Pereira e os líderes do Mackenzie, Horace Lane e William Wandbell. Com as posições radicais do Rev. Eduardo C. Pereira e apoiado por um grupo de seus colegas brasileiros, criou o jornal “O Estandarte”, enquanto o Rev. Álvaro Reis, criava “O Puritano” (1899). Os problemas aumentaram principalmente devido aos debates acerca da maçonaria, e por fim a crise chega ao fim com um triste desfecho em 31 de julho de 1903, durante a reunião do Sínodo. Após serem derrotados em suas propostas, o Rev. Eduardo Carlos Pereira e seus colegas desligaram-se do Sínodo e formaram a Igreja Presbiteriana Independente.
Após 1903, seguiu-se um período muito triste na vida da igreja, período marcado por divisões de comunidades, luta pela posse de propriedades, litígios judiciais, inquietação, estendendo este período até 1906. nesta época a IPB contava com 77 igrejas e cerca de 6500 membros, a IPI tinha 56 igrejas e 4200 membros. A reconstituição (1903-1917) da obra presbiteriana do Brasil levou as igrejas da IPB a trabalharem duro na evangelização e na educação. Em 1910 foi organizada a Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana do Brasil, sendo eleito o primeiro presidente o Rev. Álvaro Reis. Os conciliares visitam a Ilha de Villegaignon e comemoraram o 4º centenário do nascimento de Calvino, fato importante este que tem sido cultivado pela Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Em 1971 foi aprovado o Modus Operandi, um acordo entre a igreja e as missões norte-americanas pelo qual os missionários desligaram-se dos concílios da IPB, separando os campos nacionais (presbitérios) dos campos das missões. Estava assim restaurada a Igreja Presbiteriana do Brasil.
A fase de Cooperação (1917-1932) destaca-se pela influência e relevância da Igreja Presbiteriana do Brasil com os vários setores da vida religiosa e social do Brasil. As principais áreas de cooperação foram a literatura, educação cristão e educação teológica, nesta época foi criado o Seminário Unido no Rio de Janeiro, que existiu até 1932. O Instituto José Manoel da Conceição, fundado pelo rev. William A. Wadbell na cidade de Jandira-SP (1928), que tinha o objetivo de preparar os jovens que ingressariam no seminário. A Associação Evangélica de Catequese dos índios (1928), depois Missão Evangélica Caiuá, idealizada pelo Rev. Albert S. Maxwell instalada em Dourados-MS, esforço cooperativo das igrejas presbiterianas, independente, metodista e episcopal.
Nesta época também a Missão criou o Colégio Agnes Erskine, em Recife, o Colégio 15 de Novembro, em Garanhuns; a Escola de Ponte Nova-BA; o Colégio 2 de Julho, em Salvador-BA; O instituto Gammon, em Lavras-MG e o Instituto Cristão e principalmente o Mackenzie.
A última fase, a organização (1932-1959), período em que a IPB continuou a crescer e aperfeiçoar a sua estrutura voltando parte de sua obra para os trabalhos específicos como as sociedades internas, principalmente o trabalho feminino e mocidade, e o desenvolvimento das missões estrangeiras e nacionais, literatura e ação social. Este período logrou êxito e conclusão com o centenário da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Dentre algumas convicções da IPB, destaco o Culto, no qual a igreja procura obedecer o princípio regulador. Isto significa que o culto deve ater-se as normas contidas nas Escrituras Sagradas. Assim o culto caracteriza-se pela teocentricidade, simplicidade, reverência, hinódia com base teológica bíblica e a pregação expositiva. Por isso o culto reformado é solene, respeitoso, fervoroso e alegre. Culto rígido, fechado e sem vida não faz parte do padrão presbiteriano, contudo, quando não se observa este padrão consequentemente as igrejas locais acabam se afastando dos princípios históricos originários.
A centralidade das Escrituras Sagradas é outra de suas marcas, a Bíblia é a nossa regra de fé e prática.
A prática dos sacramentos (Ceia do Senhor e batismo), marca imprescindível a vida e comunhão da igreja, como meios de graça. A ministração correta dos sacramentos, isto é, rejeitarmos qualquer concepção da Ceia do Senhor que a reduza a apenas símbolo memorial e bem como o batismo infantil e adulto.
Aproveitamos esta oportunidade para refletirmos sobre a nossa denominação e a nossa igreja local.
Que o Senhor abençoe a Igreja Presbiteriana do Brasil!
Soli Deo Gloria
Rev. Simonton

03 agosto 2007

PRESBÍTEROS: GUIAS E PROTETORES DO REBANHO



*Rev. Ashbell Simonton Rédua

Quando me proponho a falar da dimensão do ministério presbiterial, neste primeiro domingo de agosto, quando celebramos na Igreja Presbiteriana do Brasil, “o dia do Presbítero”, logo vêm na mente os desafios atuais, sobretudo os desafios afetivos-sexuais, em um contexto marcado por escândalos de má conduta cristã e uma visão negativa de seu relacionamento cristão.
Conscientes disso, pretendo tratar deste tema de forma mais ampla, pois sabiamente nossa confissão reformada nos alerta para tanto outros possíveis desvios e perigos que tange a nossa dimensão eclesiástica. Vivemos num período histórico grandemente desafiador, no qual a minha querida igreja sobre as quais se firmaram gerações e gerações sofre uma crise quase sem paralelo na história no contesto da família, enquanto o divórcio era tolerado para os membros comuns apenas, hoje debatemos com presbíteros docentes vivendo segundo, terceiro e até o quarto matrimônio e este também em crise. As escolas teológicas e confessionais carecem de novas abordagens que lhes restituam sua verdadeira função de elementos estruturais na formação do homem pós-moderno. A cultura religiosa pós-moderna, da religiosidade popular, da influência musical gospel, da liturgia aberta e liberal, da insersão de novas técnicas de comunicação na substituição da pregação expositiva, tais como corinhografia, coreografia, danças rítmicas e shows evangélicos. A ampla comercialização das diversas propostas espirituais, tais como : “Igrejas com propósitos”, “Igrejas sem propósitos”, “Células”, “G12”, “Igrejas de Relacionamentos”, “Igrejas Interdenominacionais (não sou de ninguém e todo mundo é meu também)”. São oferecidos roteiros espirituais baratos, que prometem um bem-estar imediato, fácil e a qualquer hora do dia e da noite (Igrejas 24 horas), haja vista que o mundo pós-moderno não acolhe facilmente percursos árduos, penosos, de despojamento, contudo busca e persiste a fome de algo autêntico e verdadeiso, mas sem a disponibilidade de passar por um caminho duro e comprometido (escrevo aqui de crentes de horas e locais marcados).
Assim penso que os presbíteros como guias e protetores do rebanho devam ter algumas características:
1. O Presbítero deve ser discípulo e discipulador. A questão do discipulado e do discipulador deve envolver inteiramente a vida do presbítero, levando em conta a sua maturidade cristã e humana, resultando na capacidade de desenvolver a difícil tarefa de ser discípulo. Aquele que é capaz de ouvir os outros e sobretudo o “outro”, este é capaz de levar as Boas Novas da Salvação aos outros, não por palavras, mas especialmente pelo testemunho de uma vida integra e fiel ao Senhor
2. O Presbítero deve ser capaz de conhecer em profundidade a alma humana, intuir dificuldades, ser um facilitador no relacionamento e no diálogo com outro, obter confiança e colaboração, exprimir juízos seremos e objetivos. É necessário o cultivo de uma série de qualidades humanas necessárias à construção da personalidade pastoral, tais como equilíbrio, fortaleza, liberdade, amor à verdade, lealdade, respeito pela pessoa de cada um, sentido de justiça, fidelidade à palavra dada, coerência e capacidade de suportar o peso das responsabilidades presbiteriais.
3. Os Presbíteros devem ter o seu próprio modus vivendi. Como qualquer outra pessoa, os presbíteros sofrem condicionamentos das mudanças culturais da pós-modernidade. Num processo dramático de desconstrução e reconstrução, alguns presbíteros transformam suas concepções de família, relações afetivas, a maneira de se vestir, do ato sexual, comportamento, hábitos em tendências ou possibilidade quando não como realidade. Algumas reinvidicações nos quais destaco a opção pelos grupos minoritários, discriminados, a emancipação da mulher (debates sobre diaconisa, presbíteras e pastoras), a liberação da sexualidade e do prazer (poucos se aventuram a falar com os casais da igreja sobre sexo e suas formas desvirtuadas, o direito ao orgasmo, o homossexualismo), o divórcio, a relativização da virgindade, a rediscussão da fidelidade conjugal. É certo que a onda individualista alastrou na sociedade cristã e contaminou os presbíteros, que preferem viver sua vida num relacionamento com os concílios da igreja muito diferente daquele surgido no nascedouro do cristianismo.
Por muito tempo, na Igreja, quando se tentava enfrentar essas questões em relação aos presbíteros, projetavam-se modelos idealizados de presbíteros, que mais se adequavam às necessidades institucionais, mas não respondiam ao desafio da originalidade de cada um. Nas últimas décadas, essas questões passaram a incomodar muito mais inúmeros presbíteros, que procuravam articular sua realização pessoal às reais necessidades da Igreja. Na perspectiva conciliar, a identidade do presbítero passa em sua definição pela comunhão dos presbíteros entre si e com o pastor no serviço à comunidade;. Hoje, porém, muito se perdeu dessa perspectiva e se retoma a questão da identidade presbiteral numa ótica muito mais subjetiva, do direito de cada um ser
feliz.
Precisamos prestar atenção a alguns sintomas, dentre os quais os momentos de dúvida, quando é posta em discussão a própria identidade e a própria vocação, o próprio papel, o modo de desempenhar o ministério presbiterial. Este é o aspecto mais evidente. Depois a dúvida pode ficar mais ampla e envolver mais em geral o aspecto institucional, a Igreja na qual se exerce o ministério, a época em que vivemos. Ao lado disso, há sintomas que dizem respeito à estrutura cotidiana da vida: podem ser momentos de excessivo cansaço, fraqueza existencial, momentos latentes ou não de depressão; ou o excesso de trabalho, a procura obsessiva de atividades que parecem justificar a própria existência, a fuga de todo espaço vazio ou sossegado de silêncio e de reflexão.
Este último sintoma; o excesso de trabalho; é hoje muito difundido;. Parece que uma pessoa só se sente valorizada quando pode ostentar uma agenda cheia, e não quando usa o tempo para aprender a contemplar, a fazer intervalos de introspecção, até mesmo para saber avaliar com alegria os passos dados na missão.
4. É bom lembrar que antes de ser presbítero é preciso ser cristão e antes de ser cristão, ser humano. Somente sobre fundamentos sólidos humanos se pode edificar o verdadeiro presbítero, pois este deverá ter condições de colocar a totalidade de sua vida sob o dinamismo do Espírito Santo. A capacidade de tomar decisão, de assumir a vida nas próprias mãos, confiando na presença permanente de Deus, faz parte do dinamismo do processo de maturação humana. Esta é construída a partir da tomada de posição pessoal e do relacionamento com os outros, na base do diálogo e do compartir a vida com os demais.
Por outro lado, esse processo, não pode ser tão indefinido, pois ele tem responsabilidades inadiáveis no exercício do ministério. Para isso, ele contará com a graça de seu estado ministerial e deverá estar aberto para, em comunhão com os irmãos de presbiterato e com os leigos com quem trabalha pastoralmente.
Conclusão: O presbítero deverá ter um senso profundo de realismo em relação a si mesmo, suas ambigüidades e potencialidades, e com a realidade que o cerca. Conhecer-se é fundamental no processo de auto-aceitação em vista da maturidade humana e espiritual. Só aplicamos a medicina correta quando detectamos com precisão onde estão nossos pontos fracos. Nada mais prejudicial nesse ponto do que a camuflagem do que se é, verdadeira e profundamente. Deixar aflorar o que somos, com nossas emoções e sentimentos, para resgatar tudo o que nos edifica e trabalhar o que nos destrói. A não-repressão do que se sente traz consigo a possibilidade de superação do que é negativo na pessoa e de redimensionamento das aspirações de um eu-ideal distanciado do que a pessoa realmente sente e quer, isto é, de seu eu-ideal. Podemos dizer que levamos essa riqueza de vida, contida na experiência dos presbíteros, parafraseando o apóstolo dos gentios, em vasos de barro, só assim os Presbíteros serão guias e protetores do rebanho.
Em homenagem aos Presbíteros da IPB/ 1º domingo de agosto de 2007, este é o vosso dia.
Soli Deo Glória

08 junho 2007

A RELEVÂNCIA DO JORNAL BRASIL PRESBITERIANA PARA A IPB



Em Homenagem ao aniversário do JBP


*Rev. Ashbell Simonton Rédua
asredua@yahoo.com.br


Fundado em 1958, resultante da fusão de dois outros jornais, O Norte Evangélico e o Puritano, com sua primeira edição publicada no dia 8 de junho de 1958, é o órgão oficial de comunicação da IPB. Administrado por uma Autarquia da IPB, a Rede Presbiteriana de Comunicação (RPC), que além do JBP, administra vários outros setores de Comunicação e Marketing da Igreja Presbiteriana do Brasil.
A data oficial de seu aniversário comemora-se a data de sua primeira edição. Homenageando o JBP, buscamos compreender a relevância do Jornal para a IPB. O JBP busca atingir, de forma subjacente, dois objetivos: qualidade e relevância. A qualidade refere-se ao âmbito interno da área na qual se desenvolve. Trata-se de sua profundidade, abrangência, da medida em que lança luz sobre diferentes assuntos, resolve problemas e desafios históricos. A relevância se relaciona com a aplicabilidade a áreas externas à do desenvolvimento das matérias e com sua importância para a Igreja Presbiteriana do Brasil.
Tanto a qualidade quanto a relevância são medidas de maneira imperfeita, e não poderia ser de outro modo, pois não existe uma maneira exata para se medir uma ou a outra. Portanto, toda medida é aproximada e podemos apenas indicar parâmetros que, de acordo com o bom senso, parecem bastante correlacionados com uma ou outra. Com isto nos referimos aos critérios que vêm de fora da área, já que uma relevância “interna” confundir-se-ia com o que denominamos “qualidade”. A correlação entre qualidade e relevância existe, mas não deve ser superestimada. Quase tudo o que tem muita qualidade acaba sendo relevante e, provavelmente, nada que não tenha qualidade terá alguma relevância. Mas existem notáveis exceções. O fato é que a relevância se julga a partir de um ponto de vista externo à área. Quando se julga relevância, o resultado é, via de regra, tem por resultado a publicação, o prêmio, ou a citação elogiosa.
A IPB encontra, no JBP, um canal direto de comunicação. Nele, são apontados problemas locais e regionais, e procuradas soluções a curto, médio e longo prazo. As perguntas e dúvidas que afligem as igrejas não ficam sem respostas. A equipe do jornal vai à busca da notícia. A Notícia vem fazendo, no geral, uma cobertura equilibrada, as resoluções do SC/IPB e da CE/IPB. Em alguns meses, apresentou mais matérias supérfluas, com pouco caráter informativo, as que fazem referências apenas aos aniversários de algumas igrejas, com fotos bastante antigas, que apresentam igrejas de “fundo de quintal”. Em outros, o material publicado sobre as igrejas reforçou o que realmente interessa a IPB, o que as Igrejas Presbiterianas estão fazendo.
Os recursos gráficos enriqueceram bastante o JBP, desde a sua criação, os editores vem tentando utilizar o novo meio como instrumento para conquistar e reter leitores presbiterianos. Mas, a despeito de um início promissor, todas as tentativas de conduzir leitores para jornais e revistas das sociedades internas têm falhado. O número de leitores decresce anualmente, comparando com o crescimento da IPB e cai também a receita dos anúncios – embora não na mesma proporção.
Habituados a editar o pensamento reformado para as igrejas filiadas a IPB , o JBP talvez esteja com dificuldade para retratar a múltiplas realidades que a nova complexidade religiosa nos expõe diariamente. Aliás, nos debates dos editores que sempre formaram a opinião teológica e social de um grupo da Igreja.
Vale a pena o ser relevante?
Vale, se tivermos ânimo para ultrapassar as fronteiras proibidas, fronteiras bloqueadas pela censura eclesiástica, pela ignorância, pela mentira. Vale, se tivermos os olhos bem atentos, para ver o delicado, o diferente, o invisível. É preciso coragem para se comprometer, para dizer o que se vê e o que se sente, sem medos nem manuais que alegram o coro dos contentes.

*Rev. Ashbell Simonton Rédua – Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbitério do Norte (Recife-PE), em 1989, Bacharel em Teologia com Especialização em Capelania, pelo Seminário Teológico Evangélico do Nordeste (Recife-PE), 1990, Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo (2006), Especialização em Bíblia pelo Centro de Pos-Graduação Andrew Jumper, Graduando em Direito pela Centro Universitário Plínio Leite, e Especializando em Direito Ambiental pela Universidade Gama Filho Currículo completo http://lattes.cnpq.br/9018318255138280